quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Esclarecimentos

Tinha decidido que iria ignorar gente mal educada que não sabe criticar sem agressividade, mas como o assunto cresceu mais do que deveria, resolvi responder num post para que todos pudessem ver.

Acho muito engraçado o conceito que a maioria das pessoas tem de que a internet é um território livre e confundem liberdade com libertinagem. E quando alguém reclama, logo evocam o princípio da liberdade de expressão. Internet não é terra de ninguém; há regras a serem cumpridas. Internet, até, dá prisão. Minha querida amiga Eline Kullock, presidente do Grupo Foco, está vivenciando, inclusive, um caso de tentativa de difamação à sua empresa por um covarde que usa a facilidade do anonimato, conforme vocês, caso se interessem, podem ler aqui: http://www.focoemgeracoes.com.br/index.php/2009/10/16/que-etica-voce-pratica

O fato de me expor ao criar um blog dá pleno direito de as pessoas não concordarem com o que eu penso ou com o que eu escrevo. Mas não dá direito algum de virem aqui e escrever de forma agressiva. O blog é de acesso público, mas é meu. E aqui, na minha casa, tenho todo direito de exigir respeito.

Como disse nos comentários do post anterior, educação se aprende em casa. Não serei eu quem vai ensinar marmanjo a se comportar. E ao contrário do que o comentário do (a) Motilah sugeriu, existe uma grande diferença entre ser enfático e ser mal educado. Escrever “me desculpe, mas voce escreveu uma cagada forte nesse texto ai!” é falta de educação sim! O senhor Pedro, por um acaso, fala assim com a mãe dele? Ou fala assim no mundo real com alguém que ele, sequer, conhece?

Não concordar é uma coisa, e eu sou uma pessoa totalmente aberta ao diálogo, mas gosto muito de ser tratada com educação porque é assim que se consegue o meu respeito. Aprendi em casa, junto com a educação que recebi, que se não tenho como contribuir como as pessoas de forma positiva, simplesmente me abstenho. A crítica pela crítica não serve para nada.

Agora vamos aos fatos. Não sei se repararam, mas existe uma fonte citada ao final do texto, onde tudo que eu escrevi foi baseado. É claro que me certifiquei do conteúdo que foi escrito, primeiro porque é um princípio básico do jornalismo, o de checar as fontes, e segundo, que mesmo que não fosse jornalista, é um princípio meu me certificar das coisas.

Ao contrário do que o (a) senhor (a) Motilah imagina, apenas comentei sobre o conteúdo da fonte. Não tento nem quero ser especialista de um monte de coisas. Apesar de até ter uma formação generalista, minha especialidade está no nome do blog: SUSTENTABILIDADE CORPORATIVA, que é o tema abordado em 90% dos posts e, coincidentemente, não foi o tema abordado no último, apesar de eu ter puxado um pouco para a ótica empresarial.

Ah, senhor (a) Motilah, obrigada pelo elogio a respeito da escrita. Estudei pra isso, além de ler muito para fazer bem o ofício, apesar de ainda utilizar o estilo de ortografia pré-2009. Mas ainda tenho tempo até ser obrigada a utilizar as novas regras gramaticais, não é mesmo?

O Pedro disse que “a madeira eh basicamente formada de lignina, celulose e agua. tanto a lignina quanto a celulose possuem carbono em sua formula quimica, portanto "sequestram" carbono da atmosfera. se usar essa madeira para queima, nao estara trazendo beneficio algum, mas se a finalidade for moveis ou papel com ctza estara sequestrando carbono do ar.” (deixando claro que tudo que está entre aspas foi copiado exatamente como fora escrito pelo autor).

Pedro, você entrou em um assunto técnico que eu não domino e quanto a isso não discuto. Darei a você o crédito da verdade por não conhecer os aspectos citados. Mas não ficou clara para mim uma coisa: você diz que dependendo da finalidade que destinaremos à madeira, ela seqüestra ou não o carbono, é isso? Ou caso a finalidade seja a fabricação de móveis ou papel, ela, como produto final, continuará seqüestrando carbono? Não entendi muito bem a sua posição.

A questão é que, independente do que o Pedro quis dizer com o comentário dele, o que eu comentei em nada tem a ver com questões técnicas. Disse que sustentabilidade não é plantar árvores. Disse porque é muito mais do que isso. É reduzir, é reciclar, é reutilizar, é repensar produtos, reinventar processos... O que acontece é que as empresas ainda pensam na lógica da compensação, mas isso não é o suficiente. As árvores, por exemplo, não anulam o gás metano, que também é responsável pelo GHG.

Além disso, outra coisa que falei foi a respeito do tempo que uma árvore leva para crescer e absorver o carbono. Uma árvore da Mata Atlântica, por exemplo, demora 37 anos para completar seu ciclo de crescimento. O cálculo do rastro é feito com base nisso. Agora pensemos: eu impacto hoje e planto uma árvore, que só compensará minha atividade em muito, muito tempo. Isso é sustentabilidade ou as empresas precisam buscar novos mecanismos de redução de impactos?

Respondido o Pedro, vamos ao Maurício. Antes de começar a responder cada uma de suas críticas, vou deixar claro aqui uma coisa que ele aparenta não entender: a sustentabilidade é totalmente focada na relação causa e efeito. Fez aqui, impactou ali de alguma forma. Explicado isso, devo dizer que não sou idealista, ao contrário dele, que tem aquele discurso lindo do vamos mudar o mundo e vivermos todos em paz.

Sim, também quero mudar o mundo, mas ao contrário de me alimentar de utopias, sou uma pessoa prática, que busca ferramentas possíveis para atingir os meus objetivos. “Bem...você olha somente para seu bolso, não é?” Não me iludo em achar que as pessoas e as empresas praticam sustentabilidade porque acham bonito. É porque dói na hora de fechar o orçamento. As empresas, principalmente, sabem que se não cuidarem hoje, amanhã elas podem desaparecer. Não tenho problema algum em utilizar esse argumento para sensibilizar. Ao contrário do discurso apenas bonito, esse leva à ação.

“1. Os orgânicos são o melhor PRA SUA SAUDE! Acorde! O que “economiza" agora no morango contaminado vai gastar depois com tratamento de câncer, por ex. E ainda vc considera que os pesticidas são aspergidos sobre as plantas pois não sabe nada sobre pesticidas que estão dentro da planta, na seiva.”

Caro Maurício, em algum momento eu disse para parar de consumir produtos orgânicos? Falei apenas para pesar na balança (lembra da causa e efeito?) PARA O MEIO AMBIENTE, se a rota de entrega é longa, vai ser um alto impacto da mesma forma. Ao contrário da sua agressividade gratuita e desnecessária, o Raphael trouxe uma informação muito interessante que um amigo agrônomo dele disse a respeito da melancia. E como ele também disse, cada caso é um caso.

“2. ‘Se eu moro do lado do metrô e uso transporte público a semana inteira, vale o custo de comprar e manter um carro para usar só nos finais de semana?’. A pergunta que fecha o assunto não diz respeito aos híbridos, mas a maneira maluca que vivemos. Tendenciosa sua conclusão, não é?”

A pergunta se refere à necessidade x status que temos ao consumir. Não sei do que você entende, mas eu entendo que o consumo responsável é uma mola propulsora da sustentabilidade e ele mexe fundamentalmente com o nosso bolso. E que a maneira maluca de vivermos, que está relacionada à sustentabilidade individual, seria menos caótica se mudássemos nossa postura. Sem contar a questão de poluição, dióxido de carbono e afins.

“3. Mais uma bobagem. Nem precisava ter escrito isso...”
Desenvolva. Bobagem por quê? Cadê os argumentos rebatendo todas as besteiras que eu falei? Ou foi apenas para não perder a chance de criticar só por criticar?

“4. ‘Para as árvores capturarem o gás carbônico da atmosfera, é necessário que elas sejam plantadas próximas à zona equatorial, caso contrário, o resultado é nulo,’... cara, vai estudar!! Sou biólogo e se vc pensa somente que as arvores devem ser plantadas por esse este motivo, precisa deixar de escrever.”

Gostaria que você apontasse no meu texto o momento em que eu escrevi que a única função das árvores é neutralizar carbono. Na escola você, por um acaso, freqüentou as aulas de interpretação de texto? Não? Então eu explico: se as árvores forem plantadas longe da zona equatorial o efeito é NULO para a proposta de diminuição da temperatura. Entendeu agora, senhor biólogo?

“5. O fechamento da torpeza mental! Possuímos uma maneira de viver em que foram gastas toneladas de $$ para destruir os recursos naturais, acabar com água potável (vc vice sem água?), camada de ozônio detonada (câncer... já ouviu falar?), enfim, meu caro, consertar as ultimas décadas de detonação vai custar, sim, muito $$. E isso temos que começar o mais rápido possível. Vc precisa SIM ajudar a pagar a conta, como todo mundo.”

Pois é, concordo que temos DE começar o mais rápido possível. Mas me responda: coleta seletiva custa dinheiro? Economizar água custa dinheiro? Fazer uso consciente de energia custa dinheiro? Priorizar transporte público custa mais do que comprar um carro, gastar gasolina, pagar seguro, estacionamento e manutenção? Consumir o que se precisa, ao invés de se consumir o que quer, custa dinheiro? E por um acaso isso não seria sustentabilidade? Se você precisa gastar dinheiro para ser sustentável, o problema não é meu. Porque eu faço muitas coisas sem tirar um centavo do bolso.

“Só o ultimo parágrafo faz sentido, e é a única coisa que saiu boa neste texto. Mas duvido que vc vá fazer alguma coisa que realmente faça a diferença.Vc deve pensar como a maioria: “ahhh deixa ficar assim mesmo... qdo eu morrer não levo nada daqui mesmo.. as proximas gerações que se virem pra resolver isso. Quero mais é gastar meu $$ com cerveja e churrasco!” (não é?)”

Ao contrário do que você pensa, meu querido, não precisa duvidar se vou ou não fazer. Eu faço a diferença. Meu discurso não é nenhum pouco desalinhado com minhas ações. A começar por esse blog, que pode não servir para você, mas serve para muita gente. A grande questão é que eu não sou ecochata e nem ecoxiita. Não preciso disso para passar as mensagens que quero.

E não, não penso como a maioria e muito menos penso como uma minoria que quer empurrar as coisas à força, sem o menor bom senso, sem a menor educação e sem o mínimo de argumento. Tipo algumas dessas grandes ONGs que pouco fazem além de um discurso patético, perdendo ótimas oportunidades de mobilizar as pessoas em torno de uma causa importantíssima, simplesmente porque acham que conscientização é a mesma coisa que imposição.

Finalizando, tem o último comentário postado pelo Jesael. Nem tenho muito que falar dele, já que gosto é que nem bunda e eu expliquei lá em cima que meu texto é apenas um comentário sobre o texto do portal MSN. Sem contar que ele foi educado. Mas uma coisa me intrigou, Jesael. Se de acordo com você o meu blog foi a pior dica dada pelo Ueba, por que cargas d’água você resolveu me seguir?

5 comentários:

Jesael disse...

Sigo por uns tempos quase todos os Blogs onde comento. Além do mais é de graça. Confesso que dizer "pior dica do Ueba" foi forte, mas, sensibilidade é como bunda.

O problema do seu tópico é o endosso automático. Mesmo comentando uma outra notícia fica o efeito de "pego na cena do crime com a arma na mão". O citar fica secundário.

Já sofri ataques de climatologistas xiitas quando falei sobre precipitação na Amazônia. Isso é asism mesmo. Mas é a Internet.

Julianna Antunes disse...

Não me senti ofendida, só achei curioso. Obrigada pelo esclarecimento.

Renato Ribeiro disse...

Juliana, tenho te seguido no twitter as vezes dou uma olhada o teu blog. Gosto, e muito, de tua visão prática sobre a questão da sustentabilidade, da facilidade com q vc escreve e tua lucidez.
Passei aqui só p te dar um apoio, vc está muito irritada com os críticos de plantão e vc não merece,parabéns pela atitude, graças a Deus tem gente q pensa como vc.

Bru Paese disse...

Acredito que parte da crítica parte pelo fato que a pessoa não lê com a mente aberta, e sim, procurando artifícios para questionar.
Acredito também que educação é primordial, por isso, parte da minha idéia de sustentabilidade é a de que a valorização do ser humano começa cedo, tem relação com o seu caráter e o respeito pelo próximo.

Julianna Antunes disse...

Renato, obrigada pelas palavras!

Ah, sabe o lance do tênis a 580 reais? Vou conseguir por 250 reais. Menos mal para meu coração e minha sustentabilidade financeira.


Pois é, Bruna, concordo em tudo. Mas isso, educação, ética e respeito pelo próximo se aprende em casa. Se pai e mãe não ensinaram, a culpa não é minha. Falta muito bom senso e limites para as pessoas.

Obrigada, meninos!