segunda-feira, 11 de abril de 2011

A sustentabilidade além das fundações e institutos

Dos anos 90 até meados da última década, foi muito comum o surgimento de diversas fundações e institutos como o braço da responsabilidade social/ambiental das empresas. Ok, isso fazia todo sentido para a época. Acontece que com a passagem para o conceito de sustentabilidade, fazer dessas organizações paralelas às companhias o braço sustentável se tornou um tanto quanto sem sentido.

Não, não sou contra institutos e fundações. Acho que eles têm de existir sim. Mas com o propósito deles: ser o braço de responsabilidade social/ambiental das empresas. Projetos sociais, projetos ambientais, investimento social estratégico, relacionamento com comunidades, eventos, patrocínio... tudo isso faz parte do escopo de uma fundação e continua existindo com a sustentabilidade.

Mas o que vem acontecendo é que, aproveitando a onda, as empresas delegaram aos seus institutos e fundações a tarefa de se praticar a sustentabilidade corporativa. E volta-se a pergunta de milhão que faço no blog desde o primeiro post: o que é sustentabilidade corporativa? Por mais que seja super difícil dizer o que é, não é tão complicado dizer o que não é. Sustentabilidade corporativa não é instituto e não é fundação.

Fundações e institutos são o lado “org.br” das empresas. Ou seja, não dão lucro. Mas existem porque são extremamente importantes para a continuidade de projetos de interesse das companhias. A diferença é que esses projetos não são necessariamente fundamentais para o negócio delas. Por mais que muitas pessoas buzinem no meu ouvido quando falo isso, o dinheiro gasto com a sua manutenção é sim um custo. Necessário, mas custo. E quando é custo, entra diretamente na lista de possível corte ao primeiro sinal de crise.

No momento de bonança que o país está vivendo, as empresas têm mais é que dispor de dinheiro para suas fundações e institutos mesmo, mas não podem se contentar e achar que isso seja sustentabilidade. Além da questão de investimento x custo, fundações e institutos são para tratar questões sociais e ambientais com um olhar para fora da empresa. Sustentabilidade é, fundamentalmente, tratar questões sociais, ambientais e econômicas com um olhar para dentro da empresa.

3 comentários:

Andrea disse...

Muito bom o artigo e concordo com você que as funções são diferentes e com focos diferente.
Mas por ser um assunto ainda desconhecido por muitos, é fácil de ser utilizado de forma diversa ao real conceito da palavra.
A organização tem que ter ações sustentáveis,assim como os institutos e fundações.

ALTAIR LISOT disse...

Olá... muito interessante sua postagem, seu comentário. Não há dúvidas sobre as forças e influências que as organizações exercem no meio social onde atuam. A questão da sustentabilidade deve sim ser vista no âmbito corporativo como um compromisso sério e inadiável por parte dos gestores, corpo diretivo e por todos os colaboradores.Parabéns pelo trabalho e pela perspectiva que abordada. Também estou trabalhando a questão da sustentabilidade na segurança pública (http://segurancapublicacomsustentabilidade.blogspot.com/)e tenho postado algo que tem muita proximidade com seu tema. Parabéns pelo excelente trabalho e pela perspetiva com que tem abordado o tema no mundo empresarial. Um forte abraço.
Atenciosamente.
Altair Lisot

Thiago Machado disse...

É Juliana, a questão que levanto é que a RSE(A) tem sido na verdade um grande negócio. Grande sinal disso é a separação das atuações "socioambientais" do Bill Gates e da Microsoft.

E mais prova ainda de que isso é lucrativo é que a Microsoft, em plena crise financeira, e na qual ela sofreu queda de lucros, aumentou o investimento social da empresa.

Ou seja, a RSEA foi vista como uma solução à crise.