terça-feira, 28 de abril de 2015

As tragédias no mundo e o desafio da logística humanitária

Em 2010, fui fazer alguns cursos de sustentabilidade na Espanha e na Inglaterra. Alguns cursos bem diferentes, tipo, Poka Yoke e sustentabilidade, e outros super comuns, como gestão da sustentabilidade. Um dos cursos que fiz, sabia que, provavelmente, não me seria “útil”, mas me traria conhecimento. E como sempre digo que conhecimento não faz o dedo do pé apodrecer, lá fui eu.

O curso em questão foi sobre logística humanitária e 2010 havia sido um ano emblemático para o assunto por causa do terremoto no Haiti. No curso, tive a oportunidade de conhecer dois papas do tema, José Holguín-Veras, diretor do Centro para Infraestrutura, Transporte e Meio Ambiente da Universidade de Rensselaer, e Luk Van Wassenhove, diretor do grupo de pesquisa humanitária do INSEAD.

Já falei anteriormente sobre o assunto aqui no blog, mas resolvi falar novamente porque o mundo sangra diante do terremoto no Nepal. Falar de logística humanitária, hoje, é pertinente. No entanto, se levarmos em conta, a questão do aquecimento global, tragédias climáticas poderão se tornar uma constante na realidade dos países. E aí, falar de logística humanitária será cada vez mais necessário.

A primeira coisa que se deve ter em mente é que logística humanitária é uma logística bem diferente da empresarial e da militar. Se pensarmos do ponto de vista empresarial, um dos principais objetivos da logística que a gente conhece é minimizar o custo financeiro, por exemplo. Já para a logística humanitária, o objetivo é minimizar o custo social da tragédia.

Além de todo o problema que as regiões que demandam por logística humanitária passam por conta da própria tragédia, algumas particularidades dificultam esse processo, já que o fator imprevisibilidade é marcante. Inclui-se aí o desconhecimento da demanda, demanda extremamente dinâmica, interações desestruturadas e controladas por milhares de tomadores de decisão, falta de padrão, complexidade na gestão, já que envolve governo, organizações voluntárias, setor privado, indivíduos...

Um dos pontos mais importantes e mais nevrálgicos da logística humanitária é o gerenciamento das doações, que acaba por impactar a cadeia como um todo. A média histórica indica que por volta de 60% delas são inutilizáveis. O problema é que elas acabam ocupando espaço nos estoques, muitas vezes restritos, além de demandar força de trabalho, tempo e dinheiro que poderiam ser utilizados em ações que fossem realmente efetivas para o cenário de tragédia.


Muito do problema tem a ver com a gente, sociedade. Há casos, por exemplo, de doações de casacos pesados para países tropicais. Há casos de doação de smokings! Por isso deixo uma reflexão e uma pergunta, mesmo sabendo que o tema só foi abordado superficialmente: ao conhecimento de alguma tragédia, seja local, nacional ou internacional, o que podemos fazer para minimizar o custo desse sofrimento indo além do que apenas procurar em nosso armário alguma roupa velha para doar?

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