sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Os desafios da sustentabilidade nas pequenas cidades


É relativamente confortável para pessoas engajadas falar de sustentabilidade quando se tem por trás alguma estrutura para suportar essa opção. É claro que as grandes cidades do Brasil estão muito atrasadas em relação a isso. Mas se houver disposição, é possível, sim, viver uma vida sustentável em uma metrópole brasileira.

Há pouco mais de um mês, como vocês sabem, não moro mais no Rio de Janeiro, mas no Pará. E muito longe da capital. Estou morando em uma cidade de aproximadamente 20 mil pessoas. E aí eu pergunto a vocês: como ser sustentável em uma cidade que não tem absolutamente nada? E quando falo nada, é nada mesmo!

Se pensarmos em pequenas cidades, grandes problemas nos vêm à mente: esgoto, saneamento básico, educação, respeito aos direitos do cidadão... Isso para não alongar a lista. Como imaginar coleta seletiva em locais que, se tiver uma coleta de qualquer natureza, a população já estará no lucro? Como priorizar transporte público se não há como se locomover pela cidade e seu entorno a não ser de carro? Como falar de sustentabilidade para pessoas que aceitam passivamente o desrespeito claro às leis?

Sim, é muito difícil falar de sustentabilidade quando não se tem o mínimo. Difícil, mas não impossível. Nesses casos, nossa atitude conta muito mais do que políticas públicas. Não me consta que consumo responsável, por exemplo, dependa do governo. Não me consta que fechar a torneira enquanto escova os dentes dependa de alguma lei. Não me consta que mobilização para criação de cooperativas de lixo seja algo inviável.

A questão é que para falarmos de sustentabilidade em pequenas cidades, precisamos levar em conta que o primeiro passo é uma palavrinha bem básica, mas que no nosso país ganha contornos complexos: educação. Educação para a sustentabilidade. Complexo porque se ficarmos esperando por programas educacionais das prefeituras ou estados, vamos simplesmente esperar por nada.

É aí que eu desafio as empresas. Quando falo de educação sustentável em pequenas cidades, falo do dever cívico delas. Sejam empresas de commodities, que se instalam no local por questões estratégicas, sejam empresas de bens de consumo que vendem seus produtos a consumidores de todo país e devem usar o alcance de sua comunicação e logística para levar conhecimento a pessoas que de tão carentes de cidadania, acham estranho você pedir por favor e obrigado. Sim, isso é sustentabilidade.

3 comentários:

Milena disse...

Realmente é um tema interessante e verdadeiro. Parabéns pelo post. Eu estava pesquisando sobre qualidade de vida e encontrei um site ótimo: www.cemara.com.br/quero-minha-casa-no-campo/

Pablo Goulart disse...

Entendo a sua visão Julianna, trabalhei na área de gestão ambiental em uma siderúrgica no interior do Pará, em uma das cidades mais perigosas do Brasil, daí percebi a real importância da educação. A situação era insustável, impacto social, ambiental e econômico. Situação complicada e real. Todavia quando falamos em desenvolvimento sustentável no Brasil como um todo, temos que considerar esses modelos também. Um desafio sim, grande desafio...

Ana Paula disse...

O NEXA – Núcleo de Ex-Achievers da Junior Achievement é formado pelos jovens que participaram do Programa Miniempresa e resolveram continuar integrados à Associação. O principal objetivo do Núcleo é intensificar e manter o vínculo entre os Ex-Achievers, a Associação e o Empresariado. Possibilita o crescimento pessoal e oportuniza ao jovem novas experiências, informações e contatos que podem servir como base para sua futura vida profissional.
Além de possibilitar essa ligação com o empresariado, o NEXA realiza várias outras atividades, e um exemplo disso são os projetos de sustentabilidade. Deixo aqui o link de um deles.
http://www.facebook.com/pages/Sacola-Hoje-N%C3%A3o/200092406718737?sk=wall
Se puderem, curtam a página. Estarão ajudando muito, tanto para a conscientização, como o reconhecimento do nosso núcleo, o qual vem crescendo a cada dia mais.

Obrigada desde já. Para entrar em contato: http://www.facebook.com/nexapg?sk=wall