Você quer ajudar a construir o sustentAPP?

Que tal ser um dos responsáveis pelo novo sustentAPP?

O que o brasileiro pensa sobre consumo colaborativo e suas perspectivas de mercado

Qual o papel da economia compartilhada na promoção da sustentabilidade?

As dificuldades de se por em prática o consumo consciente

A pressão do mercado, da família e de todos os lados para o consumo

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Você quer ajudar a construir o sustentAPP?

Como alguns aqui devem saber, desde o início do ano passado iniciei um projeto de tecnologia para sustentabilidade que é o sustentAPP. Ele chegou a entrar na fase de protótipo, mas ficou bem longe de ser o que eu e as pessoas que me ajudaram a idealizá-lo queríamos. Mas mesmo com o protótipo longe do ideal, no ano passado fomos finalistas dos prêmios Innovation Open, concurso que aconteceu dentro do Sustainable Brands, e do Jovem Empreendedor, concurso promovido pelo Jornal O Globo e pela FGV. 

A ideia inicial do sustentAPP era colocar no mercado um aplicativo de diagnóstico de sustentabilidade para micro e pequenas empresas. Depois disso a proposta era ampliar esse modelo para trabalhar o diagnóstico e monitoramento na cadeia de fornecedores das grandes. Porque esse é o grande gargalo de sustentabilidade nas empresas. O que existe hoje, quando existe, é uma pessoa fazendo o controle bem básico dos indicadores através do Excel. Um trabalho totalmente manual e que fica desatualizado diariamente.

Agora imagina fazer isso numa empresa com 5 mil fornecedores? Pois é. Não fazem.

Pois bem, o sustentAPP voltou para o ponto zero, e quando tomamos essa decisão, acabou que ele precisou ser paralisado por questões pessoais de cada um dos envolvidos. E ficou praticamente parado por quase um ano. Só que há algumas semanas eu resolvi retomar. Fiz algumas mudanças no escopo e o piloto continua voltado para micro e pequenas empresas, mas com um formato completamente diferente do que fora inicialmente idealizado e focado, em princípio, nas empresas de varejo.

Acontece que nem todas as mãos que se tinha no ano passado, se tem agora. A primeira fase dessa retomada consistiu na escolha de indicadores macros, definição de indicadores micros, atribuição de peso aos indicadores. Isso já está pronto. A próxima etapa é a de criação dos diagnósticos. Como eles são muitos, confesso, as mãos que se foram estão fazendo falta e, hoje, não tenho mãos suficientes para dar conta deles num tempo apropriado.

E aí pergunto: haveria pessoas interessadas em me ajudar a criar esses relatórios para o sustentAPP? Seria um trabalho VOLUNTÁRIO. Assim como também é um trabalho voluntário para mim e é por isso que não tenho como dedicar tanto tempo a ele. Aos que costumam ver o copo meio vazio, ressalto que não estou obrigando ninguém a nada, ok? Então se você não estiver interessado, ignorar esse post é mais do que suficiente.

Já aos que veem o copo cheio, imagino ser uma oportunidade interessante para ganhar experiência na área, se não tiver, ou a chance de participar de um projeto inovador que pode gerar frutos no futuro. Não tem nada garantido, mas existe essa possibilidade. E todos os envolvidos serão considerados.

As únicas exigências pra participar do projeto são: interesse em sustentabilidade corporativa (frisando o corporativa, afinal, o objetivo do sustentAPP não é salvar o mundo, as árvores, nem os bichinhos, é um projeto focado em empresas), boa redação e domínio do português.

Pois bem, quem quiser me ajudar a colocar o sustentAPP no ar, basta enviar um email para sustentabilidade@sustentabilidadecorporativa.com até o dia 07/07 explicando porque se interessou em participar no projeto e qual o seu interesse com sustentabilidade corporativa. Ah, se tiver alguma experiência na área, é importante colocar. Mas deixando claro que isso não é pré-requisito obrigatório.


Quem for selecionado passará por um mini treinamento sobre o conceito do sustentAPP e de como fazer os diagnósticos. Ah, fiquem tranquilos quanto a direitos autorais. Todos que participarem do projeto terão seus nomes marcados no hall da fama dos aplicativos de sustentabilidade (o:

segunda-feira, 8 de junho de 2015

O brasileiro, a sustentabilidade e o consumo colaborativo

Se você conversar com economistas que não se engessaram no tempo, a maioria vai dizer que o futuro passa pela economia colaborativa/ compartilhada. Em Corporação 2020 e Muito Além da Economia Verde, livros sensacionais e presentes na lista do top 10 de sustentabilidade aqui do blog, Pavan Sukhdev e Ricardo Abramovay, respectivamente, apontam o porquê dessa economia ser uma das principais soluções para o fim da sequência de crises e para a sustentabilidade.

Mas o que é exatamente a economia compartilhada?

De forma bem grosseira, é um modelo onde os produtos são compartilhados. A base do consumo está no uso ao invés da posse. Estou falando de compartilhamento de carro, bicicleta, hospedagem, moradia, alimento, roupa, informação, tecnologia... qualquer coisa. E pelo lado do modelo de negócios, significa uma empresa sair da manufatura e fazer a transição para um modelo de serviços.

O consumo colaborativo não é novo, pelo contrário, mas ele foi potencializado pelo uso da tecnologia e dos aplicativos do gênero, como o Uber, o Air BNB, o Bike Rio dentre outros. E ele, de cara, minimiza um problema crítico da sustentabilidade: a obsolescência programada. Mas não é só isso. Além de toda a cadeia da obsolescência (geração de resíduos, descarte incorreto, consumo excessivo de matéria prima etc), tem também outras questões que devem ser consideradas pela sustentabilidade ocasionada a partir da economia compartilhada.

Eu, como pesquisadora e apaixonada pela economia de baixo carbono, tenho alguns dados para exemplificar o impacto da economia compartilhada/colaborativa na sustentabilidade, na mobilidade, nas finanças e na remodelagem de negócios de velhas empresas.

Em 2013, apenas nos EUA, o mercado de compartilhamento de carros movimentou quase um bilhão de dólares. A tendência é que esse mercado chegue a mais de seis bilhões de dólares em 2020. Além do dinheiro circulante, esse tipo de compartilhamento vai evitar a compra de 1,2 milhões de automóveis nos próximos cinco anos e evitar a emissão de muitas toneladas de CO2 na atmosfera. Isso é louco. Estou falando de algo que vai acontecer praticamente amanhã!     
          
E aí pergunto para vocês: e aqui no Brasil, qual o tamanho do consumo colaborativo?

Uma pesquisa recente conduzida pela Market Analysis com 900 brasileiros adultos, apontou que 20% deles já ouviram falar ou leram alguma coisa sobre consumo compartilhado. Pouco. Muito pouco. O índice mais que dobra (42%) quando as pessoas estão no topo da pirâmide socioeconômica e tem alta escolaridade. Esperado. Mas ainda pouco para a facilidade no acesso à informação que esse grupo tem.

Um dado curioso é que no principal centro de consumo do país, a região sudeste, o índice de conhecimento sobre consumo colaborativo é abaixo da média nacional das cidades consultadas, sendo o Rio de Janeiro a capital com menor conhecimento (14%). Já Recife, uma das cidades pioneiras no compartilhamento de automóveis, o índice alcança 50%.

No Brasil, a economia compartilhada ainda está engatinhando. No caso de compartilhamento de carros, a expectativa é que se chegue a uma base de cerca de 200 mil clientes até 2018, o que é bem tímido em relação aos EUA e Europa. Além disso, para consolidarmos esse modelo de negócios, ainda há um longo caminho a ser percorrido, que vai desde superar barreiras de desconfiança, regulamentações governamentais e de mercado, até maturidade da sociedade, afinal, nosso país não é reconhecido como um grande prestador de serviços, não é mesmo?

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Inovação e sustentabilidade melhorando a nossa relação com o ambiente em que vivemos - Smart Living Challenge

No ano passado tive a oportunidade de participar de um evento incrível promovido pela embaixada da Suécia no mundo inteiro, que é o Smart Living Challenge. O Smart Living é um desafio que tem, nas palavras de Per-Arne Hjelmborn, embaixador da Suécia aqui no Brasil, o intuito de apoiar ações que inovem a forma como as pessoas se relacionam com seu entorno por meio de projetos de baixo custo e alto impacto no dia a dia de todos.

O Smart Living Challenge é baseado nos pilares EAT, LIVE, MOVE. No ano passado, no desafio que participei, a premissa foi EAT. E a ideia era trabalhar soluções voltadas para a redução de desperdício de alimentos. A proposta do meu grupo era a de um aplicativo que, através de algumas premissas que agora não lembro quais eram, auxiliava a redução de desperdício de alimentos em restaurantes.

Nesse ano, para o Brasil, o pilar a ser trabalhado é o MOVE. A proposta é reunir estudantes de graduação, professores do ensino superior e jovens profissionais das mais diversas áreas do conhecimento para trabalharem a questão da mobilidade sustentável dentro da UFRJ, no caso, o campus do Fundão.

Quem estuda ou trabalha na UFRJ nos últimos 10 anos, sabe o caos de trânsito que é nos horários de pico. Já teve dia de eu sair às cinco da tarde e chegar às oito em casa. E olha que não moro longe de lá e parte do meu trajeto é feito de metrô. Mas fico, fácil, uma hora parada na saída do Fundão. Parada mesmo. Pois bem, a ideia do desafio é que sejam apresentadas soluções para melhoria da mobilidade lá dentro e que este piloto possa vir a ser implantado na cidade do Rio de Janeiro ou qualquer outro lugar do mundo.

Para participar do concurso, os interessados devem enviar um email até o dia 31 de maio para Leandro.rocha@gov.se, com os seguintes tópicos: breve background acadêmico e profissional, sua motivação para se inscrever no desafio e sugestão de ideia para o projeto de mobilidade para a Cidade Universitária da UFRJ (em aproximadamente 15 linhas) e dados de contato, como telefone e e-mail.

Diferente do ano passado, onde o desafio foi global e até um vídeo em inglês tive de gravar no susto, o desafio desse ano vai selecionar seis ideias brasileiras e durante 11 semanas os escolhidos receberão tutoria da Hyper Island. Para quem não conhece, a Hyper Island é uma escola sueca especializada em capacitação de profissionais para inovação e mudanças nos negócios. Ou seja, tudo que eu amo. Aqui para eles: <3 <3 <3 <3

O júri do desafio é composto por arquitetos, empreendedores, professores e membros da Embaixada da Suécia e do Fundo Verde da UFRJ, que julgarão não só a ideia, mas também o perfil dos aplicantes. O anúncio dos selecionados será feito no dia 09/06, às 10h, no auditório do Parque Tecnológico da UFRJ.

Além da tutoria da Hyper Island, os selecionados participarão de workshops e conferências com a Cykelfrämjandet (The Swedish Cycle Advocacy Association), participantes do documentário ‘Bikes vs. Cars’, empreendedores e especialistas ligados à área de mobilidade, a fim de serem auxiliados no desenvolvimento do trabalho.

Uma informação importante é que, apesar de aberto a participantes de todo Brasil, por conta dos workshops e das conferências, é necessário a disponibilidade para realizar encontros semanais no Rio de Janeiro durante três meses, além, é claro, de fluência na língua inglesa. A menos que você fale sueco. Brincadeira. É inglês mesmo.

Em setembro, quando o programa for finalizado, haverá uma cerimônia de encerramento do desafio, com premiações e o projeto será apresentado à comissão organizadora no Brasil e enviado ao Swedish Institute, na Suécia, para ser preparado para exposição na COP 21, que acontecerá em Paris no final do ano.

Faltam só três dias, mas ainda dá tempo! Quem vamos participar levanta o braço!

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quinta-feira, 21 de maio de 2015

As dificuldades de se por em prática o consumo consciente

Um dia desses estava pensando na questão do consumo consciente. Não do ponto de vista do produto, do uso, do descarte, da cadeia produtiva, dos processos... mas do ponto de vista, digamos, filosófico.

Para a maioria das pessoas, consumir é um prazer, para alguns outros é uma válvula de escape. Para todos esses, o marketing é uma ferramenta poderosa. Na verdade, o marketing é uma ferramenta poderosa para qualquer pessoa. Mesmo aquelas que não encaram o consumo como um hábito, mas uma mera necessidade.

E é sobre isso que quero falar. E eu quero falar sobre mim. Não sou uma pessoa consumista. Não mesmo. E isso não tem nada a ver com a minha ligação com a sustentabilidade, mas com criação baseada em valores e nas próprias escolhas que fiz. E seria assim trabalhando em qualquer área que fosse. 

Por exemplo: não tenho carro. Primeiro, não o vejo como sinal de status. Segundo, não preciso. Para mim carro é só um meio de transporte que se torna inútil pelo fato de eu morar do lado de uma estação de metrô e trabalhar do lado de uma estação de metrô. Seria burrice e perda de dinheiro ter um. Não preciso ter 50 vestidos, 30 calças, 80 blusas. Só uso uma coisa de cada vez. E comprar para deixar guardado não é a minha vibe.

Quando se ganha pouco ou não se tem muito para gastar, manter uma disciplina de consumo consciente é fácil. Ou melhor, é obrigatório. Mas e quando não é o caso? Eu respondo: a pressão é enorme. E vem de todos os lados. Da publicidade, do marketing, dos amigos, da família, do banco...

Julianna, você tem um iPhone 4, por que não troca o seu celular? Para o que faço com celular, o que eu tenho me atende. Julianna, já te vi com essa roupa três vezes esse mês. Por que não renova o seu guarda roupa? Porque não comprei roupa para usar uma vez. Julianna, todos os seus amigos têm carro. Não acha que está na hora de comprar o seu? Minha vontade de ter carro é tanta que minha carteira está vencida há dois anos e não tenho a menor pretensão de renová-la.

Não, meus caros, não fiz voto de pobreza. Muito longe disso. E também não sofro nem sinto dor quando gasto dinheiro. Apenas não gasto se não houver necessidade. Isso deveria parecer simples, mas não é. Quando você tem dinheiro para gastar e não gasta, o mundo simplesmente não entende a sua opção.

Você tem um bom salário, você não tem dívidas, você tem dinheiro guardado no banco para todas as emergências e planos B possíveis. Você tem um patrimônio que julga necessário e mesmo assim o dinheiro sobra no final do mês. Mas você não se rende aos apelos do marketing, à sedução da publicidade, ao apelo do seu circulo de convívio, que acha você alternativo demais.

As pessoas acham que você não se diverte, que não tem vida social, que é uma pão dura contumaz e está deixando a vida passar. Como assim estou deixando a vida passar apenas porque optei por não ser consumista? Onde que comprar é aproveitar a vida? Pelo que eu me lembre, os melhores momentos da minha vida estão relacionados a experiências, não coisas. E nisso, meus caros, estou muito bem, obrigada!

Repito, não fiz voto de pobreza, mas escolhi não ser refém do dinheiro. E quando fiz essa opção, na verdade, me dei um passaporte para a liberdade. Porque ao não me guiar pelos hábitos de consumo que o mundo quer, não fico presa a um lugar, a um emprego frustrante e, muito menos, a pessoas entediantes. E mais do que pensar em menor impacto no meio ambiente ou responsabilidade financeira, digo que isso é sustentabilidade para a alma. Não é fácil, precisa de disciplina, mas recomendo a todos a tentativa.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Do greenwashing ao DNA verde: vídeo da palestra

Em outubro de 2013 apresentei uma palestra sobre sustentabilidade no Congresso de Ética nos Negócios, realizado aqui no Rio de Janeiro. Na ocasião, postei a apresentação no slideshare e no próprio blog.

Um dia desses, fazendo algumas buscas, me deparei com um link no Youtube que me levava para essa palestra. Lembrei que tinha autorizado a filmagem, mas como nunca me avisaram nada, não achei que ela estivesse disponível para o público. E tema foi justamente esse do título: do greenwashing ao DNA verde.

Durante a palestra abordo o conceito de sustentabilidade, cito alguns cases de greenwashing e vou a fundo em um case muito emblemático, que é o da Nike. De como ela saiu de um escândalo de reputação para usar a sustentabilidade como fonte de inovação da empresa. E porque quase ninguém conhece essa faceta da empresa, o que torna tudo ainda mais interessante.

Achei que se a palestra estava disponível na internet, perdida em um link do youtube, seria justo compartilhá-la com quem segue o blog, acompanha eventualmente os posts ou tem interesse no tema. Aproveito e coloco novamente a apresentação via slideshare para facilitar o acompanhamento.




Do greenwashing ao DNA verde from AS Estratégia


Quer levar palestras gratuitas de sustentabilidade para sua cidade / empresa / organização / universidade: http://goo.gl/WRt8EM