Que a construção civil é uma das principais molas propulsoras da economia mundial, isso é inegável. Só para ter uma idéia de sua importância, no Brasil, ela é responsável por 63% da formação bruta de capital fixo e 15% do PIB. Além disso, movimenta por volta de 400 bilhões de reais por ano, sendo responsável por mais de 2.2 milhões de empregos diretos. Sem contar, ainda, a infinidade de empregos indiretos.
Apesar de sua indiscutível importância para o desenvolvimento do país, a construção civil é apontada como uma das indústrias que mais impactam o meio ambiente. Para se ter uma idéia, o setor consome 2/3 da madeira natural e cerca de 50% dos recursos naturais do planeta, sendo grande parte de recursos não renováveis. Além da extração, o processo produtivo também é bastante nocivo. A fabricação de cimento, por exemplo, é responsável por 8% do total de emissões de GHG. Fora a quantidade de material desperdiçado e os resíduos gerados ao final de uma obra.
Falando especificamente do Brasil, uma das maiores dificuldades para implementação da sustentabilidade no setor da construção civil, diz respeito à falta de iniciativas públicas de infra-estrutura, o que acaba elevando, e muito, o custo de uma casa ou um prédio sustentável. Como exemplo mais óbvio, há o fato de termos perfeitas condições climáticas para a utilização de energias limpas, como a solar e eólica, mas concentrarmos o investimento em outros tipos, como a termoelétrica e até mesmo a nuclear.
No mundo já pipocam certificações voltadas para construções sustentáveis, como a americana LEED (Leadership in Energy and Environment Design), mais famosa, e a francesa HQE (Haute Qualité Environment). Há, ainda, a certificação AQUA (Alta Qualidade Ambiental), baseada na HQE, e que vem a ser o primeiro referencial técnico para construções sustentáveis adaptado à nossa realidade. De modo geral, essas certificações se fundamentam no princípio de eficiência energética, uso racional de água, coleta seletiva, qualidade ambiental interna da edificação etc.
Além de uma certificação brasileira, foi criado em agosto de 2007 o CBCS, Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, que tem como objetivo induzir o setor da construção a utilizar práticas mais sustentáveis, melhorando a qualidade de vida dos usuários, dos trabalhadores e do entorno das edificações. O CBDS é composto por diversos comitês que tratam de assuntos específicos relacionados à sustentabilidade no setor, como materiais e finanças (além dos óbvios água e energia).
Mesmo com o custo ainda elevado e o tempo de retorno relativamente longo, o setor de construção sustentável já tem grandes iniciativas. No Rio de Janeiro, na Cidade Nova, o prédio da Universidade Corporativa da Petrobras é o primeiro prédio brasileiro de grande porte com certificação LEED . E o bom da onda de construção verde é que ela não atinge apenas grandes empreendimentos ou é demandada apenas por grandes empresas.
A construtora Vez das Árvores entregou no final de 2008 o primeiro prédio público sustentável de Santa Catarina, o posto da Polícia Militar e Ambiental da Praia do Rosa. Através da bioarquitetura, os responsáveis pelo projeto se focaram num design que aproveitou a ventilação natural, captação e aproveitamento da água da chuva, iluminação natural, telhado verde, painéis solares e tratamento de esgoto anaeróbico. Além disso, de olho na responsabilidade social, a empresa capacitou mão de obra local e se preocupou com a acessibilidade de toda população.
Não podemos esquecer que nos próximos sete anos a cidade do Rio de Janeiro, principalmente, se tornará um canteiro de obras por conta da realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas. É uma grande chance que temos não apenas para fazer o que é certo, mas também para criar infra-estrutura e cultura orientadas para a sustentabilidade. Até lá, espero que o custo não seja mais desculpa. Além disso, espero, também, que a atitude da população seja, no mínimo, mais respeitosa ao meio ambiente. Afinal, qual o sentido de morar numa casa sustentável e continuar desperdiçando água, energia e gerando grandes volumes de lixo desnecessariamente?
Links interessantes:
www.ecohabitararquiterura.com.br
www.vezdasarvores.com.br






8 comentários:
Oi Juliana,
Costumo ler seu blog, mas nunca comento. Como um engenheiro elétrico recém formado, a questão da sustentabilidade corporativa é algo que me interessa. Interessante seu artigo, visto que provavelmente ingressarei na área de construção civil. Bom trabalho o seu, espero que continue.
Abraço
Uma outra questão interessante hoje, além dos projetos sustentáveis, é a inserção da sustentabilidade para clientes.
Dicas e informações a respeito do assunto. Algumas empresas já tem adotado essa prática, com material focado para clientes. Tenho alguns exemplos.
Boa tarde Julianna, mais um excelente artigo, você traça com maestria os paralelos do cotidiano com a Sustentabilidade.
Vale a pena ser fiel leitor dos seus artigos.
Eng. Jorge Paulino
Wilson, obrigada pelas palavras. Aproveite a sua formação e aproveite o momento que estamos vivendo. O mercado está todo aberto e quem pensar na sustentabilidade de forma estratégica, tem tudo para ter muito sucesso na carreira!
Vinícius, com certeza. Muitas empresas querem praticar a sustentabilidade, mas não sabem como começar. Aí que entra o nosso trabalho de consultoria. Me passa esses exemplos, fiquei interessada.
Jorge, não escreve essas coisas senão eu fico metida, hein! Beijão e obrigada!
Julianna!
Nossa, fiquei muito feliz com seu post! pq o disperdicio e a geração de residuos na construção é enorme! Na minha faculdade há pesquisas para o reaproveitamento dos residuos, principalmente do gesso.
Indiquei seu artigo para todas minhas amigas pesquisadoras!
beijos e SUCESSO!
Olá Julianna
Parabéns pelo artigo - um grande abraço.
Arq. Martha Nader
Olá Juliana,
Depois que descobrir seu blog virei sua seguidora.
Esse post seu é muito bom.Gostaria de saber vc sabe alguma coisa sobre usina de reciclagem de residuos da construção civil.tenho interrese nessa atividade.
Sds
taísa
Taisa, acho que esse texto pode te ajudar.
bjs
http://revistagloborural.globo.com/GloboRural/0,6993,EEC1706240-5809,00.html
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