sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A (in)sustentabilidade no Metrô Rio

Hoje o case será ao contrário. Ao invés de falar de boas práticas de sustentabilidade, falarei de um que não deu certo. Não é bem um caso de sustentabilidade, mas que por má gestão vem se transformando em uma situação insustentável: o Metrô Rio. Não vou contar sua história, pois, além de eu não saber, deve ser facilmente encontrado no Google. Vou falar da minha relação com esse transporte e de tudo que venho observando ao longo de muitos anos.

Comecei a usar o metrô quando ainda era estatal. Não era o melhor dos mundos, mas ele era limpo, fora do horário de pico era extremamente confortável, tinha ar condicionado e custava R$ 0,60. Pois bem, em 1997 o metrô do Rio foi privatizado e não lembro se foi pouco antes ou pouco depois da privatização que a passagem pulou para um real. Ou seja, praticamente dobrou de uma hora para outra. E aí começa a história de degradação de um serviço fundamental para a cidade.

Não sei sob quais condições foi passada para a iniciativa privada a concessão do serviço, mas, pelo que pude entender, até 2008 a empresa que opera o metrô não tinha nenhuma responsabilidade com infraestrutura. Por conta disso, sabendo que não teria como aumentar consideravelmente o número de passageiros, o foco do Metrô Rio foi a venda de publicidade nas estações e dentro das composições.

Sejamos francos: o Metrô Rio, quando é para encher o bolso, sabe fazer a coisa com maestria. Não conheço todas as estações, mas alguém duvida que em cada uma não tenha, pelo menos, dois painéis publicitários? A Carioca virou um shopping subterrâneo. Quer fazer a unha? Pode. Precisa consertar o zíper da calça? Pode. Quer estudar? Pois é, meu caro, até universidade tem lá! Enquanto isso dentro dos vagões...

Poderia ainda falar da gambiarra feita no mês passado e bizarramente aprovada pelo governo estadual e a Agetransp, dos intervalos entre as composições em horário de pico, (em dias bons eles dizem ser de 4min17seg. Em uma cidade como o Rio de Janeiro é humanamente impossível oferecer um transporte de qualidade com esse intervalo), da falta de ar condicionado etc. Mas para finalizar o triste case, não posso deixar de mencionar a postura da empresa diante de tanto descaso e problemas.

O Metrô Rio tem na figura do senhor Joubert Flores, intitulado Diretor de Relações Institucionais, o seu porta-voz. Em minha opinião, muito pior que todo o desprezo da empresa com os usuários, é a postura tomada em relação a tudo que é falado dela. Eu, como profissional de comunicação, sinto-me envergonhada. É uma aula sobre o que não fazer.

Em 90% dos comentários ou reportagens negativas, o senhor Joubert parece um atendente de call-center que apenas lê o que está no seu script. A reclamação pode ser qualquer uma. A resposta é basicamente a mesma. Não sei até que ponto o cargo de diretor dá a ele alguma autonomia ou se o título é apenas um enfeite. Gerenciamento de crise deve ser uma expressão pecaminosa para o Metrô Rio, não é mesmo?

E só para finalizar, já que o assunto é extenso, deixo no ar uma pergunta que adoraria que fosse respondida: Seu Joubert, o senhor tem conflito de valores sabendo a qualidade do serviço que é prestado pela empresa onde trabalha e sabendo o papelão que tem de fazer todos os dias para a imprensa e a população?

UPDATE: Tendo em vista os acontecimentos da última sexta-feira, o problema do Metrô Rio está deixando de ser caso de direito do consumidor para se tornar caso de direito criminal. Agora é questão de segurança pública!

1 comentários:

Adilson disse...

Ju, gostei muito do seu post. Ate vou dar retweet varias vezes. Agora estou na linha 2 quase apertado aqui no vagao e com calor. Realmente esta uma vergonha.

Beijos.