quarta-feira, 4 de abril de 2012

A economia de um país e a sustentabilidade


Ontem o governo federal anunciou um novo pacote com o intuito de beneficiar a indústria. O sexto desde que estourou a crise hipotecária nos Estados Unidos. Um pacote de mais de 60 bilhões que tem por objetivo promover o crescimento brasileiro para 4,5% neste ano. Um pacote que desagradou empresários, economistas, sindicalistas. E pessoas que lidam com a sustentabilidade.

Este sexto pacote tratou de medidas como desoneração, aumento do crédito, incentivo às exportações, produção nacional de automóveis, dentre outras. Dos 127 setores da nossa economia, o pacote contemplou benefícios a 11 deles. Ok, eles respondem por 20% da produção nacional e 1/3 dos empregos. Mas não se iludam que o governo deixará de arrecadar. Acreditem, haverá compensação de alguma forma e possivelmente quem pagará a conta serão os setores não contemplados. Ou então nós, cidadãos, enquanto pessoas físicas.

De forma muito breve, do ponto de vista econômico, falo que, enquanto o dólar continuar sobrevalorizado, esse e qualquer outro pacote vai servir, apenas, para tapar o sol com a peneira. Falo, também, que enquanto continuarmos com a maior taxa real de juros mundo, qualquer medida de incentivo vai soar como enxugar gelo.

Dos setores contemplados, dois, particularmente, me chamaram a atenção: plástico e autopeças. E aqui vou praticamente repetir o que já escrevi antes: desde o governo passado acredita-se que desenvolvimento e crescimento do país sejam sinônimo de vender mais carros.

Não, somos um país sem a menor infraestrutura para transportes. Sim, temos um transporte público que beira a piada e não atende a demanda das grandes cidades. Sim, fazemos parte de uma cultura onde ter carro é status, independente do custo econômico, social e ambiental. Sim, somos um país com alto endividamento das famílias. Sim, um carro no Brasil custa mais do que o produzido aqui e exportado para o México (e isso nada tem a ver com imposto).

O plástico. Não nos esqueçamos do incentivo ao setor de plástico. Lembremos: petróleo – plástico – produtos que levam muito tempo para decompor no meio ambiente. Uma vez, quando o governo fez pacote de redução de IPI para a linha branca, o André Trigueiro falou com muita propriedade que essa redução deveria ser atrelada apenas às linhas de produtos ecoeficientes. Mas não foram.

Temos agora outra chance que parece também estar indo para o ralo. Grandes indústrias como Basf e Braskem investem em pesquisa e desenvolvimento do plástico biodegradável, que ainda não é comercializado em escala por causa de seu alto custo. Pergunto: e se o governo desonerasse setores da economia que estão focados em produtos e processos sustentáveis, não seria mais justo, mais promissor e mais efetivo? E será que lá na frente as futuras gerações não agradeceriam?


E atenção:

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3 comentários:

Cristiano S da Silva disse...

Realmente o nosso sistema de transporte está sobrecarregado e defasado, um carro enguiçado é sinônimo de garrafamentos extensos. Avenida Brasil, Linha Amarela, Linha Vermelha,que foram projetadas para fazer escoar o trânsito do Rio de Janeiro estão longe desse objetivo, somando-se a esses fatores a inexistêcia de uma rotatividade, e o agravante das sextas em que todos decidem sair com seus carros, causando mais egarrafamentos e mais poluição( sonora, do ar,).

Cristiano S da Silva disse...

o meu teclado está com problemas para digitar as letras ou caracteres n,m.

Melk Desentupidora São José dos Pinhais disse...
Este comentário foi removido pelo autor.