A importância da tecnologia para a sustentabilidade

Como a tencologia para a sustentabilidade pode impulsionar oportunidades para as empresas no futuro

Mobilidade urbana no Rio de Janeiro e a Baía de Guanabara

Como o Rio de Janeiro pode pensar na mobilidade urbana além do transporte rodoviário e os benefícios para a população

Promoção dos 5 mil likes

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quinta-feira, 1 de setembro de 2016

A importância da tecnologia para a sustentabilidade

Não me lembro se aqui no blog já escrevi sobre a importância da tecnologia para a sustentabilidade. Não falo de TI, bit/byte, códigos ou programação. Falo da tecnologia no sentido pleno da palavra. Novos conhecimentos técnicos e científicos aplicados no desenvolvimento de produtos e processos para a promoção ou o alcance da sustentabilidade. Se não falei, falo agora. É que para quem me conhece e convive comigo, o assunto é bem comum.

Uma das historias que mais gosto de contar é a de Malthus, que lá atrás previu um apocalipse now famélico ao dizer que enquanto a produção de alimentos crescia em progressão aritmética, a população crescia em progressão geométrica. E que chegaria um momento em que não haveria alimentos suficientes para toda a população.

Obviamente a teoria de Malthus não se concretizou. Mas Malthus estava errado? Não, não estava. E por quê? Porque a análise de dados dele era com base nos fatos da época, finalzinho do século XVIII. Sabe aquela palavrinha mágica que a maioria das pessoas esquece quando faz um julgamento? Pois é, contexto.  Dado o contexto da época, Malthus não errou em sua análise. Se tudo caminhasse da forma como se desenhava, era bem provável que lá na Itália, na Áustria ou em Portugal, algum tataravô meu tivesse morrido de fome e eu não estaria aqui escrevendo este texto.

Mas aí eu pergunto: por que, então, a teoria de Malthus não vingou? Tecnologia, meus caros. Tecnologia. Porque com o passar do tempo, o homem desenvolveu tecnologia que permitiu uma produção maior de alimentos de forma a atender a demanda da população. Desenvolvimento de ferramentas, equipamentos mecanizados, desenvolvimento de produtos que ajudaram a uma maior produtividade, desenvolvimento de técnicas de plantio mais eficazes, sementes melhores. T-E-C-N-O-L-O-G-I-A.

Trazendo a perspectiva malthusiana para o século XXI, vejo questionamentos bem semelhantes com relação às mudanças climáticas. De um lado temos o IPCC que já admite o fato de que daqui a pouco mais de 80 anos a temperatura do mundo vai subir no mínimo do mínimo do mínimo 2ºC. Se a gente raspar um pouco mais o tacho, consegue aumentar “só” 1,5ºC. Mas vai ter de abrir mão de muita coisa.

Aí tem a galera do veja bem dizendo que pode não ser assim, que o cenário pode não ser tão ruim e bla bla bla. Sim, acredito que o cenário pode não ser tão ruim assim, desde que a tecnologia utilizada para mitigação do clima seja outra. Porque com as ferramentas, os processos e o comportamento que temos hoje, acredito no cenário que o IPCC aponta.

Mas será que 80 anos são suficientes para que seja desenvolvida alguma tecnologia capaz de conter as mudanças climáticas?

Brother, há mais ou menos 120 anos a função básica do petróleo era servir de combustível pra acender lamparina. Quem imaginou na década de 1960, por exemplo, que aqueles moinhos de vento lá do século VII, VIII, seriam os precursores de turbinas eólicas capazes de gerar, no século XXI, energia para cidades inteiras? Ou que eu, como pessoa física, poderia ser responsável pela geração da minha própria energia com placa solares no meu telhado?

Dentro desse cenário, vejo muitas oportunidades para a sustentabilidade. Muitas mesmo. E vejo oportunidade para empresas que queiram se posicionar dentro de um mercado de tecnologia para a sustentabilidade. Citei a perspectiva das mudanças climáticas, mas tem tecnologia de sustentabilidade para água, alimentos, energia, mobilidade, telecomunicações, enfim, qualquer setor. Qualquer setor mesmo.

Não é de hoje que falo dela, pelo contrário, mas uma das empresas que soube enxergar essas oportunidades brilhantemente, é a GE. Quem já fez meu curso de planejamento estratégico sustentável sabe que dedico um tempo dele para falar da linha Ecomagination, um dos melhores cases de produtos com pegada de sustentabilidade, e de como a sustentabilidade transformou a estratégia da empresa. Tipo, não estou falando daquele bla bla bla engana trouxa que tem nos relatórios de sustentabilidade de todas as empresas. Estou falando de estratégia de verdade, de impacto no faturamento, de indicadores, de vendas, de lucro.

Durante os Jogos Olímpicos, tive a oportunidade de conhecer o Centro de Pesquisa da GE na Ilha do Fundão, na UFRJ. Lá conheci solução de tecnologia para limpeza da água na extração de petróleo em pré-sal, soluções de tecnologia aplicada à saúde, à iluminação, à logística, ao setor energético... Tem, até, soluções de tecnologia associada à melhoria de performance no esporte! O mais interessante da visita foi ver que a linha de atuação da GE é muito variada, mas se analisarmos detalhadamente cada um dos produtos/soluções que ela comercializa hoje, veremos facilmente como a tecnologia é aplicada para gerar resultados voltados para a sustentabilidade.

Tecnologia esportiva GE - canoagem de velocidade

Visita ao laboratório do Tíbio e Perônio, recriado pela GE em ação dos Jogos Rio 2016

E mais do que isso, foi sensacional ver a remodelagem dos negócios de uma empresa e como a sustentabilidade teve papel importante nisso. Ver o que era a GE há pouco mais de dez anos, quando Jack Welch, o bambambam dos CEOs, presidia a empresa e lutava com todas as forças por menos regulamentações ambientais, e o que ela se tornou na gestão do Jeffrey Immelt, é bacana demais. Sabe aquela empresa que vendia lâmpada incandescente e depois passou a vender eletrodoméstico? Então, ela cresceu.



sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Mobilidade urbana no Rio de Janeiro e a Baía de Guanabara

Nenhum plano de mobilidade urbana na cidade do Rio de Janeiro que seja sério pode propor algo que não passe pela revitalização e utilização da Baía de Guanabara para o transporte público. Ou, ao menos, que se considere essa possibilidade de forma estratégica e inclusiva. Não estou falando da questão da despoluição, que é fundamental, mas de usar a Baía como meio de transporte.

O Rio de Janeiro é uma cidade privilegiada nesse sentido, possui em seu entorno uma baía hidrográfica com mais de quatro mil km e que parece praticamente invisível aos olhos de todos, cidadãos e gestores públicos. Apesar disso, moradores da Ilha do Governador, cansados de esperar, estão fazendo transporte particular por ela. Há, até, um estudo/projeto da Firjan para implementação desse transporte, não apenas para a cidade do Rio de Janeiro, como para os demais municípios vizinhos, que dela se beneficiam. 

Para o desenvolvimento social da região metropolitana do Rio de Janeiro, o transporte aquaviário seria uma dádiva. Quantas favelas se encontram as margens da Baía e também as margens da vida em sociedade? Um projeto sério de mobilidade urbana poderia se transformar em um dos maiores programas de desenvolvimento social da história do Rio de Janeiro. E não estou exagerando.

Tragam as populações do entorno, façam um diagnóstico social pormenorizado de suas vocações e habilidades. Capacitemos os que necessitam. Ouçamos suas experiências. Resgatem a história magnífica da Baía de Guanabara, chamem os movimentos indígenas, afinal eles foram os primeiros por lá. Vamos aos biólogos marinhos, ecologistas, especialistas em sustentabilidade.

O Rio de Janeiro é uma região muito quente no verão. Não é tão simples aplicar uma mobilidade urbana que privilegie as bicicletas sem levar a temperatura em conta. Afinal, o Rio de Janeiro não é só a Zona Sul e por melhor que seja uma ciclovia, imaginemos uma que passe por toda a Av. Brasil, por exemplo. Chegar ao centro vindo de Bangu, no mês de janeiro e seus 40 graus, não é tão simples, meus amigos, e nem estou levando em consideração a segurança pública.

Mas e se esse plano de mobilidade urbana através da Baia de Guanabara tivesse em seu planejamento barcos com espaço para bicicletas? E se, por exemplo, pudéssemos pegar um barco na Vila do João em Bonsucesso e descer na Praça XV com nossas magrelas e seguir apenas por uns 5 a 10 minutos até nosso trabalho? Hein, hein, hein?

Isso é perfeitamente possível, meus caros, desde que se tenha VONTADE. E não acredito que essa vontade deva ser apenas política. Ela também tem de ser nossa e podemos tentar fazer com que ela seja colocada em prática. Que tal chamar a iniciativa privada para labuta? Que tal desafiarmos os gestores públicos? Que tal uma empresa que vem fazendo isso com maestria? E aí, UBER, que tal um UBER BOAT? E mais tantas outras empresas que podem e devem fazer parte de um plano desses.

Candidatos as eleições de 2016, segue o desafio e a pergunta: quais são seus planos para  mobilidade urbana e Baía de Guanabara? Aliás, qual o seu plano de mobilidade que vai além de BRT? Cidadãos cariocas, pessoas que aprendi a amar e respeitar, esse transporte desumano que nos é ofertado já não nos serve mais. O que podemos fazer? 

Mais informações:

Moradores da Ilha do Governador que usam a baía de Guanabara como transporte público - http://goo.gl/v5UdWG

Proposta da Firjan para mobilidade urbana - http://goo.gl/tUdpU6

Proposta Firjan para mobilidade urbana




quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Promoção dos 5.000 likes


Galera, a página do blog está chegando aos 5.000 likes no Facebook. Para comemorar, assim que alcançarmos o número, vamos sortear um livro de sustentabilidade onde o vencedor poderá escolher o livro que quiser a partir da lista postada em dicas de leitura: http://www.sustentabilidadecorporativa.com/p/dicas-de-livro.html

Para isso, basta curtir a página e compartilhar este post no Facebook; https://www.facebook.com/asestrategia/videos/1108994159137465/

Ah, tem até vídeo engraçadinho para a promoção:


sexta-feira, 5 de agosto de 2016

A Rio 2016 e a sustentabilidade

Depois de sete anos de espera, hoje, finalmente, começam os Jogos Olímpicos Rio 2016. Se me perguntarem se acho que essas Olimpíadas serão sustentáveis, eu diria que sim. Apesar de as notícias veiculadas nos últimos meses apresentarem um quadro pouco animador, todos os investimentos que foram feitos deixarão um legado para as novas gerações de atletas e, principalmente, para os cidadãos.

Foram construídos centros de iniciação ao esporte, centros de treinamento e instalações olímpicas com investimentos superiores a R$ 4 bilhões. Além da questão esportiva, a promessa é de que essas instalações trarão modernidade e novos conceitos de construção sustentável, além, é claro de melhorias urbanas.

É certo que nem todas as promessas feitas no dossiê de candidatura foram alcançados. A despoluição da Baía de Guanabara, um sonho cada vez mais distante, será nosso maior fracasso. No entanto, por outro lado, podemos destacar os investimentos feitos em logística e transporte, como a linha quatro do metrô carioca e as diversas linhas de BRTs que ligam a zona oeste a diversos pontos importantes, como o aeroporto internacional.

Outro aspecto importante, e que talvez seja o maior legado dos Jogos, diz respeito ao projeto Porto Maravilha. Seguindo o modelo olímpico de Barcelona, a Olimpíada no Rio de Janeiro foi capaz de, finalmente, alavancar a revitalização da zona portuária do Rio de Janeiro com o fim da Perimetral e a transformação da região em uma zona turística.

Apesar de diversos pontos positivos, muita coisa que esperávamos que fosse feita para os Jogos não saiu do papel. Acredito que a sustentabilidade seja um tema sensível e que esteja longe do ideal. No entanto, apesar das dificuldades, ainda acredito que por conta deste evento, demos um passo (e tanto) para alcançá-la.


As idéias apresentadas no texto são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo obrigatoriamente a opinião do Blog Um olhar sustentável sobre o mundo empresarial.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Sustentabilidade, economia compartilhada e o setor público

Quando falamos de economia compartilhada, pensamos de cara em empresas como Uber, Airbnb e similares. Pensamos também na possibilidade de qualquer pessoa ganhar um dinheiro extra, descentralizando o processo produtivo, seja alugando um quarto vazio em casa, seja fazendo um bico no volante num sábado à noite que ninguém o chamou para sair. De forma bem rasa, esse é o princípio da economia compartilhada.

Acontece que a economia compartilhada é muito mais do que uma grana a mais no final do mês. É um novo modelo onde os impactos gerados por ela mudam completamente a forma de uma economia tradicional trabalhar. Então eu pergunto: como ela poderia se integrar a um modelo de administração naturalmente centralizador das empresas e mesmo no setor público?

Falemos de Uber e seus similares. Sempre bato na tecla que carro é um dos produtos mais ineficientes que existe no modelo econômico do século passado. Se você for trabalhar de carro, ele fica, mais ou menos, duas, três horas em atividade (isso se for trânsito pesado como no Rio), para o restante do tempo ficar parado ocupando espaço. E se você não utiliza o carro nem para trabalho, aí mesmo que a eficiência vai para o ralo.

Peguemos empresas com equipe de vendas ou que por algum motivo precise de uma considerável frota de automóveis. Mesmo que os profissionais de vendas utilizem o carro com muito mais eficiência que uma pessoa comum, ainda assim ele não chega a ser utilizado por metade de um dia. Bem longe disso. Não sei se o custo de locação é mais barato, mas ainda que não seja, é comum que essa frota seja alugada. E concordo que tenha de ser assim. Não é business de uma Unilever da vida gerenciamento de carro de vendedor, por exemplo.

Pensemos então como o Uber pode atuar nesse mercado. Não falo de gerenciamento de frotas, pois seria trocar o seis por meia dúzia. Falo de montar uma equipe enxuta onde cada motorista atende X vendedores e o carro funciona de forma mais otimizada. Ou que, ao menos, fique parado pelo menor tempo possível que o carro que o vendedor costuma usar. Certamente este modelo é mais sustentável, mais eficiente e pode ser, até, mais barato (não coloquei a conta no papel, mas fica a sugestão).

Agora pensemos no setor público. Como os governos federal, estadual e municipal podem entregar um serviço de mais qualidade e utilizar melhor o dinheiro do contribuinte ao integrar o modelo de economia compartilhada à gestão pública?

O setor público brasileiro, tradicionalmente, tem de administrar prédios próprios. Prédios muitas vezes subutilizados e emperrados pela máquina burocrática. Prédios muitas vezes localizados em áreas supervalorizadas que poderiam gerar um bom caixa para o governo. Patrimônio muitas vezes cuidado de forma ineficiente, seja na cobrança de um aluguel muito baixo, na manutenção precária por falta de fiscalização adequada ou qualquer um daqueles motivos que só encontramos no sistema público.

Mas e se o setor público do Brasil utilizasse um modelo de Airbnb de espaços corporativos? Ou então adotasse um modelo de coworking? Não seria mais barato e mais eficiente? Não tiraria um peso financeiro das costas do Estado, assim como um peso administrativo? Quão mais eficiência a aplicação de uma visão voltada para as novas economias poderia gerar no setor público? E que impacto isso pode trazer para aqueles que financiam a máquina pública, no caso o cidadão?