quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A sustentabilidade nas microempresas

Num país com quase 15 milhões de micro e pequenas empresas que respondem por mais de 28 milhões de empregos e 99% dos negócios, falar de sustentabilidade parece ser fundamental. E também parece ser utópico. Ela é fundamental se pensarmos que muitos desses pequenos empreendimentos fazem parte da cadeia produtiva das grandes organizações e é utópico se pensarmos que não mais que 1/3 deles é formalizado.

Quando falamos de sustentabilidade corporativa, antes de qualquer projeto mirabolante, as empresas precisam resolver pendências internas. É claro que para microempresas ela começa na legalização do negócio e depois passa para questões do tipo não fazer uso de produtos piratas. Mas aí entramos em uma discussão mais ampla, onde políticas públicas, reformas tributárias e incentivos são necessários. Já temos o empreendedor individual, que foi um grande passo, mas muitas outras coisas precisam ser feitas. E isso demanda tempo.

O que quero falar aqui tem a ver com o que pode ser feito agora dentro da realidade dessas micro e pequenas empresas. Primeiramente separemos em dois grupos. Um englobando as já que existem juridicamente e fornecem para empresas maiores. O outro englobando os 10 milhões de empreendimentos que atuam na informalidade.

Falar de sustentabilidade para o primeiro grupo é relativamente mais simples, uma vez que diversas grandes empresas já exigem postura sustentável de seus fornecedores. É isso ou vai ter de cair fora. Para se ter uma idéia, a Petrobras exige de seus fornecedores a certificação ISO 14001, independente da natureza do negócio. É claro que não é o mundo ideal, já que para a prática plena da sustentabilidade, a mudança de postura é fundamental. Mas seja por obrigação ou por consciência, o que interessa é que algo já está sendo feito.

O segundo grupo é bem mais complicado, pois estamos falando, muitas vezes, com pessoas que resolveram empreender por falta de oportunidades no mercado de trabalho. E esses empreendimentos, na maioria das vezes, são criados em condições adversas, sem muita estrutura, sem qualquer tipo de planejamento e com pouca circulação de dinheiro. Pergunto: como falar de sustentabilidade para a cabeleireira que monta um salão no quintal de sua casa ou para o dono do boteco no beco da favela?

Para esse segundo grupo, sustentabilidade não pode significar nenhum tipo de custo, muito pelo contrário, ela tem de viabilizar, sempre que possível, o lucro. E aí vêm outras perguntas: como mobilizar, educar e conscientizar essas pessoas para a importância de ser sustentável? Que tipo de informação passar para elas? Quem vai levar as informações?

Respondendo o “o que”, há formas muito simples de pequenos empreendedores praticarem a sustentabilidade, pois as informações são bem próximas à sustentabilidade do nosso dia-a-dia. Evitar desperdício de qualquer ordem, fazer consumo responsável de energia e água (mesmo sabendo que em muitos casos os “gatos” fazem parte da rotina desses empreendimentos), coleta seletiva, reciclagem. É pouco, mas se pensarmos num universo de cerca de 10 milhões de empresas, é um baita impacto para o meio ambiente.

Depois de respondido o “o que”, o maior desafio é de o como alcançar pequenos empreendedores espalhados por todo o país. Aí entra uma ferramenta muito em moda nos dias de hoje e fundamental em tempos de globalização: cooperativismo. Além disso, o SEBRAE se torna peça chave nessa empreitada, seja mobilizando, organizando eventos ou aplicando treinamentos.

A questão é que não importa se a sustentabilidade será disseminada pelas associações de bairro, por órgãos públicos ou até mesmo por parceria com as grandes empresas. O que importa para o desenvolvimento sustentável é que é preciso fazer alguma coisa nesse sentido e o melhor de tudo é que, por mais complexo que seja, é plenamente possível.

2 comentários:

Taisa disse...

Olá juliana!!


Gostei muito do seu texto.Pois tenho tentado abrir uma empresa de coleta de residuos,mas quero fazer a diferença ser legalizada diretinho como manda a lesgilação ambiental.porém minhas tentativas junto a secretaria de meio ambiente do meu municipio foi frustante.As pessoas designadas para trabalhar nesse setor não tem ideia do que é legalização ambiental, não tem preparado ou conhecimento,tornando o processo inviavel.Eu penso que o poder publico deveria ser um conciliador para que se possa legalizar as micros e pequenas empresas orientando-as.Mas para isso é necessário ter pessoas que entendem do assunto.

Julianna Antunes disse...

Taisa, um dos maiores problemas que envolve a questão ambiental é a burocracia. O pai de uma amiga minha, tem uma ilha em angra e queria fazer um hotel totalmente voltado para o meio ambiente, para a sustentabilidade... pergunta se ele conseguiu a licença? Sabe o q aconteceu? Largou de mão e o espaço está se degradando com o tempo. Por mais feio que seja, às vezes querer fazer o que é certo não é a melhor saída.