sábado, 14 de novembro de 2009

Quando o chique é ser eco

Num passado não muito remoto, era comum associarmos os ambientalistas aos hippies, seja por seu estilo de vida, suas vestimentas ou apenas o grande apreço pela natureza. Ainda bem que essa fase passou e ser sustentável hoje é muito mais do que a barba por fazer, sandália rasteira do pé e o lema paz e amor no coração. 

Já escrevi aqui sobre o assunto, sobre como a moda se mostra cada vez mais engajada e a preocupação pela sustentabilidade nos processos de produção. Vale relembrar que a indústria têxtil é a quarta que mais consome recursos naturais, sendo o algodão responsável por 30% dos pesticidas utilizados nas plantações de todo o mundo.

Além de todas as questões de impacto do processo produtivo da moda, também já citei o poder que ela tem de criar o hábito da responsabilidade. Mas a moda pode ir muito mais adiante. Um livro recém-lançado no país pela editora Larousse, o Eco Chic – guia de moda ética para consumidor consciente, da jornalista inglesa Matilda Lee, trata de como nós, meros consumidores, aficcionados ou não por moda, podemos ajudar a construir um mundo melhor.


Com uma série de dicas, o Eco Chic instiga seus leitores a por em prática ações bem simples. De acordo com o livro, uma camiseta lavada em água quente, secada e passada a ferro, libera 4 quilos de dióxido de carbono na atmosfera. Aqui no Brasil não é comum o hábito de lavarmos a roupa com água quente, a não ser que seja para tirar alguma mancha. Menos mal, mas ao invés de secadoras, aproveitemos o nosso clima maravilhoso e coloquemos a roupa no varal. E quanto a passar, que tal apenas as roupas de sair? Mais ecológico e bem mais econômico, não acham?

Outra dica, essa não tão simples, mas que já é bem disseminada, é a de boicotar marcas que fazem uso de condições precárias de trabalho em países subdesenvolvidos. Além dessa questão social, a autora aponta outra que quase nunca paramos para pensar: a da energia consumida e a da poluição gerada no transporte dessas mercadorias para os países consumidores. E eu ainda coloco outro ponto: privilegiando produtos locais, estamos desenvolvendo a nossa economia e a nossa sociedade.

Muito na moda entre os moderninhos, Matilda Lee aponta o consumo de roupas de segunda mão como atitude muito além de vintage. Aí entramos naquele círculo virtuoso do reciclar, reutilizar, reduzir. O que não serve mais para mim pode servir para outra pessoa. Uma peça remodelada pode ganhar cara nova e muitos outros anos de utilidade. Sem contar que aumentando a vida útil de um produto ou comprando algo de segunda mão, o seu bolso também vai agradecer.

Outra dica valiosa é evitar o uso de roupas feitas de materiais sintéticos, pois sua decomposição é bastante lenta (até 200 anos), além de liberar metano e contribuir bastante para o aquecimento global. O poliéster também deve ser evitado, pois apesar de barato, sua composição contamina o ar, a água e soltar substância cancerígena.

Por fim, sempre vou bater naquela tecla da mudança de mentalidade. Neste caso específico, o mais chique de tudo é exatamente isso. Não há sentido algum em colocar a roupa para secar em varal, não comprar nada “Made in China” e evitar as roupas feitas de material sintético ou algodão comum, se a cada estação o dedo coça para trocar tudo que está no armário.

2 comentários:

Kellen Guimarães Pereira disse...

Sustentabilidade é um conceito universal e deveria estar em todas as temáticas humanas...
Abraço
Kellen
http://www.meumundoamigo.blogspot.com
Pense numa idéia que pode mudar o mundo e coloque em prática!

Laís Yazbek disse...

Julianna,

Você sabe se o livro comenta sobre o mercado de casacos de pele, bolsas de couro de animais, etc? A demanda por esses produtos será que está diminuindo ou ainda continua como símbolo de status? Pelo o que eu percebi, novamente eles entram apenas no tema ambiental sem focar em outras questões importantes como os animais, condições de vida dos trabalhadores da indústria textil, etc...Não me entenda mal, esse livro já é um grande avanço, acho ótimo! Mas ainda há muito o que evoluir.