terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Sustentabilidade nas microempresas: é possível?

Não entrarei no mérito de que sustentabilidade é investimento e não custo. Para mim isso é questão mais do que superada. Mas o fato é que ainda que seja investimento e ainda que dê retorno ao longo do tempo, é preciso ter algum dinheiro para adequar a empresa e seus processos à sustentabilidade. Por isso ela acaba ficando relegada às organizações de maior porte. É?

É claro que quando falamos de uma grande empresa, ou mesmo uma média empresa, pensar em questões simples como coleta seletiva e uso racional de água e energia é básico demais e por isso exigimos mais delas. Mas mesmo as microempresas podem ir além do basicão e gastando pouco. Para isso o segredo está em uma palavra: gestão.

A primeira questão que se deve ter em mente é: o que é importante de sustentabilidade para minha empresa? O que meus clientes pensam, o que eles querem em relação à sustentabilidade? Se eu sou uma B2B e quero fornecer para uma grande empresa, o que eu devo considerar? Se eu sou uma B2C, o que preciso mostrar como diferencial competitivo de sustentabilidade para o consumidor, de forma que ele perceba no momento da compra um produto de alto valor agregado?

Depois de definir os temas, é a hora de identificar o que a minha empresa já faz em relação ao que considero importante para a sustentabilidade. Em muitos casos, independente do porte da empresa, já há uma série de iniciativas individuais que são postas em prática pelos funcionários sem que haja comunicação das mesmas. Melhoria de processo é natural ao ser humano. Se eu vi que é melhor fazer a atividade de outro jeito, eu vou fazer. Comunicá-la é outra história.

Mas como, então, eu vou saber o que vem sendo feito se as pessoas não comunicam?

Em uma microempresa, é ainda mais fácil de identificar o que os funcionários fazem, mas para todas as organizações, de qualquer tipo, de qualquer tamanho, de qualquer natureza, dou sempre o mesmo conselho: vá para rua. No caso, vá para operação, vá conversar com quem coloca a mão na massa e faz tudo acontecer. Não raro, essas pessoas sequer têm noção de que o que estão fazendo é sustentabilidade. Registre essas informações coletadas. Depois, veja o quanto cada iniciativa custa e o quanto ela gera de benefícios. Mais, veja se as iniciativas são replicáveis a outras áreas/processos.

Depois do mapeamento, faça uma análise de onde você está e onde gostaria que estivesse. Trace um plano de execução com cronograma para cada uma das ações. Avalie custo, tempo, recursos humanos, recursos físicos necessários, impactos gerados. Avalie o retorno e veja se vale a pena investir nesse plano ou onde investir primeiro. Pode ser que muitas das ações, sequer, tenham custo financeiro. Não raro, é apenas uma questão de melhoria de processos. Se o problema é destinação de resíduos, por exemplo, que tal pensar primeiro em redução de desperdício ou mesmo de consumo de matéria prima?

Somado a tudo isso, fica a dica: se sustentabilidade não for um tema fácil ou natural para você, busque conhecimento. A internet tem muito material bom. Há livros maravilhosos que valem muito mais que a maioria dos cursos pagos que tem por aí. Frequente eventos gratuitos, faça networking, converse com quem tem experiência no assunto.

Ademais, traga o tema para a empresa sempre que possível. Promova bate-papos com os funcionários, leve o conhecimento a quem é responsável pela operação diária, opte, nas próximas contratações, por profissionais que já tenham essa pegada. Procure criar uma cultura para a sustentabilidade. Não é rápido, confesso, mas o retorno é sensacional. 


1 comentários:

Sabryna Sabino disse...

Sustentabilidade para assegurar perenidade dos negócios.Astartup www.destineja.com.br conecta empresas geradoras de resíduos a destinadores licenciados numa plataforma web. Foco na redução de custos, eliminação de passivos ambientais e aumento da sustentabilidade.