quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Os limites da sustentabilidade 2

Em julho escrevi um texto para o blog com o mesmo título deste post. Na ocasião falava do quanto o conceito de sustentabilidade corporativa é apaixonante e como pode virar uma bola de neve caso não seja estabelecido um limite para até onde se deve ir. Apesar do mesmo título, o texto de agora não é continuação do anterior; pelo contrário, em nada se assemelha ao primeiro.

Dando continuidade ao tema levantado nos dois últimos posts, onde menciono os termos ecochato e ecoxiita e falo da oportunidade que grandes instituições sociais perdem ao querer impor seus ideais ao invés de tentar conscientizar as pessoas. Ainda com isso na cabeça, estava navegando pelo Portal MSN quando me deparei com uma seqüência de fotos de alguns protestos do PETA no mundo.

Das dez fotos apresentadas, quatro temas são abordados: consumo de carne, utilização de peles de animais na fabricação de roupas, caça e maus tratos aos animais. Com exceção dos protestos contra o consumo de carne, sou a favor de todos os outros. Incluindo aí um tema que não apareceu nos slides, mas que é o que mais me preocupo: o de não se usar animais em testes de laboratório. Quer dizer, não sou nada simpatizante pela forma como o PETA conduz seus protestos, mas sou a favor das causas.

Em relação ao consumo de carne, não tenho nada contra vegetarianismo e respeito quem faz essa opção. E acredito que a maioria pense assim também, já que nunca vi um protesto pró-bife ou pró-churrasco, Mas por que o contrário não é válido? É fato que comer pouca carne vermelha é mais saudável, é fato que as vaquinhas têm sua parcela de culpa na emissão de GHG, mas sustentabilidade é equilíbrio. Não podemos nos esquecer que o ser humano é, por essência, um animal carnívoro. Estamos no topo da cadeia alimentar doa a quem doer.

É claro que a opção pelo consumo de carne não nos isenta de procurarmos a sua procedência e boicotarmos os produtores que desmatam áreas verdes para criação de gado. Mas querer nos impor uma escolha é ridículo. O problema aqui é a forma como o PETA se coloca para o mundo, fazendo, por muitas vezes, com que pessoas comuns, as que realmente juntas fazem a diferença, simplesmente criem antipatia pela instituição, o que é uma pena, já que são causas muito importantes.

Tirando o fato que, no caso do PETA, é muito comum os manifestantes ou os líderes acabarem presos, tenho muita curiosidade em saber, primeiro, quem financia instituições desse tipo. Segundo, no quanto esses protestos polêmicos mudaram a postura das pessoas. Também gostaria de saber se com os protestos o consumo de carne diminuiu, se touradas e farras de boi foram extintas, se as caças foram proibidas, se roupas com peles de animais deixaram de ser fabricadas, se foi criada alguma legislação que proibisse testes em animais...

Gostaria, ainda, de saber o que as pessoas comuns pensam desse tipo de manifestação, se acreditam que resolvem alguma coisa ou se têm idéias ou propostas mais efetivas para mudar o mundo. Tirando o compromisso diário que eu acho que todos devem ter com o seu ambiente e o seu entorno, minha primeira sugestão é bem simples, mas é onde os problemas podem começar a ser resolvidos num escopo maior que o nosso dia-a-dia: pensem muito bem em quem votar nas eleições do próximo ano.

5 comentários:

Renato Ribeiro disse...

Juliana, não se assuste mas eu não como carne vermelha à 15 anos, e venho através dos anos reduzindo as brancas, talvez acabe me limitando ao peixe. O problema, como sempre, acredito que está no excesso, carne demais,gases demais, desmatamento demais. Não tenho planos p ninguém comesse mais carne, mas seria mais saudável reduzir, com certeza. saudável p pessoas, saudável p planeta. Por outro lado, não sei qual a eficácia das ações do Peta, mas parecem ações baratas, eu acabo achando graça, faz as pessoas refletirem talvez e reflexão é bom.
São como teus textos, fazem refletir.

Julianna Antunes disse...

Renato, concordo com tudo que vc escreveu. Sustentabilidade é, primordialmente, equilibrio. A própria natureza está preparada para de tempos em tempos se renovar. Ou seja, ela está preparada para os impactos do homem (claro que não nessa velocidade e quantidade que impomos a ela).

Também acho engraçado os protestos... mas precisamos muito mais do que isso. É uma pena uma organização ter uma capilaridade absurda e usar isso para fazer gracinha.

Rafael Abreu disse...

Não podemos negar que a pecuária é maléfica ao planeta. Não podemos negar que se toda a área para criação de gado fosse utilizada para plantação de alimentos a oferta seria maior, os preços cairiam e consequentemente menos pessoas passariam fome.

Mas o homem sempre comeu carne. As vacas sempre consumiram muita água e sempre emitiram metano. Então o que mudou?!?

A POPULAÇÃO HUMANA! Estamos em mais ou menos 6,5 bilhões de humanos! Isso é o que está errado. A população de animais para corte aumentou porque a população humana aumentou.

A solução? Reduzir a população humana! Se cada casal tiver apenas 1 filho em média.. em algumas gerações diminuiremos a população pra menos da metade da atual. Assim o consumo de carne diminuirá pela metade, a emissão de metano e consumo de água pelas vaquinhas também. E ter apenas um filho é muito mais fácil do que convencer o mundo a deixar de comer carne. Mesmo porque no mundo contemporâneo criar filhos está muito difícil.

Essa é uma causa que eu abraço, e gostaria muito de saber a sua opinião a respeito.

www.vaidigitando.com

Julianna Antunes disse...

Rafael, é uma teoria interessante, mas será que funciona? Vários países da Europa estão com taxa negativa de crescimento populacional... a China há muito tempo tem a lei de apenas um filho por casal e mesmo assim cresce em progressão geométrica.

Reciclagem e Arte disse...

Ótimo artigo, concordo com vc. Eu como carne, mas sem exageros! me sinto melhor com alimentação mais saudável. Aqui no Sul não tem como não comer um bom churrasco de vez em quando! Sou contra todo tipo de radicalismo. Nossas atitudes sustentáveis precisam ser constantes e em diversas áreas, não só na alimentação. beijos e bom findi. Adorei seu blog!