domingo, 19 de julho de 2009

Entendendo a vantagem competitiva da sustentabilidade

Em qualquer área de negócio muito se fala da importância da vantagem competitiva e no quanto ela traz rentabilidade para a empresa. Sabendo que a globalização derrubou os muros e acirrou os mercados, estar um passo à frente da concorrência pode significar, em muitos casos, a própria sobrevida da organização. Mas qual o significado real disso tudo? Por que a sustentabilidade corporativa é vista como vantagem competitiva?

Na sustentabilidade, muitas ações ou atitudes que foram inovadoras do passado, e depois de benchmarking viraram moda, hoje servem de base para leis e regulamentações que tornam o mercado cada dia mais restritivo. Um exemplo disso surgiu essa semana, quando o vice-governador do Rio de Janeiro sancionou uma lei que proíbe o uso de sacolas de plástico nos supermercados.

É claro que a lei não será aplicada de um dia para o outro e que todos os estabelecimentos terão tempo para adaptação. Mas pensemos na diferença entre quem já vem estimulando o uso das chamadas ecobags e em quem não se atentou ou ignorou a tendência: custo de adaptação à lei, busca de novos fornecedores (ou necessidade de adaptação dos atuais), negociação por melhores preços... e por aí vai.

Outro exemplo é a regulação da EU ETS (European Union Emission Trade Scheme), comissão que trata do comércio de emissão de carbono na Europa. Sob a supervisão da EU ETS, empresas de diversos setores têm suas emissões de carbono monitoradas e limitadas. Quando esse limite é atingido, elas precisam comprar permissão para novas emissões. Resumindo: poluir está cada vez mais caro. Empresas que se preocuparam no passado com a ecoeficiência dos processos, hoje estão prontas para as imposições do mercado e ainda podem lucrar com a comercialização de créditos de carbono.

Já falei aqui sobre duas diretivas européias que entraram em vigor recentemente, limitando o uso de determinadas substâncias na fabricação de equipamentos elétricos/eletrônicos (RoHS) e responsabilizando o fabricante pelo tratamento dos resíduos e descarte do produto (WEEE). Além delas há a REACH (Registration, Evaluation, and Anthorization of Chemicals), que trata do registro, avaliação e autorização de uso de produtos químicos.

Se pararmos para pensar, apesar das diretivas dizerem respeito apenas ao mercado europeu, elas impactam toda a cadeia produtiva, que nos dias de hoje é global. E mesmo que o produto seja, por exemplo, 100% brasileiro, terá de estar em conformidade com as diretivas caso queira ser comercializado na Europa (mais informações sobre a conformidade, clique aqui). Vale ressaltar também que já existe uma série de restrições do tipo nos EUA, Japão, Austrália e até mesmo na China. A pergunta é: quanto custa se adequar a essas diretivas agora? E quanto custou para quem percebeu isso antes?

As empresas hoje, principalmente as que têm fábricas em países em desenvolvimento, devem ter em mente que levar a operação para locais onde a legislação é mais amena já não resolve mais o problema. Restrições ambientais e sociais são tendência do mercado. Estar pronta para elas é o mínimo que se espera para permanecer no jogo. Se antecipar a elas é ter vantagem competitiva. E independente do estágio em que as empresas se encontram, estar em conformidade com as regulamentações é pré-requisito para todos que queiram competir num mundo que não comporta mais os excessos cometidos no passado.

5 comentários:

Ana disse...

juliana, vc tocou em um dos pontos que vou ressaltar na minha dissertação..com certeza irei lhe citar...vc ja pensou em escrever um livro?

Julianna Antunes disse...

Hahahahahahahahaha não consigo passar da segunda página. Ou a inspiração termina ou tudo é dito em poucos parágrafos.

Rosana disse...

Como já foi falado anteriormente, o Brasil poderia aproveitar está eco tendência mundial e tornar-se um protagonizador ambiental. Possuímos recursos natural e renovável, porém estamos com escassez do ardor da sociedade e do governo lutarem por esta posição...

Thiago disse...

Parabéns pelo Blog. Além das teorias reconhecidas, opiniões sobre o tema são sempre bem-vindas. Ajudam a refletir. abs

Luiza http://empresajrlasalle.wordpress.com/ disse...

Oi querida! adorei o seu blog! Muito bem feito. Meu Nome é Luiza e escrevo para o blog da empresa júnior da minha faculdade Uni La Salle RJ. Estou escrevendo um artigo sobre empreendedorismo sustentável e achei o seu blog uma forte fonte de consulta! Publicarei em breve o artigo onde cito o seu sobre as vantagens competitvas. Nosso blog ainda está engatinhando, mas toda semana serão postados artigos sobre empreendedorismo e coisas relacionadas à planejamento de negócios de pequenas e micro empresas. Nós trabalhamos com consultoria na área de planejamento de negócios e estudo de mercados, nosso serviço é totalmente de graça e voltado principalmente para a comunidade local. Bom ficaremos feliz em adicionar o seu blog aos favoritos de nossa página,pois ele contém ótimo conteúdo sobre um assunto que é de interesse dos visitantes do site, ficaremos felizes também se você puder fazer o mesmo por nós! Quando plublicar o artigo mando um link para você!
Abraços.
continue o bom trabalho!
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