A crise econômica e a crise da sustentabilidade nas empresas

Será que a crise da sustentabilidade no país é só por causa da nossa crise econômica?

O tempo perdido da sustentabilidade corporativa

A sustentabilidade corporativa estagnou no planeta?

Quer trabalhar com sustentabilidade? Fuja da área de sustentabilidade!

Você quer, REALMENTE, trabalhar com sustentabilidade?

segunda-feira, 23 de abril de 2018

A crise econômica e a crise da sustentabilidade nas empresas

O mundo passou por uma grave crise de 2008 até mais ou menos 2012, 2013. É claro que isso resvalou nas empresas brasileiras, mas a nossa crisona mesmo começou em 2014. Somado a isso, tivemos uma gangorra no preço do barril do petróleo e no preço do minério de ferro. Sendo o Brasil um país, fundamentalmente, de commodities, essa montanha russa pegou a gente de jeito. Sem contar a crise política e de valores que vai nos assombrar por um bom tempo.

Mas o que vem acontecendo na área de sustentabilidade das empresas não é apenas reflexo da crise mundial, da crise nacional e muito menos culpa do petróleo e do minério. Diria que é resultado de um processo de desaprendizado. Não estou falando isso com base em achismo. Eu venho sentindo na pele há uns bons anos. Nunca houve tantas contratações de profissionais da área pelas empresas e tantas portas abertas para consultorias de sustentabilidade como os anos de 2011 e 2012 e um pouco em 2013. Só que de meados de 2013 o sinal ficou amarelo. E não, não era a nossa crise.

Nos anos de ouro da sustentabilidade corporativa brasileira, o que mais me empolgou foi ver a possibilidade de as empresas fazerem menos projetinhos reativos e mais ações alinhadas às estratégias de negócios. A galera sangue nos olhos que eu tive oportunidade de conhecer e me relacionar tinha autonomia para fazer algo muito além do basicão da responsabilidade social e ambiental.

Mas aí o veio o tsunami. Quem se lembra da EBX anunciando o fim da área de sustentabilidade em pleno 05 de junho de 2013? Para quem não está associando datas, 05 de junho é o dia mundial do meio ambiente. E os passaralhos da Vale que acontecem todos os anos e deram fim às áreas que tratavam de questões relacionadas à inteligência para sustentabilidade? Sustentabilidade que hoje, para a Vale, é basicamente obrigatoriedades legais e GRI. Se bem que às vezes nem as obrigatoriedades legais são cumpridas, né, Mariana?

Outras empresas também demitiram pesado, outras diminuíram a influência da área de sustentabilidade e muitas, muitas, voltaram para o basicão de sempre. É muito frustrante! Isso sem falar no mercado de consultoria (consultoria no sentido real da palavra), que está completamente estagnado, a menos que você se sujeite a projetinhos sociais, ambientais e de relacionamento com comunidades. Ou seja, requisitos legais. Fico aqui confabulando com meus botões se o boom que teve anos atrás não foi apenas oba oba de Rio+20.

E aí eu me pergunto o que, de fato, aconteceu e está acontecendo com a sustentabilidade corporativa brasileira. Falar que a culpa é da crise e da queda das commodities é ser simplista demais. Volto à questão do desaprendizado dos últimos anos. Ou vou mais fundo: do próprio aprendizado.

Uma vez estava em mais um evento me engana que eu gosto (sou para-raio disso, só pode!) e tinha uma pessoa de sustentabilidade da Sabesp apresentando um projeto da área. O projeto era muito bom e eu fiquei interessada por ele. Como queria saber mais dados, perguntei o quanto a empresa tinha deixado de gastar e o que o projeto significava em termos de melhoria de negócio.

Mermão, eu devo ter xingado a mãe da pessoa, porque a reação dela foi como se eu tivesse ofendido alguém. E o pior ainda foi a resposta que tive: não medimos isso porque não é prioridade. A gente tem de fazer e então a gente faz. Juro que ela falou assim.

Você ficou horrorizado com isso, assim como eu fiquei? Vou dar uma notícia ruim: não se engane não, é como funciona a área de sustentabilidade na maioria esmagadora das empresas. Sim, falta muito entendimento das empresas sobre o é sustentabilidade de verdade, mas também falta nessa área muita gente com entendimento de negócios, com entendimento de planejamento estratégico, com atuação atrelada a indicadores, a monitoramento e controle, à análise de retorno.

Aí, quando uma empresa passa por problemas graves, quando a crise bate na porta e vem o financeiro fazendo um monte de corte, adivinhem onde eles vão reduzir gasto? Em áreas que não geram dinheiro, mas apenas reputação, ou que existem porque é o que a empresa tem de fazer. Tipo a área de sustentabilidade, sabe?

Então me pergunto: de quem é a culpa? Sim, a culpa é dos cabeças das empresas que têm visão tacanha a respeito da sustentabilidade. Também. E quanto a isso pouco pode ser feito em curto prazo, a não ser educar, educar, educar ou rezar para eles serem demitidos e entrar gente com visão boa pra isso no lugar. Mas tem outra parcela de culpa que é da própria área. Área esta que, na maioria das vezes, se comporta como se a sua obrigação fosse mudar o mundo pura e simplesmente.

Não sei se perceberam ou se eu deixei isso claro, mas sou uma pessoa que curte demais visão sistêmica e diversidade de experiências. Sustentabilidade permite atuar dessa forma e eu amo isso. É o cara de biologia, é o cientista social, o engenheiro ambiental, a pessoa de comunicação, a psicóloga, o assistente social... tudo junto e misturado e isso é sensacional. Mas mais que pessoas técnicas e com vontade de mudar o mundo, a área precisa de gente de business que queira aliar sustentabilidade a negócios para mudar a empresa e o seu entorno.

E aí não falo que a área necessariamente precisa de um administrador, um economista ou um engenheiro de produção. Mas necessariamente a área precisa que o cara biologia, o cientista social, o engenheiro ambiental e blá blá blá entenda a relação do seu trabalho com o negócio, que veja como pode dar retorno sobre o investimento, como a sua atuação está integrada ao planejamento estratégico e como o impacto que ela gera pode beneficiar a empresa.

Porque enquanto a sustentabilidade corporativa mantiver essa aura de pessoas felizes + somos amiga da natureza e não se posicionar como uma área que ajuda a empresa a melhorar o seu negócio, vai ser um dos setores mais suscetíveis a quedas em momentos de crise ou qualquer outra dificuldade. E como efeito cascata, vai contaminar toda a cadeia criada em torno da inteligência para a sustentabilidade, gerando um retrocesso de só se trabalhar respondendo requisitos legais e reputação. E não, isso não vai mudar o mundo.

segunda-feira, 26 de março de 2018

O tempo perdido da sustentabilidade

Ok, não vou negar que muita coisa foi feita e que, sim, houve muita evolução nos últimos dez, quinze anos no quesito sustentabilidade corporativa. Mas também não vou negar que o resultado é infinitamente aquém da expectativa que se tinha a partir do que vinha sendo discutido e proposto nos anos 90 para os 10, 15, 20 anos seguintes.

Não estou falando do esvaziamento da área ocasionado pela crise mundial que assolou o mundo em 2008 ou a crise interna implacável que nos corrói desde 2014. Falo das expectativas criadas para a década de 2000 e que simplesmente não se concretizaram. Não se concretizaram em muito por conta da ilusão do dinheiro fácil criada por bancos de investimento que fizeram roleta russa com alguns dos principais mercados econômicos do mundo e pela falta de vontade das empresas do século XX em mudar a chave do modelo mental para adentrar o novo século.

Mas façamos uma análise crítica da sustentabilidade dentro das empresas nos últimos 15 anos. Não vou negar que tivemos relativa eficiência operacional que gerou relativa redução de consumo de recursos naturais. Digo relativa, pois, como expliquei no artigo sobre o mito da economia circular, melhoramos muito se analisarmos o consumo por unidade de produção. Mas em termos de consumo total, continuamos a tragédia de sempre.

Também não vou negar que tivemos grandes avanços sociais por parte das empresas, mas é inadmissível que em pleno século XXI ainda tenhamos de nos deparar com grandes empresas globais dizendo que a culpa pelo trabalho infantil ou análogo ao escravo é do fornecedor e não delas. E ao contrário do que poderíamos imaginar, esse tipo de escândalo só cresce ao invés de diminuir.

Não vou negar também que o público médio passou a ter muito mais conhecimento de sustentabilidade e que isso é muito bom. Mas também é um perigo, já que as empresas se deram conta de que comunicar a sustentabilidade é bom e muitas vezes se focaram só nisso.

A verdade é que nunca antes na história deste planeta tivemos tanta preocupação com comunicação da sustentabilidade e com os relatórios de sustentabilidade. Muita preocupação. Aliás, nunca se viu um engajamento tão forte como o comprometimento das empresas em ter um relatório para chamar de seu. Mesmo que não tivesse nada interessante para ser reportado.

Pois bem, peguemos os relatórios. Uma vez, num desses eventos me engana que eu gosto sobre relatórios de sustentabilidade, há uns quatro anos, mais ou menos, questionei sobre quando as empresas seriam cobradas por indicadores de sustentabilidade atrelados ao negócio. Tipo, o que significa para uma empresa dizer que consumiu não sei quantos metros cúbicos de água em um ano? 

O quanto aquele recurso natural é crítico para a sua produção e o quanto a escassez de água impacta esse negócio? Qual o histórico de eficiência da empresa neste indicador, sei lá, nos últimos cinco anos? Sabe a resposta que tive de gente ligada à GRI? Esse tipo de análise deveria partir das empresas. Sério isso, GRI? Sério que você é leniente a esse ponto? Qual o seu propósito? Quantidade de relatórios?

Vamos analisar aqui bem criticamente: há quanto tempo existe a GRI? Resposta: 20 anos. Convenhamos que se em 20 anos as empresas não tomaram a iniciativa de reportarem indicadores de sustentabilidade atrelados aos negócios, enquanto não forem cobradas, vai tudo continuar do jeito que está. Não esqueçamos a lindeza que é o relatório da Vale até hoje ou mesmo o que foi o relatório da Samarco em 2014. São as empresas fingindo que fazem, a GRI fingindo que avaliza e a galera fingindo que lê. Ficção pura.

Voltemos ao boom de comunicação da sustentabilidade. Ok, faz parte do processo de amadurecimento ter esse momento. Mas pergunto a vocês: das principais empresas brasileiras ou que atuam no Brasil, quantas delegam, hoje, a sustentabilidade à área de comunicação ou assuntos corporativos?  Posso fazer uma lista praticamente infinita. 

Mas analisemos bem criticamente de novo: qual o propósito da área de comunicação das empresas? Para não me equivocar, busquei na internet várias definições para o setor e para resumir as que encontrei, digo que o objetivo da comunicação corporativa é cuidar da reputação da empresa de forma a obter apoio e influenciar a opinião e comportamento junto às partes interessadas. Ou seja, reputação e imagem junto aos stakeholders.

Absolutamente nada contra esse propósito de comunicação. Mas estou falando de sustentabilidade. E aí pergunto: qual o papel da sustentabilidade quando ela responde para a área de comunicação? Reputação e imagem. Justo. A sustentabilidade também está nessa. Também. E isso é a ponta final de um longo processo.

Antes de chegar no reporte, na reputação, na imagem, tem de fazer. E pra fazer, a sustentabilidade tem de passar pelo planejamento estratégico, pela engenharia, pelas finanças, pela inteligência competitiva, por novos mercados, pela inovação, por novas fontes de receita, por redução de custo e risco etc etc etc. E depois, só depois de a sustentabilidade percorrer todo esse caminho e ser efetivamente aplicada nesse bololô, é que a gente pode pensar no retorno que ela traz de reputação e imagem.

Há anos fala-se das externalidades da sustentabilidade. Repito aqui a minha crítica sobre relatórios de sustentabilidade: o que significa em termos de negócio e em termos de risco, por exemplo, uma Unilever da vida dizer que gasta x litros de água por ano em seus processos produtivos (sabendo que a água é um bem escasso e que não se paga pelo seu consumo)?

O que significa para uma mineradora reportar a supressão vegetal de x km² para botar em operação uma unidade produtiva (e com isso dizimar fauna e flora de uma região)? Alguém tem essa resposta hoje? Porque isso já se discute há mais de 20 anos e a discussão não sai do lugar!

Tentou-se na década passada estabelecer um mercado de crédito de carbono. Não deu certo. Mas acreditem em mim, vão ter de fazer dar certo. Se a produção industrial continuar como ela é hoje, dados da OECD apontam que a temperatura aumentará mais de quatro graus em 2050. Logo ali. A maioria que me lê vai estar viva nessa época. 

Vale lembrar que o Acordo de Paris de 2015 é para fazer com que a temperatura não aumente mais que 2 graus em 2100. Ou seja, aumentando pouco, aumentando muito, o fato é que o planeta já está mais quentinho e ninguém sabe, de fato, o que isso significa em termos sociais, ambientais, econômicos e muito menos empresariais.

A questão é que por mais que na teoria a sustentabilidade corporativa seja linda, que o discurso das empresas e das instituições sejam inspiradores, ela não passará de eterna promessa enquanto não se mudar o modelo mental das pessoas, o modelo mental das empresas e o modelo mental das sociedades. 

Não, o que a maioria das empresas (dizem que) fazem está longe de ser sustentabilidade. Pode ser relacionamento institucional, compensação ambiental, governança corporativa, legitimação social, marketing de causa/social/sustentável, licença para operar... nada mais que uma reação às demandas de empresas com modelo mental do século XX. Mas já passou da hora de virar a chave para o novo século. 2020 é amanhã de manhã.

P.S. Galera, no dia 14/04 em São Paulo, estarei conduzindo um workshop sobre mapeamento e gestão de stakeholders. Ele é bem legal e cheio de atividades práticas. Mais informações sobre conteúdo e inscrições: para contato@sustentai.com ou acessando o link: https://goo.gl/ueup7s. E quem estiver inscrito na palestra, terá desconto especial!


Julianna Antunes é consultora de sustentabilidade, palestrante, professora universitária e finalista de vários prêmios e concursos de sustentabilidade, tendo sido vencedora do Smart Living Challenge, cujo projeto foi apresentado na COP-21, em Paris. Faz mestrado em engenharia de produção na COPPE/UFRJ, com pesquisa voltada para inovação em modelos de negócio para o setor de petróleo e gás. É também criadora do Sustentaí, um projeto de democratização do conhecimento da sustentabilidade.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Palestra Sustentabilidade, Inovação e Empreendedorismo / SP

Quem é de São Paulo e quer assistir a uma palestra muuuuuuuuuuuuito legal sobre Sustentabilidade, Inovação e Empreendedorismo levanta o dedo! o/


Com o apoio da ABRAPS, finalmente consegui levar a minha palestra favorita para a capital paulistana. Ela vai acontecer dia 12/04, às 19h num lugar muito, muito bacana, o Vila Butantan. E sabe o que é melhor? Ela é GRATUITA!

A divulgação começou ontem e as vagas já foram quase todas preenchidas! Então quem quem quiser participar tem de se inscrever logo! Link para inscrição: https://goo.gl/xBQMZc

Descrição da palestra:

Sustentabilidade, inovação e empreendedorismo” trata do presente e do futuro, provocando os espectadores a pensarem de forma sistêmica. A palestra busca mostrar como a inovação e a sustentabilidade vêm impulsionando o surgimento dos negócios do século XXI e como as velhas empresas terão de se adaptar para atuar em um cenário de mudanças climáticas e restrição de recursos naturais.

Os principais temas abordados são: gestão estratégica sustentável; como as empresas e os profissionais vão se encaixar em um novo modelo de mundo; sustentabilidade e inovação; e sustentabilidade disruptiva e oportunidades de empreendedorismo sustentável

P.S. Galera, no dia 14/04 em São Paulo, estarei conduzindo um workshop sobre mapeamento e gestão de stakeholders. Ele é bem legal e cheio de atividades práticas. Mais informações sobre conteúdo e inscrições: para contato@sustentai.com ou acessando o link: https://goo.gl/ueup7s. E atenção, o preço promocional foi estendido até o dia 25/03! Aproveitem! 

              

quarta-feira, 14 de março de 2018

Quer trabalhar com sustentabilidade? Fuja da área de sustentabilidade!

Antes de começar a escrever, devo dizer que título não é uma ironia. Pelo contrário, ele é bem sério. É importante deixar claro que não estou falando de área que responde pelos requisitos legais da empresa, onde vamos encontrar pessoas formadas em biologia que vão trabalhar com condicionantes de biodiversidade ou engenheiros ambientais que vão trabalhar com recursos hídricos, por exemplo. Não estou falando do analista/ coordenador/gerente de meio ambiente. Falo do analista / coordenador / gerente / whatever de sustentabilidade.

Pouco importa a sua formação, a sua experiência ou o que você espera que seja a área. A verdade é que você vai se frustrar. Sabe por quê? A área de sustentabilidade é composta, basicamente, de (poucas) pessoas voltadas para projetos de engajamento, reputação, relacionamento e prestação de contas.

Ou seja, o que você vai ver na área são projetos sociais/ambientais/voluntariado, relacionamento com entidades tipo Ethos, CEBDS e ONGs, inscrição em prêmios de empresa mais sustentável do universo, programas de conscientização de sei lá o quê para colaboradores, ISE Bovespa se a empresa for listada em bolsa, CDP se ela tiver questões sérias com emissões de gases do efeito estufa, relatório de sustentabilidade, porque, afinal, vale mais reportar do que fazer, e eventos me engana que eu gosto onde você vai ver as mesmas pessoas falando sempre as mesmas coisas.

Além disso, a área tem como meta de vida pentelhar o povo de comunicação dia sim e outro também para colocar matérias dos projetos na intranet, no mural e no mailing. Se tiver moral, consegue até espaço no site corporativo. Depois de tudo isso, você mistura uma pitada de reunião de alinhamento, que é o momento onde você mostra pros seus pares e superiores imediatos tudo o que você fez no mês, na quinzena, na semana, whatever. E todo mundo sai feliz. Ou não. Acreditem em mim, isso é chato da porra.

É claro que coloquei uma lente de aumento e estou generalizando. Tem empresas que fazem um trabalho de sustentabilidade primoroso. Mas a verdade é que esse é o dia-a-dia da área de sustentabilidade da maioria esmagadora das empresas. É sério. É assim que funciona. A parte inteligente (e legal) da sustentabilidade fica, quando tem, ou na mão das consultorias, ou na mão das próprias áreas. E às vezes, ou melhor, na maioria das vezes, as áreas, sequer, sabem que o que estão fazendo é sustentabilidade.

Talvez, se a sua empresa for joinha, pode ser que você consiga rodar um projetinho de capacitação de sustentabilidade para fornecedores. E aí a área de suprimentos vai mandar uns 20 representantes dos mais de dois mil fornecedores que a empresa tem e você terá de se dar por muito feliz com isso.

Julianna, tô desenhando um super projeto de eficiência de consumo de água nas fábricas da empresa e quero vender pro meu chefe. Meu caro, se ele comprar, já que, dificilmente é escopo da área, é bem provável que ele tenha de vender para o gestor da fábrica. E se esse gestor comprar, quem vai tocar é a fábrica, não você.

Julianna, criei uma matriz pra fazer mapeamento de ações de sustentabilidade de todas as unidades da empresa e acho que vai ser sensacional. Meu querido, eu também acho, mas a menos que você tenha um chefe brilhante e vanguardista que vai te colocar pra fazer isso, você é pago pra fazer gestão da rotina. Nunca se esqueça disso. Gestão da rotina.

E se o chefe gostar, mas não for brilhante e vanguardista, ele até compra a ideia. E joga pra uma consultoria fazer. Porque é assim que funciona. A parte legal quem faz é consultoria. E cobra uma fortuna pra fazer o que você está seco pra fazer pelo seu salário. Que deve ser 10x menor que a fatura de serviços que vai chegar pro seu chefe assinar daqui a um mês.

Meus caros, sem rodeio ou floreios, essa é a realidade. Há um bom tempo converso com pessoas que estão na área e estão frustradas. Vejo um movimento contrário, com a galera querendo sair da sustentabilidade e buscar novos rumos para a carreira. A boa notícia é que eu acho que tem algumas alternativas e ninguém precisa desistir.

Alternativa um: vá para uma área funcional. Se quer trabalhar com sustentabilidade mesmo, vá pra operação, vá pra fábrica. Vá ver a coisa acontecendo no dia-a-dia. Vá pra longe da sua zona de conforto sem medo que a área corporativa te esqueça. Sustentabilidade não é feita no escritório com a bunda sentada em frente a um computador.

Alternativa dois: vá pra uma consultoria. Mas digo, não está um mercado fácil há uns bons anos. Passada a Rio+20 e com a crise do país, as consultorias especializadas estão estranguladas, já que a maioria das empresas acha que sustentabilidade é um custo que é cortado em momentos tenebrosos. Quando pinta um bom trabalho, geralmente é via uma das Bigs. Portanto, sugiro enviar seu currículo pra Accenture, EY, Delloitte, Price e rezar pra ter uma vaga aberta. Se você conhece alguém lá, o caminho pode ser mais fácil.

Alternativa três: essa é a que mais me chama atenção e é onde acho que pode dar mais caldo. Procure uma empresa cujo business tenha a ver com sustentabilidade. Empresa de energia renovável, empresa de construção sustentável (não confunda com empresa certificadora), empresa de tecnologias sustentáveis, empresa química (sim, empresa química!!) e bla bla bla. Dá uma olhada na área de novos negócios e veja se faz sentido.

E se nada fizer sentido, meu caro, desista de vez. Ou vire hippie.


P.S. Galera, no dia 14/04 em São Paulo, estarei conduzindo um workshop sobre mapeamento e gestão de stakeholders. Ele é bem legal e cheio de atividades práticas. Mais informações sobre conteúdo e inscrições: para contato@sustentai.com ou acessando o link: https://goo.gl/ueup7s


segunda-feira, 5 de março de 2018

Workshop Mapeamento e Gestão de Stakeholders em São Paulo


Workshop de Mapeamento e Gestão de Stakeholders em São Paulo!

Atendendo a pedidos, o Sustentaí embarca em São Paulo para realizar o Workshop de Mapeamento e Gestão de stakeholders. Com duração de quatro horas, ele possui muitas atividades práticas, voltada para a solução de casos reais de sustentabilidade. É mão na massa mesmo! 

O workshop será no dia 14/04, sábado, das 09h às 13h e vai abordar temas como matriz de stakeholders, matriz de priorização, matriz de engajamento e indicadores de impacto. A inscrição para o curso pode ser feita pelo Sympla ou diretamente pelo Sustentaí. Oferecemos desconto para inscrições em grupos e para inscrições feitas até o dia 15/03.

Para informações sobre inscrições, política de descontos e conteúdo do workshop, entre em contato por meio do email contato@sustentai.com



Sustentaí lança programa de educação corporativa para a sustentabilidade

O Sustentaí está lançando o Programa de Educação para a Sustentabilidade (PES) com foco em educação corporativa. O programa envolve palestras, cursos e workshops com abordagens variadas de sustentabilidade que se mistura a temas como comunicação, inovação, gestão do conhecimento e criatividade. 

Utilizamos metodologia que envolve muita interação, atividades práticas e solução de cases reais de forma que os participantes possam aplicar o aprendizado diretamente na sua rotina de trabalho.

Confira alguns produtos oferecidos pelo PES:

Palestras: 
  • O papel da média gerência no engajamento para sustentabilidade;
  • Sexta onda de inovação: SUSTENTABILIDADE
  • Sustentabilidade e RH 
  • Transformando uma empresa em empresa sustentável
Cursos e workshops:
  • Construção de indicadores de sustentabilidade;
  • Canvas sustentável;
  • Inovação em modelo de negócios sustentáveis;
  • O uso da criatividade na solução de problemas críticos de sustentabilidade corporativa.
Se você é de empresa, envie um email para contato@sustentai.com e solicite a nossa proposta com a programação completa do PES.


Estamos dispostos a pagar o preço real da sustentabilidade?

Em artigo no Linkedin, a sócia-fundadora do Sustentaí, Julianna Antunes, faz uma análise sobre custos ocultos da sustentabilidade, como as externalidades ambientais, por exemplo. No artigo, a autora compartilha a responsabilidade da não sustentabilidade entre empresas e consumidores, fazendo uma reflexão se as pessoas realmente estão dispostas a pagar pelo custo real da sustentabilidade. Confira em: https://goo.gl/rz2YtG

Artigos postados entre os dias 21 e 28 de fereveiro:

Falando de sustentabilidade no varejo: https://goo.gl/waH4JH 
Voluntariado empresarial sustentável: é possível? https://goo.gl/j5CxEw

  
Perdeu algum e-book da série Panorama da Sustentabilidade?

O site do Sustentaí está se transformado em uma plataforma de comunicação e gestão do conhecimento para a Sustentabilidade, mas ainda vai demorar um pouquinho para ficar pronto. Por conta disso tivemos de transferir o site de servidor e não conseguimos mais fazer o envio automático dos e-books da série Panorama da Sustentabilidade. Se você perdeu algum deles ou tem interesse na coleção completa, envie um email para contato@sustentai.com fazendo a sua solicitação. É gratuito!


  
Curta o Sustentaí nas redes sociais

O Sustentaí está presente diariamente nas redes sociais por meio de conteúdos divertidos de sustentabilidade. Acompanhe-nos no Facebook, no Instagram, no Twitter e no Youtube!

http://youtube.com/sustentai
http://facebook.com/sustentai
http://instgram.com/sustentai
http://twitter.com/sustentavell 

Sustentaí - Plataforma de comunicação para a democratização da sustentabilidade
contato@sustentai.com // www.sustentai.com.br