quinta-feira, 20 de setembro de 2018

As lições que aprendi no Dia Mundial da Limpeza em Aquiraz

No início da semana passada, recebi um convite totalmente inesperado do pessoal do Beach Park, o de participar do Dia Mundial da Limpeza em Aquiraz, na região metropolitana de Fortaleza. Apesar de nunca ter participado de ações do movimento, aceitei. Mas antes de contar minha experiência, pausa para explicar aos leitores o que é o Dia Mundial da Limpeza.

 O Dia Mundial da Limpeza é uma ação global criada pela ONU e organizada pelo Let’s Do It, um movimento cívico iniciado na Estônia em 2008, quando 50 mil voluntários se mobilizaram para limpar o país inteiro em cinco horas. Desde então o movimento se espalhou pelo mundo e hoje está presente em mais de 150 países. Aqui no Brasil a ação é organizada pelo Instituto Limpa Brasil, que em suas diversas iniciativas já evitou que mais de 3.000 toneladas de resíduos fossem descartadas incorretamente.

 Pois bem, sendo a minha estreia no Dia Mundial da Limpeza, não fazia ideia do que esperar. A verdade é que por mais que eu trabalhe com sustentabilidade há bastante tempo, fiquei tentando adivinhar as motivações das pessoas em acordar cedo em pleno sábado para fazer um trabalho voluntário de coleta de lixo.

Mas acredite em mim, as pessoas vão. E vão no mundo inteiro, seja um sábado de sol, seja um sábado de chuva. E com isso, a primeira lição que aprendi com essa iniciativa foi que a sustentabilidade, a vontade de fazer a diferença, estão motivando cada vez mais as pessoas a atuarem em prol de um mundo melhor.

Lá em Aquiraz, a iniciativa foi capitaneada pela Pordunas, a Associação de Moradores de Porto das Dunas, em parceria com o Beach Park. Foram 300 voluntários vindos de três cidades do Ceará, o dobro do ano passado. Na ocasião, eles se dividiram em diversos grupos que percorreram os 6km da praia, além de alguns trechos urbanos e a APA do Rio Pacoti.

Manhê, olha eu aqui! Créditos: divulgação

A coisa mais linda foi ver a quantidade de crianças e adolescentes participando da ação, principalmente por causa do escotismo. E aí a segunda lição que eu tirei naquela manhã (e que na verdade eu já sabia, mas reafirmei minha convicção) foi: as crianças de hoje serão os adultos que salvarão o planeta amanhã. E como isso é bom!

E aí que durante o dia foram recolhidas 23 toneladas de lixo. Perceberam a insanidade? Vinte e três mil quilos de resíduos em um único dia. E olha que lá era tranquilo. Aqui no Rio, ao final de um dia de praia, a tragédia é completa. Para entenderem o que eu digo, no último réveillon de Copacabana, ao final da festa, os garis coletaram 290 toneladas de lixo. Surreal, não? E aí fica a terceira lição: educação é fundamental. Seja educação ambiental na escola, seja educação de civilidade dentro de casa.


Créditos: eu mesma

Acabou que não fui para Aquiraz apenas para cobrir o evento. Coloquei a mão na massa também e fui eu em busca dos resíduos. Confesso que recolhi umas coisas que não faziam sentido numa praia, tipo, uma fralda descartável. Sério. Mas também recolhi muita coisa óbvia, que não precisava estar lá, como cacos de vidro e copos plásticos.

Por uma questão local, uma coisa me chamou atenção e acredito que tenha de ser o novo foco na limpeza de praias, rios e mares: o micro lixo. Lá em Porto das Dunas, a praia recebe muitos pescadores e a coisa que mais recolhi foi pedaços e fios soltos de rede de pesca. Muitos, muitos, muitos mesmo. E acredito que boa parte tenha vindo do mar para a areia. Agora imagina o quanto disso não foi parar no estômago dos peixes? Porque é o que acontece. Então ficou aqui mais uma lição: não adianta só focar na educação das pessoas para não deixarem seus resíduos em qualquer lugar. É preciso mobilizar todo setor industrial e academia com pesquisa de materiais e mudanças nos processos produtivos para resolver o problema do micro e do nano lixo.


Créditos: divulgação

Enfim, esse foi o resumo não tão resumido dessa oportunidade sensacional de fazer o bem ao planeta. Isso sem contar todas as experiências que vivi nesses três dias. Por isso agradeço demais ao Beach Park por ter me proporcionado momentos inesquecíveis, nessa que, certamente, foi a melhor e mais incrível viagem que fiz por conta do blog. Ah, saibam que perguntei sobre o programa ambiental do parque, afinal, a água, o nosso bem mais valioso, é matéria prima fundamental para o funcionamento do complexo. E acreditem, é foda. Principalmente porque eles fazem um trabalho muito legal de sensibilização com um público altamente flutuante, o que torna tudo mais complicado.

E só para vocês se encantarem um pouquinho com o meu paraíso (o:

Vista do quarto em que fiquei no Suítes Beach Part Resort

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