terça-feira, 8 de novembro de 2016

Filantropia e sustentabilidade

Acho que o título desse post não retrata exatamente sobre o que vou escrever. Até porque já escrevi algumas vezes aqui sobre a diferença entre filantropia e sustentabilidade. Na verdade esse é um assunto bem claro e bem óbvio. O que eu quero escrever mesmo é sobre o que eu chamaria de, digamos, “filantropia sustentável”.

Filantropia não é um tema novo, pelo contrário, é milenar. Só que nos últimos anos, a tecnologia vem ajudando a leva-la a um novo patamar. Se não me engano, a primeira ferramenta do tipo que apareceu na internet foi a Vakinha online. Ela ainda existe, ela ainda é muito utilizada, mas o que trouxe uma grande ruptura neste modelo foram as plataformas de crowdfunding.

Lá no início o crowdfunding funcionava da mesma forma que uma vaquinha normal. As pessoas ainda estavam experimentando. Quer dizer, ainda tem gente que utiliza dessa maneira e obtém bons resultados. Mas com a maturidade do modelo, as organizações e as pessoas viram o potencial de trabalhar bem uma causa e obter bons resultados a partir desta ferramenta de financiamento/captação.

Acontece que a tecnologia, ao mesmo tempo em que ampliou o potencial de alcance dos projetos filantrópicos, fez com que eles se tornassem muito concorridos. São muitos projetos ou iniciativas disputando muitas vezes o mesmo dinheiro. Um dinheiro que quase sempre é escasso. E o que motivaria uma pessoa, neste caso, a doar seu dinheiro? Basicamente identificação com a causa.

No entanto, para um projeto que precisa de captação para sair do papel ou para se manter, contar apenas com a simpatia das pessoas pela causa é muito pouco. A filantropia pela filantropia, para dar certo, ou a base de engajamento já tem de ser grande antes mesmo do projeto partir para a internet ou o esforço de comunicação e assessoria de imprensa terá de ser gigantesco. Ou então, em casos excepcionais, contar com a sorte de cair nas graças de alguém conhecido e viralizar. Não acho que esse seja o caminho.

É aí que entra a “sustentabilidade” de um projeto filantrópico que vai buscar financiamento na internet. Da mesma forma que tem muitos projetos ruins tentando conquistar a nossa atenção, tem muita coisa boa que aparece nos sites de crowdfunding e muitas vezes peca no modelo de criação da camoanha. Para começar, as pessoas que buscam a plataforma para captar precisam entender a mecânica de funcionamento. Se não tiver recompensa é vaquinha, não crowdfunding. 

Se o projeto quer chamar a atenção de alguém que não apoia aquela causa, é fundamental investir na construção de uma boa história, é fundamental investir em uma boa construção visual e é fundamental pensar em boas recompensas. Sim, recompensas. É um jogo de ganha-ganha. Se não é a minha causa, aquilo não é uma doação e eu não vou dar meu dinheiro para receber um chaveirinho em troca.

Isso pode parecer um tanto quanto frio em se tratando de filantropia e as dicas parecem ser bem básicas. E são. Mas é o mesmo dilema que o marketing passou tempos atrás, achando que o apelo ambiental/social por si só era suficiente para alavancar a venda de produtos tidos como sustentáveis. Acontece que já passou da hora de profissionalizar os meios de captação de projetos filantrópicos na internet e de achar que basta coração bom das pessoas para um projeto se viabilizar.


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