Empreendedorismo, sustentabilidade, voluntariado

Qual a relação entre empreendedorismo, sustentabilidade e voluntariado?

Assista a palestra sobre novas economias, sustentabilidade e TI

Assista, comente e compartilhe a palestra dada no Rio Info 2016

A sustentabilidade do ponto de vista da cultura

O que significa valorizar aspectos culturais dentro de uma empresa e a sua importância para a sustentabilidade

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Empreendedorismo, sustentabilidade, voluntariado

Quem me conhece sabe que sou uma grande entusiasta do empreendedorismo. Eu sou empreendedora. Há muito tempo. Do tempo em que empreender não estava na moda. Do tempo em que a família sonhava com um concurso público para mim (ok, isso ainda não mudou). De um tempo em que o ambiente era muito, mas muito mais hostil com empreendedores do que agora.

Tive de desbravar muitos caminhos, tipo, faca nos dentes e sangue nos olhos (ok, isso também não mudou). O empreendedorismo que aprendi não tinha nada a ver com canvas, com validação, com lean startup... era aquele modelo veeeeeelho de se ver as coisas e fazer negócios. Velharia do século passado que aprendi nesse século mesmo (e tem gente que continua aprendendo assim!)

Mas fui seguindo com a cara e com a coragem, onde dei muito mais com a cara na porta do que obtive sucesso. Quando comecei não existia redes de empreendedorismo, grupos no Facebook, não existia o que a galera de hoje chama de ecossistema empreendedor, meetups, coachings e afins. Mas mesmo assim fui. E cansei muitas vezes. E continuei indo. E de vez em quando eu canso de novo. Faz parte, é do jogo.

Inserindo a questão da sustentabilidade, podemos pensar o empreendedorismo a partir de várias perspectivas. Produto sustentável (apesar de a frase mais perfeita que li foi: não tem como uma empresa marrom fazer um produto verde), processos sustentáveis, administração sustentável, planejamento sustentável... mas somado a isso, há uma função social do empreendedorismo que hoje, num país imerso em crise como o Brasil, é fundamental.

Seja por necessidade, seja por vocação, o brasileiro é um ser empreendedor. Só que na maioria das vezes, ele empreende com muito pouca qualificação. E não raro quebra a cara por isso. Não que seja preciso ser um exímio conhecedor de planejamento estratégico (aliás, no modelo de empreendedorismo atual, isso é o que menos importa. O lance agora é, basicamente, construir, medir, aprender), mas há casos em que falta o conhecimento básico de administração, há casos em que se constrói algo sem saber se o mercado quer aquilo ou pagaria por aquilo, há casos em que só falta um empurrãozinho para que uma ideia se torne realidade.

Pausa.

Pensemos na questão de gênero. Questão de gênero e empreendedorismo.

Não sou feminista. Longe disso. Talvez por não deixar que o fato de ser mulher me impeça de fazer o que eu quiser e ser desbocada e desaforada demais quando alguém ousa achar que o fato de eu ser mulher me desqualifica para alguma coisa. Mas sei que sou exceção. E sei que o ambiente empreendedor atual é relativamente hostil com a mulher, ainda mais se estivermos falando do ambiente de startups, que é machista até dizer chega.

A mulher empreende por diversas razões. Algumas iguais aos motivos dos homens, como vocação, desemprego, oportunidade de investimento. Outras por razões quase que exclusivas a elas, como a maternidade ou mais tempo para cuidar da família. Enfim, já enrolei demais para contar uma coisa bem legal cuja informação central vai ocupar não mais que um parágrafo.

A Brunna, minha amiga, igualmente entusiasta de empreendedorismo, criou um projeto chamado 300 mulheres e me chamou para fazer parte. O que é isso? É um projeto voluntário, onde, junto com a Monique, da Tagarela, e outra empreendedora entusiasta, auxiliamos mulheres que queiram empreender através de consultorias por Skype com 1h de duração.

Os temas disponíveis são (em ordem alfabética):

Comunicação para negócios
Inovação
Modelagem de negócios
Negócios e gestão de empresas
Sustentabilidade corporativa

Com exceção de comunicação para negócios, dou pitaco em qualquer tema, mas asseguro a qualidade tanto da Bruna, quanto da Monique. Então, se você é mulher, já é empreendedora ou quer empreender, quem sabe este seja um empurrãozinho que pode te ajudar a tirar um projeto do papel ou melhorar  de alguma forma o seu negócio?
Para isto, curta a página do projeto no Facebook: https://www.facebook.com/300mulheres e agende o seu horário.

Lembrando que esta consultoria de 60 minutos é completamente gratuita e estamos disponibilizando o nosso tempo para ajudar mulheres a percorrer este longo, muitas vezes árduo, mas certamente prazeroso caminho do empreendedorismo.

Homens, compartilhem com suas namoradas/esposas, mães, irmãs, filhas, amigas. Empreendedorismo muda o mundo!


** Aproveite e conheça também o projeto de palestras gratuitas de sustentabilidade: http://bit.ly/2a3tSbv 

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Palestra sobre novas economias, sustentabilidade e TI

Vídeo da palestra transmitida no dia 05/07 na Rio Info 2016 sobre Novas economias, sustentabilidade e TI:

quinta-feira, 30 de junho de 2016

A sustentabilidade do ponto de vista da cultura

Antes de começar o texto, alinhemos expectativa. Quando falo de cultura, não falo de artes, mas de identidade cultural, comportamento de determinada população em determinado local. Ok, comecemos.

Quem trabalha em empresa, seja empresa grande, seja startup, está acostumado a ouvir sobre a importância da cultura empresarial. Eu mesma já saí de empresa quando vi que meus valores eram antagônicos aos valores dela (não aqueles bonitinhos que aparecem no site, mas o valor de dia a dia de trabalho).

Quando a gente fala das multinacionais, uma das grandes dificuldades é manter a unidade cultural nos mais diversos países em que a empresa atua e entender que muitas vezes ela terá de se adaptar. Imagina que cada lugar onde a empresa atua possui um perfil diferente. E quando a cultura local é forte e motivo de orgulho para uma população? Como manter uma identidade organizacional ao mesmo tempo em que tem de valorizar as características regionais de um lugar? Vou mais além: o que isso significa em termos de impacto para as empresas?

Quem se lembra quando o Walmart entrou no Brasil e era possível encontrar nas  lojas botas de ski e tacos de golfe? Quem se lembra das matérias que saiu há alguns anos  relaando o choque cultural quando a InBev comprou a Anheuser-Busch, conhecida pela forte ligação com a cidade de Saint Louis?

Seja do ponto de vista do cliente, seja do ponto de vista do funcionário, a cultura local não é algo que se possa deixar de lado. Se a empresa der de ombros para isso, ela deixa de ter a tal “licença social” para operar. E isso custa muito caro.

Pensando no Brasil, um dos estados que mais valoriza a cultura local é, sem dúvidas, Pernambuco. E foi lá na cidade pernambucana de Goiana que visitei a Fábrica da Jeep (que produz o Jeep Renegade e o Fiat Toro) no início do mês.

Quem acompanha o blog, sabe que em abril fui visitar a unidade da Fiat em Betim e ver como funciona a sustentabilidade no processo produtivo da fábrica. Na visita a Goiana, pude verificar que a cultura organizacional que vi em Betim se mantém. E para a sustentabilidade, manter a cultura organizacional é fundamental.

A base para a sustentabilidade corporativa é processo e melhoria contínua. Por conta disso, um padrão, independente das fronteiras, é a garantia de que ela não só é um valor para a empresa, como uma ferramenta de planejamento e gestão. E a visita a Goiana só confirmou o que eu já sabia. É uma sustentabilidade super moderna, de fazer os olhos brilharem.

Mas como se processos e melhoria contínua não fossem suficientes, tem um lado da sustentabilidade da Fiat muito sutil que, acredito, passa despercebido ao grande olhar. E é o que no final acaba diferenciando uma empresa tradicional para uma empresa do futuro. Conforme falei no texto sobre Betim, me chamou atenção a visão da Fiat de ir além de uma montadora, pensando sob a perspectiva da mobilidade. Somado a isso, pude conhecer um lado que pode parecer bobo num primeiro momento, mas que na soma final faz toda a diferença. 


A fábrica da Jeep em Goiana foi construída numa região onde antes a economia era baseada em plantação de cana. Quem conhece a cadeia produtiva de cana, sabe como ela, muitas vezes, é degradante para a ponta final, ou seja, para quem faz a colheita. Não raro há trabalho infantil e trabalho análogo ao escravo.

Aí a Fiat vai lá e inicia a construção de uma fábrica gigantesca. Não só por questões legais, mas também por questões de cultura organizacional e da “licença social” para operar, ela contratou mão de obra local para a construção. Acontece que o cenário era que ela tinha à disposição era a de mão de obra qualificada para, basicamente, cortar cana.

E então a Fiat/seus fornecedores capacitou uma mão de obra calejada dos canaviais a uma nova profissão. E a fábrica foi construída. Uma vez construída, precisava-se de mão de obra para operar a fábrica. E novamente a Fiat/seus fornecedores formou dentro da região a mão de obra necessária. Ou seja, um legado para Goiana e seu entorno.

Se não bastasse a verdadeira transformação social da região que a Fiat ajudou a promover, tem a cereja do bolo que vem em forma de valorização da cultura local, que é algo intangível, mas que ajuda a manter o bom clima organizacional, que impacta no turnover da empresa, na gestão do conhecimento, na performance dos funcionários etc etc etc. E deixo para vocês algumas fotos que tirei para tentar retratar em imagem algo que simplesmente não se mede.


 

Meus filhos, se vocês não chamam isso de sustentabilidade, podem deixar que eu chamo!

terça-feira, 21 de junho de 2016

Negócios sociais x empreendedorismo sustentável

Falar de negócios sociais já não é algo estranho para o público médio. O tema é recorrente em publicações, na TV, nas universidades e já tem até curso sobre isso. Mas diferente do que grande parte do público médio imagina, negócios sociais e empreendedorismo sustentável são coisas diferentes, apesar de estarem interligados.

Há alguns bons anos, quando o chamado negócio social começava a despontar, ele, sequer, tinha esse nome. Era chamado de setor 2,5 ou quatro setor. Inclusive falei sobre isso em outra oportunidade. Agora, confesso, há uma glamourização, uma goumertização e todo mundo quer ter um negócio social. É bonito, a gente ganha um quinhão no céu e o lucro deixa de ser demonizado. Porque se gerar valor, o lucro está liberado!

Enfim, não entrarei muito na questão filosófica que cerca os negócios sociais, mas o fato é que tem muita gente acha que isso é sustentabilidade. Não, não é. Ou melhor, não necessariamente. Grosso modo, os negócios sociais são um setor onde as organizações possuem fins lucrativos, mas atuam voltadas para uma causa. Aí que entra o conceito de “geração de valor” (frisando que gerar valor não é exclusivo de negócios sociais, mas isso é papo para outro post).

Por exemplo: uma organização voltada para alimentação saudável que trabalha no desenvolvimento de cooperativas de agricultura orgânica. Uma empresa que trabalha com produtos ou soluções voltadas para o empoderamento feminino. Ou uma solução tecnológica para dar voz ao cidadão em relação a questões governamentais.

Para quem tem interesse em negócios sociais, um bom lugar para começar a se inteirar sobre o assunto é o Social Good Brasil, uma organização cujo propósito é disseminar e incentivar o uso das novas tecnologias e mídias sociais para enfrentar os grandes problemas mundiais.

Mas Julianna, se isso não é empreendedorismo sustentável, o que é então?

Deixando claro: todo negócio social é, potencialmente, um empreendimento sustentável. Nem todo empreendimento sustentável é um negócio social.

Quando falamos de empreendedorismo sustentável, não estamos falando das causas que motivam as empresas a surgirem, nem dos problemas socioambientais que elas querem resolver, mas de como a sustentabilidade atua no modelo de gestão da empresa, nos processos operacionais, nos processos de negócio, no planejamento, no produto.

Por exemplo: uma pessoa que resolve abrir uma empresa de entregas que só funciona com bicicletas, é um empreendimento sustentável sem ser um negócio social. Ou um restaurante que só utiliza legumes, verduras e frutas de agricultura familiar. Ou uma empresa que utiliza a economia circular para gerar zero resíduo em sua produção (pelo amor de Deus, isso é bem diferente de fazer coleta seletiva e se achar no direito de dizer que é um empreendimento sustentável!)

Lembrando que não basta uma ação ou um processo específico para o empreendimento ser sustentável. É preciso que a sustentabilidade esteja inserida dentro de uma visão sistêmica e integrada à gestão. E lembrando, também, que atuando ou não em uma causa, seja um negócio que vai transformar o mundo ou apenas mais um negócio no bairro, o empreendedorismo, social ou sustentável, é fundamental para o bom funcionamento de qualquer sociedade.



*** O anúncio dos ganhadores dos ingressos para o Rio Info encontra-se na página do blog no Facebook: https://www.facebook.com/asestrategia

terça-feira, 14 de junho de 2016

Economia colaborativa, economia circular, sustentabilidade e TI... palestra e sorteio de convites para o Rio Info 2016

No próximo dia 05 de julho, uma terça-feira, estarei palestrando no Rio Info 2016, o principal evento dedicado à Tecnologia da Informação do Estado do Rio de Janeiro e que caminha para sua 14ª edição. O Rio Info desse ano será no Centro de Convenções Sul América, na Cidade Nova. Suuuuuper bem localizado. 

Mas Julianna, o que sustentabilidade tem a ver com TI? Tudo, meus queridos.

Tecnologia ajuda a otimizar processos. Isso faz com que se consuma menos recursos naturais, que haja menos desperdício, menos resíduos. Tecnologia ajuda a monitorar e controlar indicadores de sustentabilidade tanto na empresa, quanto nos fornecedores. Tecnologia anda do lado da inovação, que junto com a sustentabilidade estão mudando a economia, a administração, o consumo, a forma de se viver em uma cidade.

Economia compartilhada, economia de baixo carbono, economia circular... tem como dissociar tecnologia, inovação e sustentabilidade do futuro?

Mas enfim, sobre o Rio Info, no dia 05 farei uma palestra na parte da manhã dentro do Painel Temático Mundo 3.0. Na ocasião falarei sobre a importância da TI para a economia circular, para a economia colaborativa e para a sustentabilidade. Na parte da tarde participarei de um debate junto ao meu querido amigo Paulo e à Cora Rónai sobre o mobile nosso de cada dia.

Vira e mexe tem sempre alguém que me pergunta quando haverá um evento aberto onde possa me ver palestrando. A resposta: Rio Info 2016! Ah, Julianna, mas o Rio Info é um evento pago, tô com grana curta, o Brasil tá em crise...

Calma, meus queridos, tenho uma notícia legal. Vou sortear dois convites para o evento às pessoas que seguem a página do blog nas redes sociais. Só informando que mesmo a minha palestra sendo no dia 05, o convite vale para os três dias de evento (04 a 06 de julho).

Vai funcionar assim: vou colocar um post no Facebook e um post no Twitter sobre o evento. Quem curtir a página ou seguir o perfil no Twitter e compartilhar o post até o dia 20/06, estará, automaticamente, concorrendo a um convite. Será sorteado um convite em cada rede social. Repetindo, só vai concorrer quem compartilhar E curtir no Facebook ou seguir no Twitter.

Os vencedores serão anunciados no dia 21/06

Para quem ainda não sabe o endereço, segue o link dos perfis: