Tenho um pé atrás em relação à GRI. Não apenas a ela, mas qualquer relatório de sustentabilidade. Na verdade, tenho um pé atrás não ao modelo proposto pela GRI, mas à forma como as empresas utilizam os indicadores, transformando seus relatórios num suprassumo de bondade, benfeitorias e perfeições. Nada mais que greenwash.
Ontem, por exemplo, meu querido amigo Tulio, colocou um link sobre o relatório divulgado pelos organizadores do SWU. Convido vocês a lerem. Quem foi ao evento, certamente vai achar piada de mau gosto. Quem não foi, sugiro ler algumas críticas antes, para se informar do que realmente foi esse festival. E esse festival foi tudo, menos sustentável.
Mas entrando no que de bom o relatório GRI pode ser, sou da opinião de que ele é uma baita ferramenta para planejamento estratégico sustentável das empresas. Acredito, inclusive, que quando ele foi idealizado, o objetivo teria sido exatamente esse. E a lógica é extremamente simples: empresas não vão querer divulgar dados ruins, logo, elas vão procurar melhorar.
Pensando dessa forma, a GRI é genial. São 79 indicadores que mais do que o basicão da sustentabilidade (aspectos sociais, econômicos e ambientais), demandam respostas relacionadas à presença de mercado, concorrência, eficiência operacional, relacionamento com stakeholders, clima organizacional, ética, transparência etc.
Mais do que um simples reporte, o relatório de sustentabilidade é a última etapa de um macroprocesso de sustentabilidade. Depois de receber feedback da publicação, ele (o relatório) dá o pontapé para uma nova etapa, que é a de estabelecer e implementar ações de melhoria com base, justamente, no que foi relatado. E aí fica clara uma das maneiras que as empresas têm de usar a sustentabilidade como ferramenta estratégica, indo além de projetinhos sociais/ambientais.
Utópico pensar na GRI dessa forma? Não creio, até porque já há companhias (poucas, é verdade) que trabalham orientadas para isso. Mas aí vem a pergunta: se a ferramenta é tão boa, por que a maioria continua usando-a como simples instrumento de comunicação, marketing e greenwashing?
P.S. Galerinha, como vocês devem ter percebido, as postagens aqui não estão tão frequentes. Continuará assim por algum tempo, já que estou em processo de mudança física. Como é uma mudança complexa, tenho de priorizar isso. Mas assim que estiver tudo estabelecido, o blog volta ao normal.







2 comentários:
Juliana, você viu a carta da professora Amanda Gurgel (aquela que ficou conhecida no youtube por defender a educação no RN) recusando o prêmio do PNBE?
http://www.espacobanal.com.br/2011/07/amanda-gurgel-recusa-premiacao-do.html
Fiz uma postagem no meu blog sobre.
Bem, apesar de fazer uma leitura da RSE bem diferente da sua gosto do que você escreve e pretende. Suas ponderações reconhecem que tem muita balela nessa história toda, mas ainda vê uma luz no fim do túnel.
Abr e bom trabalho"
Olá Julianna.
Parabéns por mais um ótimo questionamento.
No ano passado eu questionei este evento meses antes dele começar, recusando inclusive o convite da organização para participar. Muitos outros blogs sobre meio ambiente divulgaram e apoiaram a ideia, e depois se arrependeram. Pode parecer exagero meu, mas como sou (ou já fui) publicitário posso afirmar com toda certeza a proposta nada sustentável deste evento, a começar por quem criou ele.
Acredito que neste ano não veremos nada de diferente em relação ao greenwashing do ano passado, se bobear o Rock in Rio dará mais exemplo de sustentabilidade sem o conceito distorcido e hipócrita que o SWU definiu como sustentável, se baseando inclusive em relatórios usados como mera ação de marketing social, como o GRI.
É impossível estabelecer algo sustentável numa economia baseada no consumo desenfreado, concorda? Enquanto isso acontecer, todo evento ou ação de uma empresa será mera utopia.
Abraços.
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