Acontece que tem gente que
acredita que é possível plenamente sustentável. Não é. E fica até chato quando
uma ala radical quer impor esse estilo de vida. Se a gente pensar em
transporte, sim, é mais sustentável se locomover de bicicleta do que de carro.
Mas ainda assim a fabricação da bicicleta gerou um impacto, os pneus são feito
de borracha, há um processo químico no aço, no alumínio, nas partes de plástico
e blá, blá, blá.
Por que estou falando isso? Recentemente
São Paulo proibiu o uso de sacolas plásticas nos supermercados. No Rio, em
2009, uma lei parecida foi criada, mas, pelo que percebi, não deu muito certo
por razões que eu desconheço. E tomando as sacolinhas como exemplo, devemos ter
em mente que a sustentabilidade é calcada na relação de causa e consequência.
São Paulo proibiu o uso das
sacolas em supermercados. Gerou uma série de transtorno nas compras,
principalmente nas compras de mês. Ok, é uma questão de adaptação. Os custos da
sacola eram repassados no preço dos produtos. O custo das sacolas retornáveis é
de responsabilidade do consumidor. Dizem que o desconto será repassado. Eu
duvido, até porque há N formas de mascarar isso.
Muitos brasileiros, se não a
maioria, têm o hábito de usar as sacolas de supermercado para fazer o descarte
de lixo. Com a proibição, terão de comprar sacos de lixo, ou seja, além do
custo (e é preciso lembrar sempre que aspectos financeiros também é
sustentabilidade), é plástico da mesma forma. E aí fica clara a posição do
governo em relação a qualquer pressão de stakeholder.
A sociedade pressiona, pressiona
e pressiona, assim como a opinião pública. Para dar uma resposta rápida e mais
fácil, o governo cria leis sem se preocupar com as consequências. Sustentabilidade
começa com educação. As sacolas de plástico se tornaram um problema por falta
de educação, basicamente. Educar, qualquer pai e mãe podem corroborar o que eu
vou dizer, de forma alguma é fácil. Além de difícil, é lento, trabalhoso. E não
vejo as esferas governamentais brasileiras preocupadas com qualquer tipo de
educação.
Tirando a responsabilidade do
governo e voltando ao ponto chave dos primeiros parágrafos, equilíbrio. Retirar
as sacolas de plástico do mercado não vai resolver o problema, mas sim utilizá-las
com parcimônia, assim como viver a vida com o suficiente, sem necessidade de
excessos ou exageros. Isso é sustentabilidade de verdade.
E não se esqueçam: últimos dias
para se inscrever no curso de introdução à sustentabilidade corporativa no Rio
de Janeiro dias 04 e 11 de fevereiro. Mais informações: http://migre.me/7wrGTou http://migre.me/7DYMN.







3 comentários:
Julianna, o que você quer dizer por "o mundo nunca foi sustentável"? você é instrutora deste curso?
José, instrutora de que curso?
O que eu quero dizer é que por mais que procuremos viver de forma que impacte menos o meio ambiente, por mais que as empresas trabalhem orientadas para isso, esse menos ainda é um impacto. A diferença é que quando o impacto é grande, os problemas aparecem mais rápido. Mas cedo ou tarde eles aparecem.
Do ponto de vista empresarial, pensa em atividades de mineração, petróleo, agricultura. Nós precisamos delas e ainda que sejam conduzidas de forma sustentável, geram impactos.
Ok, pensemos em energias limpas: hidrelétricas causam impacto profundo nas regiões do entorno. Impactos ambientais e sociais. Energia solar não é economicamente viável. Energia eólica causa impactos profundos na fauna local.
E aí, o mundo foi, é ou será sustentável?
Oi Julianna, o fim do texto fala de um curso de introdução à sustentabilidade corporativa.
Acho que entendi. O que não estava claro é que você chama de "mundo" o que eu chamaria de "civilização humana nos moldes que ai estão". O Planeta, o mundo, a natureza e seus ciclos são sustentáveis. A intromissão do homem nestes ciclos altera o equilíbrio inicial levando a natureza a buscar outros pontos de equilíbrio. Ela, natureza, há de sempre, invariavelmente, se reequilibrar. A questão que resta ao homem é se o equilíbrio resultante será um planeta habitável e com que tipo de qualidade de vida (humana).
Enfim, entendo que o mundo é, foi e será sustentável. Com certeza porém, não é viável que todos os seres humanos (+7Bi) vivam nas condições que nós dois, por exemplo, vivemos. Ou seja, nosso estilo de vida é insustentável. O modelo econômico que se baseia no eterno crescimento e aumento da demanda e do acúmulo, é insustentável.
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