A sustentabilidade de hoje e a sustentabilidade de amanhã nas empresas

Como a visita à fábrica da Fiat me mostrou o compromisso de uma montadora com a sustentabilidade de agora e do futuro

A sustentabillidade no setor de gastronomia

A sustentabilidade além do desperdício de alimentos

O papel do goveno diante dos desastres ambientais no Brasil

Por que é mais vantajoso para as empresas correrem o risco de causarem um desastre ambiental do que cumprir as leis no Brasil?

segunda-feira, 2 de maio de 2016

A sustentabilidade de hoje e a sustentabilidade de amanhã nas empresas

Sustentabilidade é um processo de melhoria contínua.

Foi exatamente com essa frase que iniciei minha visita à Fábrica da Fiat em Betim, Minas Gerais, há duas semanas. Na ocasião participei do Circuito das Águas com o intuito de conhecer o programa que reutiliza impressionantes 99,4% da água da fábrica. A verdade é que aquela visita se mostrou muito além de uma empresa que faz excelente gestão de recursos hídricos. Falemos disso no decorrer do texto.

Em 2008, quando recém-saída da área de responsabilidade social e na transição para sustentabilidade, já batia na tecla de que sustentabilidade não era uma área isolada na empresa, mas um processo a ser trabalhado por todas as áreas. Inclusive, em 2012, escrevi um white paper sobre o assunto, que está disponibilizado em meu slideshare para quem se interessar: http://pt.slideshare.net/sustentavel1/sustentabilidade-30-email.

Mas de volta à visita à Fábrica da Fiat, antes de conhecer o processo de gestão de recursos hídricos, tive a oportunidade de visitar outros setores e verificar como cada área tem sua responsabilidade com metas de sustentabilidade. Para isso, há pontos focais que são responsáveis pela coleta e reporte dos indicadores, que são devidamente monitorados e controlados junto à área de meio ambiente.

Se pesarmos do ponto de vista de tempo presente, gestão da sustentabilidade dentro dos processos da empresa é o que tem de melhor a ser feito. E o mais interessante é que você empodera os colaboradores por não precisar ser da área de sustentabilidade para fazer sustentabilidade de verdade.

Então fui lá fazer o Circuito das Águas. Uma estação de tratamento moderníssima, com técnicas de tratamento super inovadoras. Não sou muito entendida da área, mas me chamou atenção a utilização do processo de osmose reversa. Graças a ele e ao sistema MBR, a Fiat saltou de 92% no reuso da água para 99,4% em 2010. E o que isso significa? Praticamente a eliminação da captação da água da rede pública e uma economia equivalente ao consumo de uma cidade de 30 mil habitantes!

Se não bastasse todo o encantamento que tive com os processos produtivos da Fiat e a sustentabilidade de hoje posta em prática em sua plenitude, veio a cerejinha do bolo. E aí meu olho brilhou de verdade: a visão de futuro.

Há um bom tempo venho batendo na tecla de que num futuro não tão longínquo, mais do que processos, a sustentabilidade vai impactar o modelo de negócios das empresas. Sem exceção, independente do setor. Umas vão sofrer mais, outras menos, mas todas sofrerão. E ai de quem não estiver preparada.

Pois bem, durante o almoço tive a oportunidade de conversar com um designer que trabalha na área de pesquisa da Fiat. Não, ele não é um designer que projeta carros mais eficientes, que consomem menos matéria prima ou carros mais leves que podem consumir menos combustível. Ele é um cara que trabalha na área de pesquisa tentando entender o comportamento das cidades daqui a 10, 20 anos e o papel do automóvel nesse novo cenário. Ou seja, a visão de futuro que uma montadora precisa ter.

Em cidades cada vez mais urbanizadas e inchadas, falar de sustentabilidade do setor automotivo apenas pela perspectiva de processos é falar basicamente da sustentabilidade de hoje. Mas acontece que o hoje já não é suficiente. Afinal, o que poderemos esperar a partir desse único olhar de sustentabilidade dentro de processos? Carros ultra eficientes gerando ecoengarrafamentos!

Pensar o papel do automóvel em cidades que caminham para o baixo carbono, pensar o papel do carro dentro de um contexto de transporte de alta capacidade ou de transportes não motorizados, pensar o papel do carro pela perspectiva dos seus impactos, sociais, ambientais e econômicos é fundamental.

Por isso, falar de sustentabilidade de uma empresa automobilística no longo prazo é ir muito além de processos; é falar da transição para uma empresa de mobilidade. Só que, somado a isso, é preciso não demonizar o automóvel, que tem papel importantíssimo dentro do sistema econômico dos países, principalmente de um país como o Brasil.

Assim, diante de uma visão bem ampla, saí da visita na fábrica da Fiat com a certeza de que, mais do que pensar em vilões, cabe a todo setor automobilístico contribuir para a construção e o planejamento de cidades melhores, onde carros, ônibus, três, metrôs e bicicletas e cidadãos caminham em perfeita harmonia.
  

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

A sustentabilidade no setor de gastronomia

Quando a gente fala de gastronomia sustentável, imediatamente pensamos em duas questões: desperdício de alimentos e alimentação saudável. Só que se restringir a essas duas questões é tratar de apenas uma parte da sustentabilidade. É preciso deixar claro que gastronomia não é só comida, mas um mercado inteiro que movimenta bilhões e emprega muitas pessoas.

No meu caso, quando falo de sustentabilidade no setor de gastronomia, trato de quatro pilares: meio físico, gestão, processos e produção.

O que seria meio físico? A construção, o espaço gastronômico, a infraestrutura desse espaço. Trocando em miúdos: a sustentabilidade na construção, na arquitetura, na escolha do mobiliário, na acessibilidade... De que adianta a pessoa ter uma série de preocupações sociais a e ambientais com o espaço, mas não torná-lo acessível a qualquer pessoa, independente de suas limitações físicas?

No caso da gestão, a sustentabilidade é aquilo que se trata em qualquer empresa. É o basicão de cumprimento de requisitos legais, é escolha de fornecedores que sejam sustentaveis, é o engajamento de clientes e funcionários em torno do tema, é a prática do preço justo, é o cuidado de oferecer uma gastronomia inclusiva, permitindo que uma pessoa com qualquer tipo de restrição alimentar possa frequentar o estabelecimento.

No pilar de processos sustentáveis, também é o que a gente trata em qualquer empresa. É o uso racional de recursos naturais no estabelecimento (aqui um processo linkado com o meio físico), é a redução de desperdício, é a reciclagem, é o descarte correto de resíduos, é a eficiência operacional, é a melhoria contínua dos processos...

Pausa: já repararam como num restaurante fast-food ou num restaurante que faz delivery, a quantidade de embalagem que é utilizada? Talvez individualmente não seja fácil perceber isso, mas experimenta pedir 50 refeições para entrega? Alguém teria alguma sugestão para minimizar esse impacto?

Por fim, a quarta etapa, a de produção, que é o coração do setor, é onde o alimento fica em evidência. Mas será que a sustentabilidade na produção se restringe unicamente ao alimento? Não senhoritos. Na verdade, os quatro pilares da sustentabilidade na gastronomia estão devidamente integrados.

A alimentação sustentável, não é só uma alimentação saudável; ela envolve toda uma cadeia. De que adianta falarmos, por exemplo, de alimentos orgânicos, se a logística é super complexa e suja? De que adianta se a gente acaba comprando de grandes players, sem ajudarmos a desenvolver a economia local? De que adianta falarmos de peixes saudáveis, se a origem é de pesca predatória? Se a gente não pensar em toda a cadeia, a alimentação saudável acaba sendo boa apenas para uma ponta. E isso não é sustentabilidade.

Mas além disso, a produção sustentável envolve respeito e valorização da cultura regional, mais uma vez, o cuidado com gastronomia inclusiva, o controle de qualidade e, é claro a questão crítica do desperdício de alimentos. Aqui, é fundamental se pensar na utilização plena dos produtos, capacitação para manuseio de forma que gere menos desperdício, porções que sejam suficientes para evitar sobras...

Aliás, tem um estudo do Senac Rio de 2014 sobre desperdício de alimentos em restaurantes comerciais na cidade do Rio que aponta que 80% dos resíduos são gerados na etapa de produção e que são desperdiçadas SEMANALMENTE quatro mil toneladas de alimentos pelos restaurantes cariocas.


Levando-se em consideração de que matéria prima corresponde a 30% do custo de um restaurante, faça a conta de quanto dinheiro é jogado no ralo diariamente pela falta de sustentabilidade só com a questão do desperdício.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

O papel do governo diante dos desastres ambientais no Brasil

Não sou muito entendida em legislação ambiental, mas sempre ouvi falar que as leis brasileiras para o meio ambiente são muito boas. Não sei o que exatamente isso significa, pois sou uma pessoa muito mais voltada para a prática do que a teoria. E a prática me diz que tem alguma coisa errada.

Em dois meses, vimos passivamente dois desastres, sendo um muito, muito grande e o outro muito, muito estranho. O rompimento da barreira de rejeitos lá em Mariana tem proporções catastróficas. Fala-se de multa de não sei quantos bilhões, mas a verdade é que o que aparece na mídia é a população e o meio ambiente jogados ao relento enquanto empresa e governo decidem o que vai ser feito. Dois meses e, sequer, se sabem a causa do rompimento.

Há pouco mais de dez dias, uma nuvem tóxica pairou sobre o céu do Guarujá por conta de um vazamento de gás ocorrido em contêineres da empresa Localfrio, intoxicando não sei quantas pessoas e levando à morte uma idosa que morava próximo ao local. A empresa diz que o problema ocorreu por conta da água da chuva que entrou dentro dos contêineres, como se chover fosse algo tão raro que não devesse entrar no planejamento de risco da empresa.

A lama da Samarco e a nuvem tóxica da Localfrio são dois casos recentes. Mas problemas ambientais ocorrem aos montes no Brasil. E aí pergunto, cadê a legislação brasileira que é muito boa? Não sei dizer o volume de dinheiro que o IBAMA e os órgãos competentes já aplicaram em multa, mas pergunto: quanto, efetivamente foi pago? Também não sei dizer quanto, mas digo com absoluta certeza que foi uma ninharia.

Tem um caso muito marcante para mim que sempre cito em minhas palestras e cursos por aí. Não sei se lembram, mas em 2011/2012 a Chevron foi responsável por dois acidentes que geraram vazamento de petróleo no Campo de Frade, em Campos. Na ocasião a Chevron demorou alguns dias para perceber o vazamento, além de utilizar técnicas inadequadas de contingenciamento. O caso ainda está em trâmite na justiça. Mais de quatro anos depois.

Mas enfim, por que a história da Chevron me chamou tanta atenção? Por causa dessa notícia...

Link para a matéria: http://g1.globo.com/brasil/noticia/2011/11/chevron-espera-que-anp-reconsidere-punicao.html
Entenderam a posição da Chevron em relação ao acidente? Ela provoca um desastre ambiental, a ANP quer cassar a licença por isso e como resposta ela ameaça tirar investimentos. Fizeram alguma analogia com os acordos de leniência que o governo quer fazer com as empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato a título de minimizar o impacto na economia?

Aliás, por um acaso, alguém se lembra do Prefeito de Mariana, o mesmo que foi chorar pitanga na COP-21 enquanto o desastre estava no auge, falando em entrevista para a TV logo após o rompimento da barreira, que mesmo com todo o ocorrido, a Samarco era uma empresa fundamental ao município, já que 80% da arrecadação da cidade vinha de atividades de mineração?

Alguém aqui se lembra do escândalo contábil da Enron, em 2001, que com o aval da Arthur Andersen criou relatórios fictícios para manipular o preço de suas ações? Além do corpo executivo de ambas empresas terem sido presos, as empresas foram dizimadas do mercado. Perceberam a diferença de postura?

De que adianta termos uma legislação ambiental restritiva, de termos um processo de licenciamento que pede até a alma da mãe dos envolvidos, se o governo é leniente com as empresas, perdoam multas, não punem apropriadamente e pior, sequer fiscalizam? Será que no desastre de Mariana não teve nenhum técnico do governo que não tenha visto que as barreiras estavam com problema? Isso simplesmente não acontece de um dia para o outro!

A questão é que de nada resolve termos coisas bonitinhas no papel. Enquanto a prática não for levada a sério, as empresas vão continuar correndo os riscos, pois é mais barato deixar o problema acontecer do que fazer a coisa certa desde o início. A nossa justiça é lenta, é mãezona e os próprios órgãos públicos competentes costumam relevar tudo e além de fazerem vista grossa aos problemas evidentes.

E enquanto isso a população impactada e o meio ambiente padecem.

** Editando **: Parece que foi combinado, mas só depois de ter escrito é que vi essa matéria, que só corrobora o texto acima:

http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2016/01/vale-recebeu-19-multas-no-es-em-15-anos-e-nao-pagou-nenhuma.html

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Palestras de sustentabilidade via Periscope

Desde que voltei com as palestras de sustentabilidade, muita gente tem me perguntado se há a possibilidade de eu transmiti-las online. Na verdade, isso era uma demanda que eu já tinha desde que criei o H2 Sustentável em 2011 e pessoas de fora do Rio queriam participar. Nunca dei cabo dessa demanda pois imaginava que para isso fosse necessária uma megaestrutura, com câmera, luz, áudio, link de transmissão e bla bla bla.

Desconectada como sou, nunca passou pela minha cabeça que poderia haver um aplicativo que fizesse transmissão de eventos online. Eis que então descubro (quando todo mundo já estava careca de saber, obviamente) o Periscope, um aplicativo do Twitter, que permite que a pessoa faça transmissões para seus seguidores.

E aí pensei: por que não usar a ferramenta para atender um pedido que as pessoas me fazem há tempos, disseminando ainda mais o conteúdo de sustentabilidade e gerando um alcance maior do que as palestras físicas?

Com base nessas premissas, criei um canal no Periscope e a partir da última semana de fevereiro farei transmissões mensais de palestras de sustentabilidade. Como a dinâmica do aplicativo não permite muita frufruzice (já que ele só dá para transmitir por celular), a ideia é que eu faça a palestra sem mostrar os slides, que depois, caso os participantes tenham interesse, podem ser enviados por email. Informando que ela fica disponível no aplicativo por 24 horas!

Enfim, no post onde falo especificamente das palestras, explico tintim por tintim o porquê de fazer isso. Quem quiser dar uma olhada nas razões, é só clicar aqui. E nada mais justo que, havendo a oportunidade, eu possa falar sobre sustentabilidade para pessoas que não estejam fisicamente perto de mim.

Resumindo: para acompanhar as palestras, é necessário que vocês tenham o Periscope instalado no celular de vocês (tentei baixa-lo no tablet e não foi possível) e me sigam por lá. É o mesmo perfil do Twitter: @sustentavell (com dois L). Ainda vou definir data e horário certinhos, mas a ideia é criar uma rotina de palestras, sempre no mesmo dia e no mesmo horário. Aviso aqui e pelas redes sociais (Twitter // Facebook// Linkedin) quando tiver as informações fechadas.

Ao menos o tema da primeira palestra já está definido: A sustentabilidade e as armadilhas do greenwashing.

Vou procurar abordar nesse formato temas de grande apelo como marketing e sustentabilidade, comunicação e sustentabilidade, gestão sustentável e afins... tenho outros temas em mente, mas também gostaria de saber a sugestão de vocês. Então, mãos à obra e deixem seus comentários dizendo se curtiram ou não, se vão participar e os temas que vocês gostariam que fossem debatidos.


terça-feira, 19 de janeiro de 2016

O que significa para o Brasil, para a Petrobras e para a sustentabilidade o petróleo barato?

Eis que o preço do barril de petróleo chegou a menos de 30 dólares. Apesar de o plano de negócios da Petrobras, lançado na semana passada, projetar 45 dólares para o barril no futuro, a verdade é que não há projeção alguma de alta para os próximos anos. Pelo contrário, com a volta do Irã para o jogo, o preço tende a cair ainda mais.

Mas o que isso significa do ponto de vista da sustentabilidade?

No início do ano passado, quando o preço do barril começou a cair de vez, escrevi sobre o impacto que isso teria nos investimentos em biocombustíveis, que, por uma série de fatores como lobby da indústria de óleo e gás, falta de criação de mercado, falta de regulamentação governamental e afins, ainda é mais caro que a energia suja. Quando escrevi esse texto, o barril custava por volta de 60 dólares.

Mas agora o petróleo está num preço que, dependendo do tipo de exploração, pode torná-lo inviável. E mesmo nas regiões onde ele ainda é encontrado em abundância, torna-se desvantajoso porque a lucratividade é baixa. Lembrando que nos países do Oriente Médio, a economia é basicamente toda voltada para o petróleo e para o funcionalismo público. Que é mantido às custas do petróleo, obviamente. Sem contar a queda mundial de demanda, capitaneada pela China.

Falemos de Brasil. Nossa outrora maior empresa fez em 2007 a descoberta do tal campo de Libra, amplamente divulgado pelo governo como a salvação da pátria, nossa carta de alforria energética diante de um mundo capitalista e opressor. Pois bem, eis que o governo demorou seis anos para fazer o leilão dos poços, quando o petróleo já começava a ter instabilidade de preço para baixo e o shale dava sinais de vida.

Para quem não conhece o processo de exploração de petróleo em pré-sal, digo que ele é bem complexo e bem caro, bem mais caro que as técnicas comuns de exploração. Para ele ser viável, o preço do barril tem de estar, geralmente, entre 60 e 80 dólares. Coisa completamente irreal para um futuro de curto, médio e, mesmo, longo prazo.

Ok, pré-sal não rola. Partiu plano B. Que plano B, minha gente? Historicamente a Petrobras mantém uma média de 2% em pesquisa e desenvolvimento para energia limpa. Não sei se sabem, mas a nossa melhor alternativa ao combustível derivado de petróleo, o etanol de cana, teve sua indústria pouco a pouco detonada e só não fechou totalmente as portas porque o governo aumentou o teor de álcool na composição da gasolina.

Cadê o nosso mercado para biocombustível de segunda geração? Temos? Alguém conhece alguma usina que utilize o bagaço da cana para fazer etanol? Conheço uma só. E convenhamos, etanol de cana, de milho de óleo de palma, de qualquer vegetal é tão old school e tão pouco sustentável...

O governo apostou todas as fichas num modelo energético em que todos os países desenvolvidos vêm tentando há tempos se desvencilhar, ainda que o lobby para o petróleo seja pesado. Tirando o etanol, que nem é a melhor opção econômica para o consumidor nos dias de hoje, o que temos de efetivo em relação a combustíveis limpos? Biomassa? Hidrogênio? Algas? Não temos nada.

E aí, qual será a saída? Importarmos 100% do petróleo a 20 e poucos dólares o barril e largamos de vez os combustíveis limpos? Ou invertemos a ordem dos 98/2 de investimento que a Petrobras vem fazendo há anos?


Num cenário apocalíptico, pergunto: dá tempo? Ou caso a era do petróleo tenha finalmente chegado ao fim, estaremos relegados a duas opções: transformar o país numa imensa plantação de cana ou sermos obrigados, mais uma vez, a importar combustível ou tecnologia de países desenvolvidos.