Como solucionar o problema de geração e gestão de resíduos de forma criativa?

Sustentaí promove encontros de criatividade e sustentabilidade em três cidades do Brasil

O dever da imprensa com a sustentabilidade

Qual o papel dos jornalistas no engajamento e na transformação para a sustentabilidade

A sustentabilidade forçando as empresas a inovarem

O que a sua empresa está fazendo hoje pela sustentabilidade para se manter na jogada amanhã?

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Como solucionar o problema de geração e gestão de resíduos de forma criativa?

Como empresas e sociedade podem, juntas, solucionar o problema de geração e gestão dos resíduos?


Você já parou para pensar em como essa e várias outras questões críticas vão estar cada vez mais presentes na agenda de empresas, sociedade civil e setor público nos próximos anos e décadas?

Atento a isso, e pensando em como buscar resposta para os grandes dilemas que impactam a sustentabilidade, o Sustentaí está lançando no mercado uma série de produtos completamente diferenciados. O primeiro lançamento são os Encontros de Criatividade e Sustentabilidade.

A proposta é que várias pessoas se reúnam para gerar soluções criativas para problemas reais de sustentabilidade. O tema da vez é justamente um que vem à rebote do consumo: resíduo. O que fazer com ele? O que fazer para não gerá-lo? Lixo zero é possível?

Qualquer um está convidado a participar dos encontros de criatividade.  Basta ter interesse em abrir a mente para a sustentabilidade de uma forma pouco convencional. Não importa a área, a experiência, a formação. Todos são bem-vindos a pensar de forma holística, integrada e transdisciplinar. Aliás, estamos torcendo para que surjam grupos bem diversos!

O Encontro de Criatividade vai acontecer nos dias 29/06 (São Paulo), 06/07 (Rio de Janeiro) e 20/07 (Curitiba) e terá duração de três horas cada um deles. Será uma manhã de atividades, debates e muita troca de conhecimento. Mais do que fazer um simples brainstorming, utilizaremos ferramentas que permitam aos participantes abrirem a mente e potencializarem ao máximo o pensar fora da caixa.

A nova abordagem do Sustentaí é uma forma inédita de olhar problemas e soluções para a sustentabilidade. Por isso queremos que além de muita criatividade, as pessoas se divirtam bastante. Sem contar que será uma excelente oportunidade para fazer networking. E dos bons!

Para os encontros, montamos a seguinte programação:

- Pitch de apresentação
- Context Canvas
- Brainstorming
- E se fosse...
- Iteração
- Discussão final

Para mais informações, valores e formas de pagamento: contato@sustentai.com

segunda-feira, 13 de maio de 2019

O dever da imprensa com a sustentabilidade

Talvez você não saiba, mas apesar de nunca ter exercido a profissão, eu sou formada em jornalismo. Não vem ao caso o porquê de eu ter optado por nunca praticar o ofício e ter enveredado por um lado completamente oposto, o da quase exatas. O mestrado de engenharia está aí para mostrar que eu pertenço mesmo ao outro lado da força.

De qualquer forma, expus essa informação apenas para dizer que, mesmo sem prática, tenho relativa propriedade para falar sobre jornalismo. E a verdade é que eu acho que ele, o jornalismo, pelo menos o brasileiro, faz um baita de um desserviço para a sustentabilidade. Sorry quem se ofendeu, mas cabe a você e não a mim virar esse jogo. Corre que ainda dá tempo.

Ao contrário do que algumas pessoas acham, não acredito que a saída seja criar uma editoria temática nas redações. Em alguns jornais, canais, portais, emissoras de rádio ela até existe. Alguns jornalistas até são especializados em meio ambiente, mas, sinceramente, a questão não é essa. O problema é falta de entendimento do conceito, de como ele funciona e a visão multidimensional necessária para falar de sustentabilidade. Digamos que o jornalismo seja 2d e sustentabilidade 3d.

Do pouco espaço que a pauta tem na imprensa, quase sempre a informação é dada por alguém sem o menor conhecimento do que seja sustentabilidade. Lembro da vergonha alheia que foi a entrevista com o ministro do meio ambiente na GloboNews na época da tragédia de Brumadinho. Um bando de jornalistas de politica sem o menor preparo para fazer pergunta pro cara.

Nessa mesma época da tragédia, durante a extensa cobertura, não teve uma viva alma, UMA VIVA ALMA, para questionar a natureza da atividade de mineração. Todo mundo focou apenas no óbvio, que foi a falha de segurança da Vale e o uso de uma técnica ultrapassada na construção de barragens. Ninguém ousou questionar para onde vai o minério, como ele impacta o meio ambiente, qual o seu papel no consumo desenfreado, o que é feito dele depois do descarte...

Ain, Julianna, e o Trigueiro?

Cara, eu acho o Trigueiro um puta jornalista, um papo excelente, tem muito conhecimento de meio ambiente, mas falta a ele o que falta a todo e qualquer jornalista quando vai falar de assuntos complexos: descer do pedestal e ligar o modo Ana Maria Braga de ser. Independente de você gostar ou não do programa dela, na minha opinião de comunicóloga não praticante, a sua maior virtude é ter a capacidade de falar com qualquer tipo de público. Desde a classe Z até a dondoca sustentada pelo marido que às nove da manhã já voltou da academia e está começando o seu dia.

Dos pouquíssimos jornalistas com conhecimento para escrever sobre assuntos relacionados à sustentabilidade, André Trigueiro incluído, o que eu vejo são eles falando para suas plateias. Que são a minoria da minoria da minoria da população. Acontece que os fundamentos da sustentabilidade não devem ficar restrito a um rincão elitista. É o que eu sempre digo: somos quase oito bilhões de pessoas gerando impactos ambientais a todos os momentos. É muita pressão pra um planetinha só.

E o que acontece é que a maioria das pessoas não tem o menor conhecimento disso e qual deve ser o seu papel enquanto cidadão responsável. O jornalismo de massa tem de ensinar isso. Mas ao contrário, já vi várias oportunidades perdidas em pautas de grande interesse em que a falta de familiaridade do jornalista com o assunto e a tal da visão 3d mata a sustentabilidade.

Por exemplo: nos momentos áureos da nossa economia, vira e mexe o então governo fazia uma coletiva de imprensa para anunciar a redução dos impostos para carro. Não tinha uma viva alma questionando o impacto do aumento da circulação de automóveis na cidade, tanto pela questão de trânsito, de tempo perdido, de qualidade de vida, de saúde, de meio ambiente.

Outro exemplo foi a proibição dos canudos de plástico. Todo mundo, TODO MUNDO, fez uma matéria sobre os materiais substitutos. Nenhum, absolutamente nenhum jornalista se dispôs a questionar a necessidade de se usar canudos. Nem o André Trigueiro (que eu saiba), que se focou apenas em alertar para o perigo ambiental de usar canudo de plástico oxi-biodegradável. Você sabe o que é isso? Pois é, foi ele, novamente, falando para a sua plateia e não para um público médio.

A questão é que o jornalismo deveria ter um importante papel social, ou melhor, dever social com a sustentabilidade. Porque é o que eu sempre digo: ninguém precisa ter a sustentabilidade como causa, mas todo mundo tem a sua cota de responsabilidade com ela.  Afinal, repetindo, somos quase oito bilhões de pessoas gerando impacto todo dia.

Portanto eu pergunto para quem exerce a profissão: onde estão as pautas de engajamento para o consumo responsável, onde estão as pautas positivas, do tipo ficar sem comer carne um dia na semana reduz X de emissões de gases do efeito estufa e X de consumo de água? Porque ao contrário do que muito jornalista noticia, ninguém vai simplesmente virar vegano por causa de peido de vaca. Então, entre criar a ilusão de que bilhões de pessoas vão se alimentar de luz porque o planeta está ficando quentinho e usar a mídia para realmente provocar uma mudança, o que você como profissional de comunicação de massa está fazendo?


terça-feira, 30 de abril de 2019

A sustentabilidade forçando as empresas a inovarem

Ok, esse título é quase um click bait. Quase. Não falarei exatamente de como a sustentabilidade está forçando as empresas a inovarem, mas de como ela está forçando o setor de petróleo e gás a inovar.

Porque, na verdade, essa foi a pesquisa base da minha dissertação de mestrado: como a sustentabilidade é um dos fatores que está impactando a indústria de óleo e gás e como isso vem forçando as empresas a mudarem seus modelos de negócio. Como entreguei a dissertação para o orientador fazer os ajustes há cinco dias (por isso, inclusive, a não atualização do blog nas duas últimas semanas), está tudo muito fresco na minha cabeça e acho que vale a pena compartilhar um resumão da minha odisseia nestes dois últimos anos.

Pois bem, há quase três anos escrevi um texto aqui falando das perspectivas da sustentabilidade corporativa. Na verdade, falei das várias evoluções que a área passou e vem passando desde quando ela entrou no radar das empresas. Falei do passo inicial, que é a área de responsabilidade social / ambiental, da sustentabilidade atrelada aos processos, do planejamento estratégico sustentável, da economia da sustentabilidade e da inovação para a sustentabilidade.

Tirando economia da sustentabilidade, todas as outras já são relativamente familiares no ambiente corporativo, apesar de nem todas as empresas colocarem todas as perspectivas em prática. Lembrando que fazer planejamento estratégico sustentável, por exemplo, não exime a empresa do compromisso em manter ações sociais e ambientais com seus stakeholders e muito menos inserir a sustentabilidade em seus processos de negócios e de produção.

Mas vamos lá, eu quero falar do que no texto citado chamo de uma mistura da fase 3.5 e da 4.0, a inovação para a sustentabilidade e a economia da sustentabilidade. Por inovação, a gente entende uma infinidade de possibilidades, apesar de as pessoas, imediatamente, associarem a novos produtos. Pode ser processo (apesar de haver um grande embate sobre até que ponto fazer diferente a mesma coisa ou melhorar o que está sendo feito é inovação), mas pode ser também modelo de negócios. E é nisso que quero chegar.

Para quem não sabe, o meu mestrado é em engenharia de produção, na linha de gestão e inovação. Para pesquisar o futuro do modelo de negócios no setor de petróleo e gás, utilizei a premissa que o setor de energia chama de 3Ds: descarbonização, descentralização e digitalização. Mas antes de eu falar sobre os 3Ds, deixa eu explicar o que lá no texto de 2016 chamo de sustentabilidade fase 3.5.

No futuro já nem tão em médio prazo, mas ainda não exatamente em curto prazo, a sustentabilidade vai gerar impactos tão profundos nas empresas, mas tão profundos, que nem RSA, processos sustentáveis e nem planejamento estratégico sustentável, juntos, serão suficientes. O impacto será no nível de modelo de negócios. E aí que entram os 3Ds da energia.

A descarbonização da economia como um todo é um fator crítico para o planeta, já que estamos na iminência das mudanças climáticas. Só que é especialmente ainda mais crítico para a indústria de petróleo e gás porque esta é, fundamentalmente, um setor intensivo em carbono e outros gases responsáveis pelo aquecimento global.

A digitalização e a presença forte da tecnologia no setor energético vão tornar viáveis o uso massivo da energia limpa e renovável, além das baterias Se levarmos em conta que, hoje, 94% da matriz energética de transporte têm como fonte primária os combustíveis fósseis, conseguir viabilizar o fornecimento contínuo de energia limpa e resolver a questão da autonomia dos veículos elétricos, oops Houston, temos um problema. Quer dizer, um problema para o setor de petróleo e gás.

Sobre a eletrificação do transporte, a coisa está tão frenética, que os relatórios globais de energia têm de refazer suas projeções ano a ano. E não são pequenos ajustes não, é coisa grande. Em 2017, por exemplo, o relatório da BP estimou para um cenário de referência a presença de 100 milhões de carros elétricos em 2035. Isso num universo total de 2 bilhões de automóveis. Em 2018, a projeção foi revista e já se estima 190 milhões de carros elétricos no planeta no período. Em um ano a projeção mudou em 90%. Isso no cenário mais chinfrim que tem. O otimista vai para a casa dos 320 milhões em 2035 e 500 milhões em 2040.

Somado a tudo isso, tem o D da descentralização. A descentralização vai colocar o setor energético inteiro de ponta cabeça, já que mudará por completo aquilo que se faz todo dia sempre igual há uns 100 anos ou mais, que é o modelo de geração. Com ela, a descentralização, nós, reles mortais, nos tornamos protagonistas e podemos produzir nossa própria energia.

Tá, mas e o petróleo? Voltemos ao petróleo. Um dado que eu não disse é que, hoje, 58% do petróleo e gás vão para energia de transporte. Sabendo que o futuro do setor é a eletrificação e antes disso a eficiência, podemos imaginar o tamanho do problema, certo? E se eu disser pra vocês que outros 14% vão para a indústria petroquímica, que está sendo metralhada por conta de seu principal produto, o plástico?

Não sei se sabem, mas 127 países já possuem alguma restrição ao uso do plástico chamado “single-use”, que é 70% da produção de plásticos. Sem contar que daqui a 2 anos, eu disse DOIS ANOS, entra em vigor uma regulamentação super restritiva ao plástico de uso único na Europa. Não sei se sabem, mas a bola de neve que virou a proibição dos países à circulação de veículos com motores a combustão começou na Alemanha em 2016* e foi se espalhando pelo mundo, já tendo chegado, até, na China e na Índia, os dois países com mais gente no mundo. Do the math.

Enfim, o assunto é muito mais extenso (foram 104 páginas de dissertação), tem muito mais detalhes, mas a questão é que as empresas de petróleo e gás entenderam o recado e entenderam rápido. Hoje a maioria já se posiciona como empresa de energia. E mesmo aquelas que no início da década de 2010 se desfizeram se seus ativos de energia limpa, já voltaram para a jogada. Porque elas entenderam que o petróleo não vai acabar porque ele é um recurso finito, mas sim porque o planeta não quer mais ele.
 
Mas enfim novamente, o que eu quero dizer com esse post, é que no futuro a tônica da sustentabilidade corporativa será essa. Ela, a sustentabilidade, sem dó nem piedade, vai forçar as empresas a mudarem seus modelos de negócio. A indústria do petróleo talvez seja a primeira, mas muitas outras rainhas do século XX virão à rebote, como a mineração e a indústria automobilística, por exemplo.

E para elas e muitas outras, não vai adiantar dizer que faz manufatura avançada, indústria 4.0, digitalização e um monte de bla bla bla corporativo que está na moda. Por isso, lá no fundo, nada mais é que fazer de forma diferente a mesma coisa de 1900 e bolinha. A questão aqui é mais frenética. É simplesmente mudar o modelo de negócios. Ou cair fora.

E a sua empresa, o que ela está fazendo hoje pela sustentabilidade para se manter na jogada amanhã?


* Essa matéria do dia 08 de outubro de 2016 falando da proibição que o parlamento alemão tinha aprovado para a circulação de veículos com motores à combustão interna a partir de 2030 foi que me deu o estalo para largar o mestrado que estava fazendo e começar outro do zero. Comentei brevemente sobre isso no meu Linkedin: https://www.linkedin.com/feed/update/urn:li:activity:6526247193366577152

** Recomendo lindamente, a quem tiver interesse, a leitura do relatório de cenários da Shell lançado no ano passado. Nele, a empresa projeta 2070 com 16% de petróleo e gás no mix energético. DEZESSEIS POR CENTO. Hoje isso está em 54%. Dá pra baixar por aqui: https://www.shell.com/energy-and-innovation/the-energy-future/scenarios/shell-scenario-sky.html

segunda-feira, 8 de abril de 2019

E se não existisse a área de sustentabilidade nas empresas?

Vocês já pararam para pensar como seria se as empresas não tivessem a área de sustentabilidade? Não estou ironizando as empresas que chamam meio ambiente de sustentabilidade, ou reúne meia dúzia de projetinhos sociais e fala que isso é sustentabilidade. Faço a pergunta de forma séria mesmo. E se a área como ela deve ser hoje simplesmente não existisse, como seria?

Quem me conhece sabe que há pelo menos 12 anos, quando comecei a trabalhar especificamente no setor, falo sobre o fim dela. Sim, meus caros, há 12 anos trabalho pelo fim do meu emprego e infelizmente digo que ele está longe de acabar. O que é uma pena. Mas antes de vocês acharem que eu enlouqueci, deixe-me explicar.

Conforme escrevi no longínquo ano de 2016, a sustentabilidade corporativa tem múltiplas facetas. Logo depois de sair da fase responsabilidade social, abracei a causa da sustentabilidade atrelada aos processos. Apesar de hoje lidar com coisas relativamente mais complexas, não tem como eu deixar esse legado para trás. Afinal, o básico do básico do básico da sustentabilidade nas empresas está totalmente ligado a processos.

Mas Julianna, o que isso tem a ver com existir ou não existir a área de sustentabilidade dentro de uma empresa?

Tudo, meus caros. T-U-D-O.

Vamos pensar aqui: uma empresa cria a área e ela tem o seu gestor, seus analistas, o estagiário... Afinal, todo mundo é filho de Deus e tem direito a um estagiário. Se a sustentabilidade trabalha atrelada aos processos, ela vai atuar super integrada aos demais setores da empresa, seja nas áreas de negócio, seja, principalmente, nas áreas operacionais. Como falei num dos textos mais legais e mais acessados que escrevi aqui, a sustentabilidade acontece de verdade na operação da empresa e não com a bunda sentada na cadeira em frente a um computador.

E aí que a verdadeira missão das pessoas que trabalham com sustentabilidade nas empresas é, justamente, fazer com que as outras áreas sejam sustentáveis. Ela não é e nem pode ser isolada. Sim, falo isso há séculos, mas nunca vou me cansar de repetir: não tem o menor sentido uma empresa achar que é sustentável apenas porque criou uma área de sustentabilidade em seu organograma.

Dito isto, salto para a questão mais filosofal e o ápice dessa minha reflexão. No mundo ideal, partindo do princípio que a sustentabilidade está tinindo dentro dos processos e os colaboradores estão engajados, assim como os stakeholders, posso assumir que o conceito é maduro o suficiente dentro de uma empresa. E aí eu provoco vocês: se a empresa tem a sustentabilidade em um nível world class, por que ela precisa de uma área específica para isso? Não é responsabilidade de cada processo, de cada setor, de cada área, fazer a sua parte?

Ain, Julianna, quem vai fazer o relatório? A área de comunicação, ué! Quem vai fazer diálogos com stakeholders? A área de assuntos corporativos, oras! Quem vai fazer o engajamento? Sabe a galera de comunicação? Entonces, ela de novo... Quem vai tocar os projetos de meio ambiente? As operações, carambola! E as ações com os fornecedores? Meu Deus, a área de suprimentos! E a área de logística, e a área de marketing, e a área de trade, e a área de finanças, e a área de RH... e qualquer área vai ter a sua cota de responsabilidade com a sustentabilidade.

Utopia? Não, não mesmo. Como disse antes, é uma agenda que tenho há 12 anos. O problema é que há, pelo menos, 12 anos, as empresas não se dispõem a amadurecer a sustentabilidade e ficam gastando rios de dinheiro em atividades e rotinas pouco efetivas.


segunda-feira, 1 de abril de 2019

A importância da área de RH para a sustentabilidade e vice-versa

Sustentabilidade corporativa para ser sustentabilidade de verdade, deve ser uma área cross. Ou seja, ela deve estar presente em tudo e ser um fator de integração na empresa. Eu, particularmente, sou da filosofia de que a área nem deveria existir, mas sim ser uma competência de todos os profissionais e uma etapa presente na operação de todas as áreas. Ok, utopia, mas continuo com o mantra de que trabalho para acabar com o meu emprego. Empresas fodas deveriam pensar assim. Um dia, no futuro, uma vai pensar e o resto vai seguir o fluxo. Porque é assim que funciona. Precisa um louco ousar para o business as usual adotar a prática.

Mas voltando à realidade de que hoje a área de sustentabilidade continua existindo e vai continuar assim por muito e muito tempo, reforço a necessidade de atuação integrada com as demais áreas. Não tem como ser diferente. Se a empresa não olha a sustentabilidade pela perspectiva dos processos, ela está brincando de fazer sustentabilidade. Independente da verba que ela dispõe anualmente, independente da quantidade de pessoas envolvidas e do escopo dos projetos realizados.

Uma das parcerias mais importantes para a área de sustentabilidade dentro de uma empresa é a que ela vai estabelecer com recursos humanos. Isso acontece desde os fundamentos mais básicos de ambas as áreas, até questões mais complexas. Por exemplo, ética, que é básico do básico da sustentabilidade. Na maioria das empresas o código de ética é desenvolvido pelo RH. Mas pergunto: quantos RHs se dispuseram a trabalhar junto com a área de sustentabilidade ou consulta-la na hora de estabelecer a ética e os valores corporativos?

Outra questão que agora está super na moda: diversidade. A modinha fez um monte de empresa querer ter um programa diversidade para chamar de seu e várias criaram uma área própria para isso. Sério, não precisa chegar a tanto. Na minha opinião diversidade não é área própria, mas escopo de RH. Só que não é dela sozinha. Porque diversidade também é pauta básica da sustentabilidade. Então é mais um momento e uma excelente oportunidade de as duas áreas juntarem seus trapinhos e, juntas, gerarem mais valor para a empresa.

Mais outra: recrutamento e seleção orientado para a sustentabilidade. Aqui não estou falando do perfil do profissional de sustentabilidade, mas das competências básicas que todos os funcionários, independente da área e do nível hierárquico, devem ter para trabalhar na empresa. Esta é, certamente, a mais negligenciada, o que é uma pena. Não me lembro de uma empresa que exija características de sustentabilidade para contratar funcionários, apesar de já ter visto esboço nesse sentido.

Trazer a sustentabilidade para o momento de recrutamento e seleção é, sem dúvidas, a ação muito, muito, muito impactante e a que mais pode se aproximar do ideal utópico de não precisar existir a área no futuro. Mesmo sendo ousada e mesmo estando hoje apenas no campo da teoria, ela é plenamente viável. Mas para ser possível é necessário o trabalho em conjunto de sustentabilidade e recursos humanos no desenho dessa estratégia.

Pensando pela outra perspectiva, a de como o RH pode ajudar a sustentabilidade, vejo três oportunidades: primeiro é no desenvolvimento da cultura da sustentabilidade. A sustentabilidade precisa do RH no desenvolvimento de diretrizes, de posicionamento da empresa, no desenho e na execução do plano de ação. Aí vem o segundo ato, que é o treinamento para a sustentabilidade, seja para a própria área, seja para toda a empresa.

Treinamento não é e nem precisa ser expertise de um profissional de sustentabilidade. Por isso, a forma mais eficaz de alcançar bons resultados e gerar valor para a empresa é envolver profissionais de recursos humanos que sejam responsáveis por esse processo. Porque a gente tem o conteúdo, mas eles têm todos os paranauês.

Pausa para um suplico: EaD não, por favor! Se você não quiser matar a capacitação em sustentabilidade, não faça EaD. Um dia explico o porquê. Fim da pausa.

Por fim, como ato final dessa sinfonia humanamente sustentável, trago a questão mais crítica que nós, profissionais de sustentabilidade, nos deparamos e nosso desafio diário: engajamento interno. Porque simplesmente não tem como falar de sustentabilidade corporativa se ela não é um valor posto em prática pelos funcionários em sua rotina de trabalho. E aí pergunto: quem pode nos ajudar nesse pepinão? O RH. Ah, o RH...