domingo, 26 de julho de 2009

Os limites da sustentabilidade

Mesmo com toda a dificuldade de se implementar a sustentabilidade em uma empresa, o conceito acaba apaixonando. E apaixona tanto que é comum exagerar a dose e não saber onde parar. Essa dúvida envolve a área como um todo, atingindo projetos administrativos e os que envolvem o próprio negócio. Nos projetos administrativos as questões são mais simples. Aparentemente.

Há certa simplicidade quando se estabelece como meta a reciclagem de 100% do papel utilizado. Quando falamos em reciclar, em jogar o material na lixeira correta, o sucesso da ação está relacionado à postura e educação das pessoas. Uma boa gestão da mudança é capaz de lidar bem com a resistência que possa surgir.

Mas e quando estabelecemos a meta de eliminar o uso de copos de plástico, por exemplo? Nesse caso, estamos falando só de postura e educação? É claro que podemos (e devemos) conscientizar os funcionários a utilizarem suas próprias garrafinhas. Mas quando um cliente, um fornecedor, ou visitante vai à empresa, o que fazemos? Pedimos para trazer seu squeeze? Adotamos o copo de vidro, que acarretará maior gasto de água? 

E quanto aos processos de negócio, até onde se deve ir? Dois exemplos críticos são a gestão de stakeholders e a avaliação do rastro de carbono. No caso dos stakeholders, a pergunta-chave é: como satisfazer a todos sem prejudicar a empresa? A resposta: praticamente impossível. Por isso é necessário criar um ranking que dê parâmetro para a empresa na hora de se relacionar com o seu público de interesse.

Para elaborar esse ranking é preciso mapear todos os stakeholders da organização. Com o mapa, cria-se uma matriz de priorização que contemple, principalmente, o poder de influência, a legitimidade do relacionamento e a urgência das demandas de cada um dos stakeholders. Com o resultado, é possível identificar os que mais impactam o negócio e a partir daí acompanhá-los mais de perto.

No que diz respeito ao rastro de carbono, o processo é ainda mais complexo. Uma empresa realmente sustentável não analisa apenas o seu rastro, mas sim o de sua cadeia de valor estendida, ou seja, inclui-se também a operação dos fornecedores e o descarte final do produto. Uma das ferramentas mais úteis para o processo é a LCA (Life Cycle Assessment), que trata da avaliação do ciclo de vida de um produto.

A LCA permite o desenvolvimento de um auto-retrato ambiental e maneiras de reduzir os danos causados. No entanto, o uso da ferramenta não é simples. Sem limites para a análise, a LCA pode sair do controle. Em contrapartida, conhecer profundamente a sua cadeia de valor pode gerar vantagem em relação à concorrência. Mas como agir, ou melhor, até onde se deve ir com essa análise? Bom senso e o bom uso do Princípio de Pareto (80% do trabalho advém de 20% dos problemas) podem ajudar.

A questão é que no que diz respeito à sustentabilidade, nem sempre é viável fazer o melhor. Um procedimento vai levando a outro, e a outro, e a outro... e, em pouco tempo, o que era para ser simples, ganha proporções incontroláveis. É preciso ter em mente que às vezes fazer o possível, com resultados concretos, tem muito mais valor do que tentar fazer o máximo e não conseguir passar do planejamento.

6 comentários:

Dalton disse...

Parabéns Julianna, adorei o seu texto, nos remete a pensar a cerca das questões ambientais e de que forma podemos contribuir p/ a sustentabilidade.

marcos disse...

Olha eu tambem estou nesta dos 100 na mesma area que voce, mas compartilho seu blog e voto nele um abraço e parabens
setrisustentabilidade.blogspot.com

Marcos Torres disse...

Prezada Juliana,

Gostei muito de seus textos, parabens!

Trabalho com Sustentabilidade empresarial para algumas das maiores empresas do pais...

Dai então comecei a entender... que a tal sustentabilidade empresarial... é algo muito distante do que conhecemos ou pensamos conhecer.... Pois o que conhecemos como tripé da Sustentabilidade... na verdade é um pé (econômico) suportando outros 2 pés (Social e Ambiental). Onde o nosso amigo $$ sempre fala mais alto!

Mas minha função não é ficar conformado com isso... e sim fazer como vc... tentar mudar pelo menos um pouco a realidade das empresas!


Parabéns pelo trabalho e conte comigo!


Abs
MT

Julianna Antunes disse...

Pois é, Marcos, as empresas nunca deixarão de ter o financeiro como principal fator de decisão. Mas a gente faz o que pode sempre. Se ela dá pouco dinheiro pra área, a gente faz milagre. Criatividade serve pra isso mesmo! hehehehe

Obrigada pelo comentário e volte sempre!

Anônimo disse...

caríssima Juliana,parabéns...o texto me repassou o quanto posso de alguma forma estar contribuindo para o TODO através de minha empresa...uma abraço...Nilma Furtado-ITAPAGIPE MG

Julianna Antunes disse...

Nilma, obrigada pelo comentário! Acho que é melhor fazer o que dá pra ser feito, do que não fazer nada porque se quer fazer tudo e o tudo não é possível.

Sábio quem disse que o ótimo é inimigo do bom.