terça-feira, 9 de março de 2010

A Agência de Sustentabilidade

Hoje farei um especial. Especial pois escreverei sobre uma empresa cujo único negócio é a sustentabilidade. Empresa esta, a minha, que começou a ser idealizada no início de 2009, ganhou impulso depois desse blog ser criado e se tornou o primeiro caso de parto “posmaturo”, já que deveria ter vindo ao mundo em dezembro. Que fique claro, percalços da burocracia brasileira adiaram esse nascimento. Enfim, estou falando da Agência de Sustentabilidade.

A Agência nasceu com um grande desafio e uma baita responsabilidade: mudar o mundo. E a forma mais “simples” que encontramos para isso acontecer foi através da elaboração e implementação de projetos de sustentabilidade no nível estratégico das empresas. Esse escopo de atuação é, inclusive, o nosso maior diferencial, pois tira o caráter reativo e a visão de custo que a responsabilidade social tem, já que, atuando estrategicamente, a sustentabilidade é encarada como investimento, sendo capaz de aumentar valor de marca e gerar lucro em médio e longo prazo. Além, é claro, de se fazer o que é certo!

Nós atuamos num contexto que estimula, antes de qualquer coisa, a transformação de valores e comportamentos das pessoas. Agimos assim pois não acreditamos que basta uma empresa “comprar” a ideia se seus colaboradores não abraçarem a causa. Além disso, atuamos de forma que a implementação dos projetos não funcione como uma medida meramente paliativa do nosso cliente com a sociedade ou o meio ambiente.

Todos os projetos da Agência possuem o viés da sustentabilidade. Até os que, classicamente, são filantrópicos, como o voluntariado empresarial. Neste programa, inclusive, a metodologia utilizada permite que os colaboradores doem performance a instituições sociais e ao mesmo tempo desenvolvam outras habilidades possíveis de serem aplicadas ao negócio. Bom para as empresas, bom para as instituições sociais e bom para os colaboradores.

Junto da consultoria estratégica, atuamos, também, em outras cinco frentes de trabalho: elaboração de projetos para o 3º setor, gestão de conteúdo, eventos, palestras e curso para pessoas físicas. Na atuação com o terceiro setor, ao aplicarmos conceitos de sustentabilidade, potencializamos a captação de recursos privados, uma vez que a formatação dos projetos está de acordo com padrões do mundo corporativo e alinhada ao negócio das empresas que as instituições sociais prospectam.

Na parte de eventos, mais uma inovação: utilizamos como ferramenta a novíssima BS 8901, um sistema de gestão de sustentabilidade em eventos criado pela British Standards Institution para os Jogos Olímpicos de Londres. Fazemos, ainda, palestras sobre sustentabilidade em todo país, além de termos desenvolvido um curso de introdução à sustentabilidade corporativa recheado de cases que proporciona às pessoas uma visão prática de como funciona este processo dentro das empresas.

Mas enfim, chega de jabá. Convido todos os leitores do blog a conhecerem um pouco mais sobre a Agência de Sustentabilidade, entender o que fazemos e ajudar-nos a divulgar a empresa. O site é: www.agenciadesustentabilidade.com.br Ah, e quem tiver interesse em atuar na área, seja profissional ou estudante, e se identificou com a nossa proposta, estamos montando um banco de currículos para futuros projetos.

quinta-feira, 4 de março de 2010

O que você faria com muitos torpedos?

Quando tratamos de sustentabilidade corporativa, a maioria dos projetos é de ordem interna, focando, principalmente na sustentabilidade e melhoria dos processos ou projetos de relacionamento com comunidades de seu entorno. Alguns radicais criticam empresas que fazem projetos que envolvem o consumidor, alegando que tudo não passa de jogada de marketing.

É claro que os projetos internos é o grande mote da sustentabilidade, mas vamos usar o bom senso: o marketing é um processo de negócio, certo? A função dele é disseminar ao consumidor a marca através de uma série de ferramentas, campanhas e ações, certo? Quando falamos de marketing e sustentabilidade temos duas frentes de trabalho: uma interna, que é conduzir a área de forma sustentável e uma externa, que é o chamado marketing de causa. Para encerrar: é um processo de negócio e lida com os consumidores. Sejam quais forem as motivações, o que me importa é a aplicação do conceito de sustentabilidade na área. Fim.

A introdução foi para falar de uma ação da Vivo que está rolando e cujo objetivo final é o reflorestamento de mata nativa. A promoção é veiculada ao Twitter, onde os usuários da rede devem responder à seguinte pergunta: O que você faria com muitos torpedos? A resposta deve vir acompanhada da tag #oquevcfaria e elas passarão por moderação. Os tweets aprovados serão publicados no site da campanha: http://www.vivo.com.br/oquevcfaria.

A responsabilidade da Vivo na ação é que, em parceria com o Instituto Ipê, ela vai reflorestar 1m² de mata nativa para cada resposta postada no Twitter. A promoção ficará vigente até o dia 10 de março, ou seja, daqui a cinco dias. Reforço que só serão computados os tweets que utilizarem a tag #oquevcfaria e que responderem à pergunta. Não vale retweets.

No site na campanha é disponibilizado um vídeo muito interessante, que remete à ideia de crowdsourcing e de como a tecnologia facilita ações desse tipo. Lembrando que o business da Vivo é justamente telecomunicações, a ação deixa de ter caráter meramente filantrópico. E é interessante também porque dá um exemplo de como atitudes simples podem, efetivamente, mudar o rumo das situações.

Resumindo: a responsabilidade por esse reflorestamento também é nossa. Sendo assim, convido todos participem da campanha, já que não custa nada, e é uma forma que a população tem de fazer uma boa ação sem a desculpa de falta de tempo, de algo trabalhoso, oneroso ou complexo.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Case 8 – Grupo Abril / Promoção Sonhar Acordado

É muito comum, e acho que já disse isso aqui, que quando pensamos em sustentabilidade corporativa, nos venha à mente projetos mirabolantes de green supply chain, R&D ou qualquer outro processo de negócio. Esse pensamento, por vezes, acaba afastando as empresas menores de um comportamento mais sustentável, pois estas imaginam que o custo seja alto e a implementação complexa demais.

É claro que, em um primeiro momento, sustentabilidade gera custo. Custo este que é perfeitamente recuperável quando um processo se torna mais eficiente ou quando os colaboradores se comprometem com a causa. O grande indicador de sucesso de projetos de sustentabilidade corporativa tem a ver justamente com a aceitação do público interno, independente do seu custo e/ou da complexidade.

Lendo sobre as ações do Grupo Abril, uma empresa enorme, com mais de oito mil funcionários, me encantou como ações simples podem ser altamente impactantes e gerar grande economia. Uma delas foi a subtituição dos papéis A4 utilizados nas impressoras e copiadoras, 100% produzidos a partir das árvores de eucalipto, por papéis compostos de 70% do bagaço da cana-de-açúcar e 30% dos eucaliptos. Tendo exatamente o mesmo custo de antes, ao optar pelo modelo ecológico, a empresa deixará de derrubar cerca de 540 árvores por ano.

Outro projeto muito interessante conduzido pelo Grupo Abril diz respeito à redução do consumo de energia no principal prédio da empresa, o NEA (Novo Edifício Abril), que concentra as redações de todas as publicações da editora, a diretoria, a área administrativa e comercial, circulando, diariamente, mais de 2800 funcionários. A ideia é bem simples e consiste em reduzir em 50% o número de lâmpadas acesas no prédio durante o horário de almoço. Na primeira fase, a campanha gerou economia de 3% no consumo e a estimativa é que o número dobre nos próximos meses.

Além desses projetos super fáceis de serem implementados, há uma série de outra>iniciativas que permeiam a sustentabilidade do Grupo Abril. Do ponto de vista interno, uma das ações mais expressivas é o inventário de emissões de gases do efeito estufa, cujo piloto aconteceu no ano passado. A partir do inventário, a Abril mapeou seus processos e pôde identificar os mais impactantes, bem como buscar formas de mitigá-los e/ou minimizá-los.

Do ponto de vista externo, há uma série de ações muito relevantes para a sociedade, ainda mais se levarmos em conta que se trata de uma empresa de comunicação formadora de opinião. Um dos principais expoentes foi a criação da Fundação Victor Civita, que tem como missão contribuir para a melhoria da educação básica no país. Seguindo essa linha, a editora publica a revista Nova Escola, que vem a ser a maior revista de educação no país e a segunda de maior circulação do Grupo.

O Grupo Abril há mais de 20 anos vem se preocupando com a questão da sustentabilidade. Poderia ainda escrever sobre muitos projetos, mas o texto ficaria longo e cansativo. Encurtando o assunto, quem se interessar em conhecer mais sobre as ações da empresa, basta acessar: http://planetasustentavel.abril.com.br/grupoabril

E o vencedor da Promoção Sonhar Acordado foi o Matheus Braz, que sugeriu esse super case para o blog. Matheus, mande seu endereço para o e-mail do blog para que eu possa enviar o livro para a sua residência. E parabéns, tenho certeza de que vai gostar muito do livro!

Obrigada a todos que participaram. Recebi sugestões muito legais que pretendo aproveitar no futuro. E aguardem as novas promoções!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Case 7 – Banco Real / Microcrédito

Uma das ações de responsabilidade social que mais gosto é a do microcrédito. E quando ela vem chancelada por um grande banco, é sustentabilidade pura, já que, lucrando muito ou lucrando pouco, eles ganham. Afinal, alguém aqui já viu banco perder alguma coisa? Enfim, um case de sucesso sobre isso no Brasil é o Real Microcrédito, do Banco Real, que desde 2002 oferece empréstimos à população de baixa renda com o objetivo de viabilizar ações empreendedoras para esse segmento.

Inspirado na experiência de Muhammad Yunus, executivos do Real criaram em 2001 um comitê para estudar a viabilidade de se implementar o microcrédito pelo banco. Em 2002, em parceria com a Acción Internacional, organização sem fins lucrativos que oferece ferramentas financeiras a microempresários, a favela de Heliópolis foi escolhida para o projeto piloto.

Instalado no Ipiranga, bairro próximo a Heliópolis, o Real montou um QG onde foram contratados 13 profissionais moradores da região que trabalharam na divulgação do projeto e na captação de clientes. No final de 2002, apenas 80 negócios foram fechados num universo de 2000 microempreendimentos na região. Um dos motivos para a dificuldade inicial foi a resistência dos empreendedores em acreditar que um banco simplesmente poderia emprestar dinheiro aos pobres.

Vencida a resistência inicial, o preceito básico para o empréstimo consistia (e ainda consiste) em: pessoas que tenham um empreendimento (não necessariamente legalizado), que o dinheiro seja destinado a fazer melhorias no negócio, que esse negócio impacte positivamente seu entorno, que os filhos dos empreendedores estejam na escola e que o empreendimento seja rentável.

Para que o projeto saísse do plano piloto e alcançasse escala maior, além da Acción Internacional, outros parceiros foram se juntando ao longo dos anos, como a Semp Toshiba, Microsoft, Avon, De Millus, Whirpool, CARE, Unas, dentro outras. Uma característica muito interessante nessas parcerias, é que as empresas viram no Real Microcrédito uma possibilidade de se comunicar com a população de baixa renda, que vem a ser a menina dos olhos da economia atual. É o que eu sempre digo: sem demagogia e sem filantropia. Sustentabilidade envolve lucro e isso não é pecado algum.

Passada a fase de implementação e testes, algumas alterações na metodologia do projeto foram feitas para que ele se aproximasse mais da realidade brasileira. No entanto, mesmo com a adaptação, o projeto ainda enfrenta desafios, principalmente nas grandes cidades, pois uma das modalidades é o empréstimo a grupos solidários, que é fundamentado na confiança entre os participantes, já que a dívida é responsabilidade de todos.

De qualquer forma, mesmo com as dificuldades, o Real Microcrédito saiu de Heliópolis e alcançou o país, emprestando mais de 500 milhões de reais a mais de 200 mil pessoas nesses oito anos de existência. E o mais interessante é que o Real não empresa apenas dinheiro. Seus agentes atuam também como consultores, prestando informações básicas como auxílio no cálculo de custo e formação de preço, organização de documentos, orientação para a formalidade etc.

Real Microcrédito em números (dados de 2008):

Clientes: 82.780. Um crescimento absurdo, levando-se em consideração que em 2006 o número era de pouco mais de 11 mil clientes. De 2007 para 2008 o crescimento foi superior a 50%.

Financiamento: 135 mil empréstimos concedidos, movimentando R$ 200 milhões.

Juros: de 2% a 3,95% (quase ¼ do que cobram as financeiras).

Valor dos empréstimos: de R$ 200,00 a R$ 40.000,00


Amanhã é o último dia para participar da promoção que dará ao vencedor com o livro Sonhar Acordado, de Raul Rosenthal. Envie um case de sustentabilidade corporativa até o dia 26/02 e concorra!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Case 6 – Instituto Carlos Roberto Hansen / Tigre

Não cheguei a escrever especificamente sobre isso no blog, mas é muito comum as empresas criarem seus próprios institutos/fundações para que estes administrem os investimentos sociais estratégicos. Eu, particularmente, gosto desse tipo de iniciativa, pois, por mais que sejam operações independentes, os valores e os princípios da empresa acabam se estendendo às instituições. Sem contar que eles possuem metas, objetivos e indicadores de qualidade como uma empresa qualquer.

O case de hoje é sobre o Instituto Carlos Roberto Hansen (ICRH), fundado pelo ex-presidente da Tigre, empresa com 69 anos de existência, líder no setor de tubos, conexões e acessórios. O Instituto foi fundado em outubro de 2003 e desde então tem como principal objetivo a formação do futuro cidadão, com foco em projetos de educação e cultura para o desenvolvimento da criança e do adolescente.

O ICRH trabalha com comunidades de Joinville (SC), Rio Claro (SP), Camaçari (BA), Castro (PR), Indaiatuba (SP), Osasco (SP), Escada (PE) e Pouso Alegre (MG), cidades onde a Tigre possui centros operacionais. E em pouco mais de seis anos de existência, já investiu mais de R$ 14 milhões em iniciativas que beneficiaram ao todo 425 mil pessoas.

No balanço das atividades de 2009, o ICRH apresentou aumento considerável no número de pessoas favorecidas pelos projetos, passando de 87 mil em 2008 para 121.455 no ano passado. Vale lembrar que foi um aumento de quase 40% num período em que o país ainda sentia os efeitos da crise. Em termos financeiros, o aumento foi de 3,9% em relação a 2008, totalizando R$ 2,89 milhões.

O Instituto realiza diversos projetos, mas destaco um muito bacana que encarna o perfeito sentido de sustentabilidade: o Projeto Reciclar, em Joinville. O projeto é bem simples e o seu objetivo é arrecadar materiais recicláveis junto aos colaboradores e suas famílias. Com o dinheiro, a Tigre compra material escolar e doa aos filhos de funcionários que estudam em escolas públicas. Duas ações em uma, pois desperta a consciência para a coleta seletiva, além de beneficiar quem precisa com o lucro dessa ação.

Outro projeto que também reflete bem o espírito da sustentabilidade é o Centro de Treinamento Tigre, presente nas unidades de Joinville, Camaçari e Rio Claro. No CT, a Tigre oferece cursos gratuitos de instalações elétricas e hidráulicas a jovens a partir de 15 anos. Ou seja, ela capacita tecnicamente esses jovens à margem do mercado para uma profissão que tem tudo a ver com o negócio da empresa. Sem demagogia e sem filantropia!

O ICRH também atua em diversos outras iniciativas. Para mais informações sobre elas ou sobre como as instituições podem ter seus projetos viabilizados pelo ISE da Tigre, basta acessar: http://www.icrh.com.br


E não se esqueçam: última semana da promoção que dará ao vencedor com o livro Sonhar Acordado, de Raul Rosenthal. Envie um case de sustentabilidade corporativa até o dia 26/02 e concorra!