segunda-feira, 21 de junho de 2010

Comércio justo na prática – o caso Mega Matte

Num dos posts da semana passada falei um pouco do que vem a ser comércio justo, seu surgimento, os órgãos que tratam do assunto no mundo e no Brasil. Pois bem, agora quero falar de um caso prático, e melhor, 100% brasileiro. A Mega Matte é uma empresa alimentícia de varejo carioca, com sete lojas próprias e 48 franquias, que viu na sustentabilidade não apenas uma forma de se diferenciar da concorrência, mas também uma possibilidade de lucro. 

A relação da Mega Matte com a sustentabilidade começou em 2008, quando, de olho no mercado europeu, a rede se deu conta de que o caminho para chegar lá não seria simples. Com essa possibilidade de crescimento batendo na porta, em 2009 a rede adotou o modelo de comércio justo. Essa iniciativa acabou indo de encontro ao que o Sebrae, na época, buscava: uma empresa para acompanhar o processo de certificação da cadeia produtiva.

Pouco mais de um ano depois da iniciativa da Mega Matte, que já é referência no assunto no país, a rede continua trabalhando para alcançar o seu maior objetivo: ser a primeira empresa brasileira a conquistar o selo mundial de comércio justo. No início de 2010 a Mega Matte possuía mais de 25% dos seus produtos com certificação. Pode parecer pouco, mas para a WFTO (World Fair Trade Organization), o índice elevado. A meta para 2011 é que 70% deles estejam certificados, o que garante à empresa o selo internacional de comércio justo.

Para que o projeto tivesse êxito, em 2009 a rede convocou produtores e franqueados para apresentar-lhes o conceito de fair trade. Apesar das dúvidas e apreensão iniciais dos produtores, todos acabaram por concordar em colocar a mão na massa, pois ainda que houvesse necessidade de minimizar impactos ambientais, erradicar trabalho escravo e infantil, a garantia de preços mínimos (e justos) para a compra da produção da erva mate dava a eles uma grande segurança.

Apesar do pouco tempo e de todas as dificuldades e desafios, a Mega Matte já vem colhendo os frutos pela opção do modelo de comércio justo. Em março de 2010 a rede foi a vencedora do Prêmio O Globo Faz Diferença na categoria Razão Social; em maio recebeu o prêmio de franquia sustentável concedido pela ABF-Afras. E isso é só o começo!

Financeiramente falando, em 2009, ano de implementação do projeto (e grave crise mundial), a rede faturou 49% a mais que em 2008, chegando na casa dos 34 milhões de reais. Para 2010 a projeção é de que o faturamento passe dos 50 milhões e crescimento seja superior a 50%. E ainda tem aquela pergunta que o pessoal de sustentabilidade faz: quanto será que a empresa lucrará quando tiver o selo internacional e as portas do mundo abertas para seu mate orgânico?

Pois bem, este caso da Mega Matte é mais que emblemático, pois mostra em curtíssimo prazo o reconhecimento e um retorno intangível, que é um grande estímulo para que outras empresas tomem a mesma iniciativa. E fica o convite a você, caro leitor, que prestigie as que, mais do que um belo discurso, agem, efetivamente em prol da sustentabilidade. Não apenas a Mega Matte, mas muitas outras espalhadas por aí.

2 comentários:

diehoppe disse...

está matéria foi vista e compartilhada por um usuário no odd10, o que nos fez conhecer seu blog. Muito bom, criativo e inteligente, parabéns, por isso convidamos você a fazer parte desta nova rede social que é o odd10. Participe, compartilhe, crie grupos, divulgue seu conteúdo, esperamos você, obrigado e até mais. (as matérias recém postadas vão para odds em votação)

Julianna Antunes disse...

Me resguardando de espertinhos da internet: Comércio Justo na prática - o caso Mega Matte foi escrito e postado no dia 21/06.