Na semana passada saiu uma matéria no caderno Razão Social do Jornal O Globo intitulada “Procura-se profissional com perfil sustentável”. Essa matéria, junto com a criação da Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade despertou o interesse de muita gente e abriu o debate para outros veículos tratarem mais profundamente sobre o assunto.
Em momento algum desde o anúncio da primeira reunião do ABRPROSUS eu emiti opinião sobre o que achava da criação da associação. Mas vou emitir agora. Acho extremamente temerário e, até, desnecessário. Primeiro por uma simples questão: as empresas mal entendem o conceito de sustentabilidade, que dirá quem é o profissional de sustentabilidade.
E segundo porque num futuro, espero que bem próximo, sustentabilidade não terá necessidade de ser área, mas uma competência dentro dos outros processos. Marketing sustentável, supply chain sustentável, finanças sustentável, comunicação sustentável, RH sustentável, TI sustentável, P&D sustentável... percebem a diferença?
Mas enquanto esse dia não chega, fica a pergunta do milhão: quem é o profissional de sustentabilidade? É o engenheiro ambiental? É o analista de SHE/SMS? É a assistente social/ psicóloga que trabalha nos projetos corporativos nas comunidades? É o RP/jornalista/publicitário que faz o relatório de sustentabilidade? É o gerente de marketing que lança produtos sustentáveis? É o gestor do instituto que cuida do ISE? Para mim nenhum desses é profissional de sustentabilidade. São apenas profissionais com experiência técnica em assuntos relacionados à responsabilidade social e responsabilidade ambiental.
Ainda na matéria do jornal O Globo, perdida lá no meio, a chave para realmente começar a dar uma cara para o profissional de sustentabilidade. Foi simplesmente perfeita a afirmação do professor Ciro Torres, do IAG da PUC-Rio, de que o maior desafio é as empresas conseguirem selecionar os líderes capazes de integrar os princípios da sustentabilidade a todas as áreas da empresa. Ou seja, volta para o que falei antes de marketing sustentável, supply chain sustentável etc etc etc.
Uma coisa que essa matéria deixou subentendida e que não condiz com a realidade do mercado da sustentabilidade, é que por mais que as empresas falem lindamente sobre esses profissionais e a importância deles, da forma como está hoje é uma área fechada, super difícil de entrar e absurdamente enxuta. E vai continuar assim enquanto não superarem a visão de responsabilidade social/custo necessário para a empresa. Ou seja, todos os CEOs vão dizer que é um imperativo para o negócio, mas contratação que é bom, nada.
Na verdade, mais do que aumentar a contratação de profissionais técnicos em RSA ou RSE, quando as empresas realmente se derem conta de que sustentabilidade é investimento e processos, todos os funcionários, independente da área, terão de ser profissionais de sustentabilidade.







5 comentários:
Também tenho essa visão! Tentei passar isso na minha primeira entrevista. Dê uma olhada quando puder!
Beijos, Facó
http://sustentavelsa.tv/programa.php?id=45
Por que as pessoas necessitam sempre dar nomes às coisas e achar responsáveis por elas?
Concordo em todos os aspectos que abordo em seu texto. Continuo a empunhar a bandeira de que aqueles que desejam se enveredar sobre essas pradas da sustentabilidade precisam antes de mais nada, acreditar de que isso é um processo de longo prazo, como também, ter um olhar para as tendências, para a modernidade, uma sensibilidade do tamanho do mundo e um desejo de mudança.
Quem será esse profissional, não sei, mas acredito muito mais em uma pessoa que tenha esses atributos do que especificamente um profissional.
Bom é isso.
Abs
Profª Teresa D T Pitombo
Ainda não temos um conceito definido de sustentabilidade. Muitos ainda relacionam somente com a esfera ambiental, quando devemos analisar também a social e econômica.
O assunto normalmente está restrito aos setores de meio ambiente e qualidade. Demais setores desconhecem o assunto e não se sentem parte integrada com essa responsabilidade.
Na minha opinião, essa atitude distancia mais o assunto do alcance de todos.
sustentabilidadecomunicada.blogspot.com
Concordo com você, acredito que a Sustentalidade ou Desenvolvimento Sustentavel é uma via de muitas mãos e na qual cada organização deve encontrar o seu caminho.
E esse caminho é criado "pelo e no coletivo" e não por um profissional ou departamento como muitas organizações defendem.
Falar de sustentabilidade é de certa forma aceitar que é preciso rever alguns processos, adequar algumas posturas e principalmente articular pessoas que tenham consigo uma cultura cooperação, que acreditem que a sociedade é uma grande rede de conecções a serem estabelecidas.
Assim como todas as pessoas que comentaram anteriormente, concordo com sua opinião. Além de sustentabilidade não ter um único significado, não ser função específica de um profissional também não é aplicada para um único segmento.
E vou além, a sustentabilidade não é um patamar que se atinge, mas sim que se almeja. É uma busca constante do estado de equílibrio, seja ambiental, econômico ou social, e que precisa ser repensado e monitorado constantemente.
Infelizmente o que ocorre hoje em dia é a banalização do termo por pessoas que acham que sabem alguma coisa mas não tem conhecimento nenhum para transmitir.
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